Phantasia Lira dos Vinte Anos · Capítulo 51 de 85
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Quanti dolci pensier, quanto disio!

DANTE

C'est alors que ma voix

Murmure un nom tout bas... c'est alors que je vois

M'apparaître à demi, jeune, voluptueuse,

Sur ma couche penchée une femme amoureuse!

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............................................

Oh! toi que j'ai rêvée,

Femme à mes longs baisers si souvent enlevée,

Ne viendras-tu jamais?......................

CH. DOVALLE

À noite sonhei contigo...

E o sonho cruel maldigo

Que me deu tanta ventura.

Uma estrelinha que vaga

Em céu de inverno e se apaga

Faz a noite mais escura!

Eu sonhava que sentia

Tua voz que estremecia

Nos meus beijos se afogar!

Que teu rosto descorava

E teu seio palpitava

E eu te via a desmaiar!

Que eu te beijava tremendo,

Que teu rosto enfebrecendo

Desmaiava a palidez!

Tanto amor tua alma enchia

E tanto fogo morria

Dos olhos na languidez!

E depois... dos meus abraços,

Tu caíste, abrindo os braços,

Gélida, dos lábios meus...

Tu parecias dormir,

Mas debalde eu quis ouvir

O alento dos seios teus...

E uma voz, uma harmonia

No teu lábio que dormia

Desconhecida acordou,

Falava em tanta ventura,

Tantas notas de ternura

No meu peito derramou!

O soído harmonioso

Falava em noites de gozo

Como nunca eu as senti.

Tinha músicas suaves,

Como no canto das aves,

De manhã eu nunca ouvi!

Parecia que no peito

Nesse quebranto desfeito

Se esvaía o coração...

Que meu olhar se apagava,

Que minhas veias paravam

E eu morria de paixão...

E depois... num santuário

Junto do altar solitário

Perto de ti me senti,

Dormias junto de mim...

E um anjo nos disse assim:

"Pobres amantes, dormi!"

Tu eras inda mais bela...

O teu leito de donzela

Era coberto

de flores...

Tua fronte empalecida,

Frouxa a pálpebra descida,

Meu Deus! que frio palor!...

Dei-te um beijo... despertaste,

Teus cabelos afastaste,

Fitando os olhos em mim...

Que doce olhar de ternura!

Eu só queria a ventura

De um olhar suave assim!

Eu dei-te um beijo, sorrindo

Tremeste os lábios abrindo,

Repousaste ao peito meu...

E senti nuvens cheirosas,

Ouvi liras suspirarem,

Rompeu-se a névoa... era o céu!

Caía chuva de flores

E luminosos vapores

Davam azulada luz...

E eu acordei... que delírio!

Eu sonho findo o martírio

E acordo pregado à cruz!

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