A Servidão Voluntária: Bloco 27 Discurso da Servidão Voluntária: Tradução Literunico · Capítulo 27 de 28
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A Servidão Voluntária: Bloco 27

Esses miseráveis veem reluzir os tesouros do tirano e olham, todos pasmos, os raios de sua pompa[174], atraídos por essa claridade, aproximam-se e não percebem que se metem na chama que inevitavelmente os há de consumir. Assim o sátiro imprudente, como contam as antigas fábulas, vendo brilhar o fogo encontrado por Prometeu, achou-o tão belo que foi beijá-lo e se queimou[175]. Assim também a borboleta que, esperando gozar de algum prazer, lança-se ao fogo porque ele reluz, experimenta a outra virtude dele, aquela que queima, como diz o poeta toscano[176].

Admitamos ainda que esses favoritos escapem das mãos daquele a quem servem: jamais se salvam do rei que vem depois. Se ele é bom, é preciso prestar contas e reconhecer, ao menos nessa hora, a razão, se é mau e semelhante ao antigo senhor, também terá seus favoritos, os quais, de ordinário, não se contentam em ocupar por sua vez o lugar dos outros, e ainda querem, com frequência, os bens e as vidas dos que os precederam. Como se pode, então, achar alguém que, em perigo tão grande e com tão pouca segurança, queira tomar esse posto infeliz, servindo, em tão grande pena, a um senhor tão perigoso?

Que pena, que martírio é este, Deus verdadeiro: estar noite e dia empenhado em pensar como agradar a um só homem e, no entanto, temê-lo mais que a qualquer pessoa do mundo, ter sempre o olho em vigia e o ouvido à escuta, para espiar de onde virá o golpe, para descobrir emboscadas, para pressentir a mina armada pelos companheiros, para notar quem o trai, rir para cada um e temer a todos, não ter inimigo declarado nem amigo seguro, trazer sempre o rosto sorridente e o coração gelado, não poder estar alegre e não ousar estar triste!

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