Capitulo 25: Nunca subestime uma fada jardineira Condenados a Voar · Capítulo 27 de 36
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Capitulo 25: Nunca subestime uma fada jardineira

Yvoan recebeu as críticas com irritação crescente. Conforme Verbena lançava os fatos, os nós dos dedos do soberano narcisista embranqueceram de tanta força apertando as bordas do trono. A garganta ardeu, e o gosto amargo da própria humilhação subiu à boca quando gritou:

— Cale a boca! Quem você pensa que é?

— Sua tia — ela cruzou os braços, com um semblante irreverente — e um milhão de vezes mais experiente que vossa majestade, inclusive.

— Pois eu vou te ensinar a fechar o bico, vadia!

Não se sabe como ou por quê, mas, apesar de híbrido, o reizinho possuía poderes dignos de Alféria. Uma fada das tempestades, algo incomum, mas estupidamente destrutivo, capaz de eletrocutar vilas inteiras com um piscar de olhos. Até existiam lendas de que, quanto maior o amor, mais poderosos seriam os filhos. Eis o problema: como medir um sentimento? Difícil transformar essa afirmação em prova concreta...

Afortunadamente, Yvoan conhecia pouco das próprias habilidades. Na maioria das vezes, eram gatilhos desmedidos. Por isso, os conselheiros reais logo atrás do trono, que acompanhavam a discussão como cãezinhos adestrados, se esconderam rapidamente atrás das pilastras, tropeçando em suas próprias vestes de seda e fios de ouro. Ninguém queria virar alvo da ira do rei na direção da nova parente.

Weisen fez menção imediata de partir em auxílio da cunhada. No meio do movimento, porém, a mão de Fendrel o impediu, empurrando-o para trás. Quando o mais velho protestou, foi instruído a olhar para cima.

Trepadeiras roxas rasgaram o teto, e dos vasos decorativos do salão irromperam galhos nervosos. Alguns se entrelaçaram, formando uma barreira espinhosa que serviu como um corredor de proteção entre os aventureiros e o exército do monarca teimoso.

Os cavaleiros que conseguiram passar tiveram suas armas imediatamente transformadas em pássaros num estalar de dedos do mestre dos bardos e saíram cautelosos ao som dos rosnados ferozes da druida que já virara um enorme urso pardo.

As raízes que desciam do teto se enrolaram no corpo de Yvoan, suspendendo-o de cabeça para baixo. Verbena se aproximou dele, desta vez seu semblante pesava com impaciência.

— O seu problema é achar que mulheres são frágeis e governáveis.

— Me sol..

Não conseguiu completar, pois uma gramínea chicoteou o rosto dele numa censura agressiva. O sangue descia ligeiro na direção da cabeça, zunindo nos ouvidos, e o mundo mergulhou num giro nauseante.

Pela primeira vez, o garoto conhecia o ímpeto de alguém completamente dona do próprio nariz. .

— Eu não terminei, mal-educado! Acha que eu fico de conversinha como seu tio e pai? Fadas jardineiras têm outras formas de resolver as coisas — os ramos que prendiam os tornozelos do monarca aumentaram o aperto — Abra logo essa matraca! Onde achamos a sereia que roubou a voz de Pria?

Silêncio…

Verbena sorriu e petelecou a testa de Yvo.

— O que foi? Perdeu a voz? Porque, antes… como você disse agora há pouco mesmo? — fingiu procurar as palavras e se curvou bem próxima ao rosto dele— Ah, é… antes estava que nem um dragão soltando fogo pelas ventas.

— Está bem, está bem… eu falo! — Yvoan disse em desespero atordoado. Até tentou se desvencilhar mais uma vez, balançando o corpo para o lado, mas suas juntas gritaram de dor puxadas pela gravidade — Só que eu não sei para onde eles levaram a Pria naquele dia!

— Eles?

A moça arqueou a sobrancelha e automaticamente procurou os irmãos Azvir a procura de explicações que vieram imediatamente seguidas de grunhidos insatisfeitos.

— Os irmãos Twins? Sério? Pior que não estou tão surpreso — Fendrel lançou os braços ao ar — Por que maluco só anda com maluco?

— Da próxima, Yvoan, ao menos tenha a decência de fazer as coisas sozinho. — Weisen negava veementemente com a cabeça e permaneceu alguns minutos quieto antes de terminar. — Verver, pode soltar o pilantrinha, já temos o que precisamos. Inclusive, obrigado. Fendrel está proibido de trazer qualquer outra fada além de você.

De uma só vez, o rei foi solto para cair de nariz no chão gelado. Sem grandes cerimônias, os aventureiros se despediram e caminharam para fora do castelo. Os soldados abriram passagem sob os olhares de Verbena e rugidos de Verna.

Aproveitando a situação, Weisen se aproximou do irmão, retirou um tecido do bolso e entregou a ele, que, confuso, aceitou.

— É para limpar a sua baba, você bem que queria que sua esposa te amarrasse, né?

— Virou crime ser apaixonado agora?

O mestre dos bardos atirou o paninho contra a cara do mais velho, que segurava o riso de forma bem incompetente. No instante seguinte, uma sugestão cruzou a mente de Fendrel como um raio, e ele apertou o passo na direção da fada jardineira.

— Hum… vai confessar?

— Não, ainda não — o rapaz olhou por cima do ombro com um sorriso de canto — se eu contei certo, foram mais de 30.

— Mais de 30? O que isso significa?

O bardo não respondeu, apenas se posicionou do lado da amiga e cochichou algo no ouvido dela, que, com um aceno afirmativo, se apoiou no ombro do marido. Pouco tempo depois de cruzarem os portões, as pernas de Verbena praticamente cederam, mas Fen estava lá para acudir no mesmo instante.

Em Alféria, toda grande magia tem suas intempéries.

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