Fui um doudo em sonhar tantos amores, etc Lira dos Vinte Anos · Capítulo 11 de 85
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Fui um doudo em sonhar tantos amores, etc

Fui um doudo em sonhar tantos amores, etc

Dorme, meu coração! Em paz esquece

Tudo, tudo que amaste neste mundo!

Sonho falaz de tímida esperança

Não interrompa teu dormir profundo!

Tradução do Dr. Octaviano

Fui um douto em sonhar tantos amores...

Que loucura, meu Deus!

Em expandir-lhe aos pés, pobre insensato,

Todos os sonhos meus!

E ela, triste mulher, ela tão bela,

Dos seus anos na flor,

Por que havia de sagrar pelos meus sonhos

Um suspiro de amor?

Um beijo -- um beijo só! eu não pedia

Senão um beijo seu

E nas horas do amor e do silêncio

Juntá-la ao peito meu!

Foi mais uma ilusão! de minha fronte

Rosa que desbotou

Uma estrela de vida e de futuro

Que riu... e desmaiou!

Meu triste coração, é tempo, dorme,

Dorme no peito meu!

Do último sonho despertei e n'alma

Tudo! tudo morreu!

Meus Deus! por que sonhei e assim por ela

Perdi a noite ardente...

Se devia acordar dessa esperança,

E o sonho era demente?...

Eu nada lhe pedi: ousei apenas

Junto dela, à noitinha,

Nos meus

delírios apertar tremendo

A sua mão na minha!

Adeus, pobre mulher! no meu silêncio

Sinto que morrerei...

Se rias desse amor que te votava,

Deus sabe se te amei!

Se te amei! se minha alma só queria

Pela tua viver,

No silêncio do amor e da ventura

Nos teus lábios morrer!

Mas vota ao menos no lembrar saudoso

Um ai ao sonhador...

Deus sabe se te amei!... Não te maldigo,

Maldigo o meu amor!...

Mas não... inda uma vez... Não posso ainda

Dizer o eterno adeus

E a sangue frio renegar dos sonhos

E blasfemar de Deus!

Oh! Fala-me de amor!... - eu quero crer-te

Um momento sequer...

E esperar na ventura e nos amores,

Num olhar de mulher!

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