E′ ella! E′ ella! E′ ella! E′ ella! Lira dos Vinte Anos · Capítulo 45 de 85
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E′ ella! E′ ella! E′ ella! E′ ella!

E′ ella! E′ ella! E′ ella! E′ ella!

E’ ella! é ella! -- murmurei tremendo,

E o echo ao longe murmurou -- é ella!

Eu a vi -- minha fada aerea e pura --

A minha lavadeira na janella!

Dessas agoas furtadas onde eu moro

Eu a vejo estendendo no telhado

Os vestidos de chita, as saias brancas;

Eu a vejo e suspiro enamorado!

Esta noite eu ousei mais atrevido

Nas telhas que estalavão nos meus passos

Ir espiar seu venturoso somno,

Vêl-a mais bella de Morphêo nos braços!

Como dormia! que profundo somno!...

Tinha na mão o ferro do engommado...

Como roncava maviosa e pura!...

Quase cahí na rua desmaiado!

Afastei a janella, entrei medroso:

Palpitava-lhe o seio adormecido...

Fui beijal-a... roubei do seio della

Um bilhete que estava alli mettido...

Oh! de certo... (pensei) é doce pagina

Onde a alma derramou gentís amores;

São versos della... que ámanhã de certo

Ella me enviará cheios de flores...

Tremi de febre! Venturosa folha!

Quem pousasse comtigo neste seio!

Como Othello beijando a sua esposa,

Eu beijei-a a tremer de devaneio...

E’ ella! é ella! -- repeti tremendo,

Mas cantou nesse instante uma coruja...

Abri cioso a pagina secreta...

Oh! meu Deus! era um rol de roupa suja!

Mas se Werther morreu por vêr Carlota

Dando pão com manteiga ás criancinhas,

Se achou-a assim mais bella, -- eu mais te adoro

Sonhando-te a lavar as camisinhas!

E’ ella! é ella! meu amor, minh’alma,

A Laura, a Beatriz que o céo revela...

E’ ella! é ella! -- murmurei tremendo,

E o echo ao longe suspirou é ella! --

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