Capítulo VII
CAPÍTULO VII
Havia uma roseira no pequeno gramado dos Stirling, crescendo ao lado do portão. Era chamada de "a roseira da Doss". Prima Georgiana a dera a Valancy cinco anos antes, e Valancy a plantara com alegria. Ela amava rosas. Mas — é claro — a roseira nunca florescia. Essa era a sua sorte. Valancy fizera tudo o que conseguira imaginar e seguira os conselhos de todos no clã, mas ainda assim a roseira não queria florescer. Prosperava e crescia luxuriante, com grandes ramos folhosos intocados por ferrugem ou ácaros; mas nem sequer um botão jamais aparecera nela. Valancy, olhando para ela dois dias depois de seu aniversário, foi tomada por um ódio súbito e esmagador. A coisa não queria florescer: muito bem, então ela a cortaria. Marchou até a sala de ferramentas no celeiro para buscar sua faca de jardim e atacou a roseira com ferocidade. Poucos minutos depois, a horrorizada senhora Frederick saiu para a varanda e viu a filha golpeando insensatamente os ramos da roseira. Metade deles já estava espalhada pelo caminho. O arbusto parecia tristemente desmantelado.
"Doss, o que diabos você está fazendo? Ficou louca?"
"Não", disse Valancy. Pretendia dizê-lo de modo desafiador, mas o hábito era forte demais. Disse-o em tom conciliador. "Eu... eu simplesmente resolvi cortar este arbusto. Ele não presta. Nunca floresce — nunca vai florescer."
"Isso não é motivo para destruí-lo", disse a senhora Frederick, severamente. "Era um arbusto bonito e bastante ornamental. Você o transformou numa coisa lamentável."
"Roseiras devem florescer", disse Valancy, um pouco obstinada.
"Não discuta comigo, Doss. Limpe essa sujeira e deixe o arbusto em paz. Não sei o que Georgiana dirá quando vir como você o retalhou. Realmente, estou surpresa com você. E fazer isso sem me consultar!"
"O arbusto é meu", murmurou Valancy.
"O quê? O que você disse, Doss?"
"Eu só disse que o arbusto era meu", repetiu Valancy, humilde.
A senhora Frederick virou-se sem uma palavra e marchou de volta para dentro de casa. O estrago estava feito. Valancy sabia que ofendera profundamente a mãe e que não falariam com ela nem a notariam de modo algum por dois ou três dias. Prima Stickles cuidaria da educação de Valancy, mas a senhora Frederick conservaria o silêncio pétreo da majestade ultrajada.
Valancy suspirou e guardou a faca de jardim, pendurando-a precisamente em seu prego preciso na oficina de ferramentas. Recolheu os galhos cortados e varreu as folhas. Seus lábios tremeram quando olhou para o arbusto desgrenhado. Ele tinha uma estranha semelhança com sua doadora abalada e mirrada, a pequena prima Georgiana.
"Certamente o deixei com uma aparência horrível", pensou Valancy.
Mas não se sentia arrependida — apenas sentia ter ofendido a mãe. As coisas ficariam tão desconfortáveis até que fosse perdoada. A senhora Frederick era uma daquelas mulheres capazes de fazer sua raiva ser sentida por toda uma casa. Paredes e portas não ofereciam proteção contra ela.
"É melhor você ir ao centro buscar a correspondência", disse prima Stickles, quando Valancy entrou. "Eu não posso ir — estou me sentindo toda abatida e definhada nesta primavera. Quero que você pare na farmácia e me compre um frasco de Amargo Sanguíneo Redfern. Não há nada como o Amargo Redfern para fortalecer o corpo. Primo James diz que as Pílulas Roxas são as melhores, mas eu sei mais. Meu pobre e querido marido tomou o Amargo Redfern até o dia em que morreu. Não deixe cobrarem mais de noventa centavos. Eu consigo por esse preço em Port. E o que foi que você andou dizendo à sua pobre mãe? Você alguma vez para para pensar, Doss, que só se pode ter uma mãe?"
"Uma já basta para mim", pensou Valancy, sem devoção filial, enquanto ia ao centro.
Comprou o frasco de amargo de prima Stickles e depois foi ao correio pedir sua correspondência na entrega geral. Sua mãe não tinha caixa postal. Recebiam correspondência demais pouco para se darem ao trabalho. Valancy não esperava nenhuma correspondência, exceto o Christian Times, que era o único jornal que assinavam. Quase nunca recebiam cartas. Mas Valancy gostava um pouco de ficar no correio observando o senhor Carewe, o velho funcionário de barba grisalha e ar de Papai Noel, entregar cartas às pessoas sortudas que as recebiam. Ele fazia isso com um ar tão distante, impessoal e jupiteriano, como se não lhe importasse nem um pouco que alegrias celestiais ou horrores devastadores pudessem estar naquelas cartas para as pessoas a quem eram endereçadas. Cartas exerciam fascínio sobre Valancy, talvez porque ela recebesse tão poucas. Em seu Castelo Azul, epístolas empolgantes, amarradas com seda e seladas em carmesim, eram sempre trazidas a ela por pajens de libré dourada e azul; mas, na vida real, suas únicas cartas eram bilhetes ocasionais e protocolares de parentes ou circulares de propaganda.
Por isso, ficou imensamente surpresa quando o senhor Carewe, parecendo ainda mais jupiteriano do que de costume, empurrou uma carta para ela. Sim, estava claramente endereçada a ela, numa caligrafia feroz e preta: "Miss Valancy Stirling, Elm Street, Deerwood" — e o carimbo postal era de Montreal. Valancy a pegou com a respiração um pouco acelerada. Montreal! Devia ser do doutor Trent. Ele se lembrara dela, afinal.
Valancy encontrou tio Benjamin entrando quando ela saía e ficou contente por a carta estar segura dentro de sua bolsa.
"Qual", disse tio Benjamin, "é a diferença entre um burro e um selo?"
"Não sei. Qual?", respondeu Valancy, obediente.
"Um você lambe com a vara e o outro você vara com a lambida. Ha, ha!"
Tio Benjamin entrou, tremendamente satisfeito consigo mesmo.
Prima Stickles se lançou sobre o Times quando Valancy chegou em casa, mas não lhe ocorreu perguntar se havia cartas. A senhora Frederick teria perguntado, mas os lábios da senhora Frederick estavam, no momento, selados. Valancy ficou grata por isso. Se a mãe tivesse perguntado se havia cartas, Valancy teria de admitir que havia. Então teria de deixar a mãe e prima Stickles lerem a carta, e tudo seria descoberto.
Seu coração se comportou de modo estranho no caminho para o andar de cima, e ela se sentou junto à janela por alguns minutos antes de abrir a carta. Sentia-se muito culpada e enganadora. Nunca antes escondera uma carta de sua mãe. Todas as cartas que escrevera ou recebera haviam sido lidas pela senhora Frederick. Isso nunca importara. Valancy nunca tivera nada a esconder. Mas aquilo importava. Não podia deixar ninguém ver aquela carta. Ainda assim, seus dedos tremiam com a consciência de maldade e conduta pouco filial enquanto a abria — tremiam um pouco também, talvez, de apreensão. Tinha bastante certeza de que não havia nada seriamente errado com seu coração, mas... nunca se sabia.
A carta do doutor Trent era como ele: franca, abrupta, concisa, sem desperdiçar palavras. O doutor Trent nunca rodeava o assunto. "Prezada Miss Sterling" — e então uma página de escrita preta e afirmativa. Valancy pareceu lê-la de um relance; deixou-a cair no colo, com o rosto branco como fantasma.
O doutor Trent lhe dizia que ela tinha uma forma muito perigosa e fatal de doença cardíaca — angina pectoris — evidentemente complicada por um aneurisma — fosse lá o que isso fosse — e em estágio final. Dizia, sem adoçar as palavras, que nada poderia ser feito por ela. Se tomasse muito cuidado consigo mesma, talvez vivesse um ano — mas também poderia morrer a qualquer momento. O doutor Trent jamais se preocupava com eufemismos. Ela deveria ter o cuidado de evitar toda excitação e todo esforço muscular severo. Deveria comer e beber moderadamente, jamais correr, subir escadas e ladeiras com muito cuidado. Qualquer solavanco ou choque súbito poderia ser fatal. Deveria mandar preparar a receita que ele anexava e carregá-la sempre consigo, tomando uma dose sempre que os ataques viessem. E ele era sinceramente seu, H. B. Trent.
Valancy ficou sentada por muito tempo junto à janela. Lá fora havia um mundo afogado na luz de uma tarde de primavera — céus encantadoramente azuis, ventos perfumados e livres, belas névoas suaves e azuladas ao fim de cada rua. Do outro lado, na estação ferroviária, um grupo de moças esperava um trem; ela ouviu suas risadas alegres enquanto conversavam e brincavam. O trem entrou rugindo e saiu rugindo de novo. Mas nenhuma dessas coisas tinha realidade. Nada tinha realidade exceto o fato de que ela tinha apenas mais um ano de vida.
Quando se cansou de ficar sentada à janela, foi até a cama e se deitou, fitando o teto rachado e descolorido. Possuía-a aquela estranha dormência que se segue a um golpe atordoante. Não sentia nada além de uma surpresa sem limites e de incredulidade — por trás das quais estava a convicção de que o doutor Trent sabia o que fazia e de que ela, Valancy Stirling, que nunca vivera, estava prestes a morrer.
Quando o gongo tocou para a ceia, Valancy se levantou e desceu mecanicamente, pela força do hábito. Perguntou-se por que a haviam deixado sozinha por tanto tempo. Mas, é claro, sua mãe não lhe daria atenção naquele momento. Valancy agradeceu por isso. Achou que a briga por causa da roseira fora realmente, como a própria senhora Frederick poderia ter dito, Providencial. Não conseguia comer nada, mas tanto a senhora Frederick quanto prima Stickles pensaram que isso se devia ao fato de ela estar merecidamente infeliz com a atitude da mãe, e sua falta de apetite não foi comentada. Valancy obrigou-se a engolir uma xícara de chá e então ficou sentada, observando as outras comerem, com a sensação estranha de que anos haviam se passado desde que se sentara com elas à mesa de jantar. Pegou-se sorrindo por dentro ao pensar na comoção que poderia causar se quisesse. Bastaria contar-lhes o que havia na carta do doutor Trent, e fariam tanto alvoroço como se — pensou Valancy, amarga — realmente se importassem dois tostões com ela.
"A governanta do doutor Trent recebeu notícias dele hoje", disse prima Stickles, tão de repente que Valancy sobressaltou-se com culpa. Havia algo em ondas de pensamento? "A senhora Judd conversou com ela no centro. Acham que o filho dele vai se recuperar, mas o doutor Trent escreveu que, se isso acontecer, vai levá-lo para o exterior assim que ele puder viajar e não voltará para cá por pelo menos um ano."
"Isso não fará muita diferença para nós", disse a senhora Frederick, majestosamente. "Ele não é nosso médico. Eu não o chamaria" — aqui ela olhou, ou pareceu olhar, acusadoramente através de Valancy — "para tratar de um gato doente."
"Posso subir e me deitar?", disse Valancy, fraca. "Eu... estou com dor de cabeça."
"O que lhe deu dor de cabeça?", perguntou prima Stickles, já que a senhora Frederick não perguntaria. A pergunta precisava ser feita. Não se podia permitir que Valancy tivesse dores de cabeça sem interferência.
"Você não tem o hábito de ter dor de cabeça. Espero que não esteja pegando caxumba. Aqui, experimente uma colher de vinagre."
"Bobagem!", disse Valancy, rude, levantando-se da mesa. Naquele momento, não se importava se estava sendo rude. Tivera de ser tão educada durante toda a vida.
Se fosse possível para prima Stickles empalidecer, ela teria empalidecido. Como não era, ficou mais amarela.
"Tem certeza de que não está febril, Doss? Parece que está. Vá direto para a cama", disse prima Stickles, completamente alarmada, "e eu subo para esfregar sua testa e a nuca com Linimento Redfern."
Valancy já chegara à porta, mas se virou.
"Não vou ser esfregada com Linimento Redfern!", disse.
Prima Stickles arregalou os olhos e engasgou.
"O que... o que você quer dizer?"
"Eu disse que não vou ser esfregada com Linimento Redfern", repetiu Valancy. "Coisa horrível e pegajosa! E tem o cheiro mais vil de qualquer linimento que já vi. Não presta. Quero ficar sozinha, só isso."
Valancy saiu, deixando prima Stickles horrorizada.
"Ela está febril — deve estar febril", exclamou prima Stickles.
A senhora Frederick continuou comendo sua ceia. Não importava se Valancy estava febril ou não. Valancy fora culpada de impertinência para com ela.