Capítulo XIII O Castelo Azul · Capítulo 13 de 45
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Capítulo XIII

CAPÍTULO XIII

Tio Benjamin descobriu que calculara sem seu anfitrião quando prometera com tanta leveza levar Valancy a um médico. Valancy não iria. Valancy riu na cara dele.

"Por que diabos eu iria ao doutor Marsh? Não há nada errado com minha mente. Embora todos vocês pensem que fiquei louca de repente. Bem, não fiquei. Simplesmente me cansei de viver para agradar outras pessoas e decidi agradar a mim mesma. Isso lhes dará algo de que falar além de eu ter roubado a geleia de framboesa. Então é isso."

"Doss", disse tio Benjamin, solene e impotente, "você não está... parecida consigo mesma."

"Com quem estou parecida, então?", perguntou Valancy.

Tio Benjamin ficou bastante embaraçado.

"Com seu avô Wansbarra", respondeu, desesperado.

"Obrigada." Valancy pareceu satisfeita. "É um verdadeiro elogio. Eu me lembro do avô Wansbarra. Ele foi um dos poucos seres humanos que conheci — quase o único. Agora, não adianta ralhar, suplicar ou mandar, tio Benjamin — nem trocar olhares angustiados com mamãe e prima Stickles. Não vou a médico algum. E, se o senhor trouxer algum médico aqui, não vou vê-lo. Então, o que o senhor vai fazer a respeito?"

O que, de fato! Não era conveniente — nem sequer possível — arrastar Valancy fisicamente até um médico. E, aparentemente, de nenhum outro modo isso poderia ser feito. As lágrimas e súplicas implorantes de sua mãe não adiantaram.

"Não se preocupe, mamãe", disse Valancy, leve, mas bastante respeitosa. "Não é provável que eu faça algo muito terrível. Mas pretendo me divertir um pouco."

"Diversão!" A senhora Frederick pronunciou a palavra como se Valancy tivesse dito que iria contrair um pouco de tuberculose.

Olive, enviada pela mãe para ver se tinha alguma influência sobre Valancy, saiu dali com as faces coradas e os olhos irritados. Disse à mãe que nada podia ser feito com Valancy. Depois que ela, Olive, falara com Valancy exatamente como uma irmã, com ternura e sabedoria, tudo o que Valancy dissera, estreitando seus olhos engraçados até virarem meras fendas, fora:

"Eu não mostro a gengiva quando rio."

"Mais como se estivesse falando consigo mesma do que comigo. De fato, mamãe, durante todo o tempo em que falei com ela, tive a impressão de que ela não estava realmente ouvindo. E não foi só isso. Quando finalmente decidi que o que eu dizia não exercia influência alguma sobre ela, implorei que, quando Cecil viesse na próxima semana, ao menos não dissesse nada esquisito diante dele. Mamãe, o que a senhora acha que ela disse?"

"Tenho certeza de que não consigo imaginar", gemeu tia Wellington, preparada para qualquer coisa.

"Ela disse: 'Eu até gostaria de chocar Cecil. A boca dele é vermelha demais para um homem.' Mamãe, nunca mais poderei sentir o mesmo por Valancy."

"A mente dela está afetada, Olive", disse tia Wellington, solenemente. "Você não deve responsabilizá-la pelo que diz."

Quando tia Wellington contou à senhora Frederick o que Valancy dissera a Olive, a senhora Frederick quis que Valancy pedisse desculpas.

"Vocês me fizeram pedir desculpas a Olive quinze anos atrás por algo que eu não fiz", disse Valancy. "Aquela velha desculpa serve por agora."

Outro solene conclave familiar foi realizado. Estavam todos lá, exceto prima Gladys, que vinha sofrendo tais torturas de neurite na cabeça "desde que a pobre Doss ficou esquisita" que não podia assumir responsabilidade alguma. Decidiram — isto é, aceitaram um fato que lhes foi enfiado diante do rosto — que o mais sensato era deixar Valancy em paz por algum tempo, "dar-lhe rédea", como expressou tio Benjamin, "ficar de olho nela com cuidado, mas deixá-la praticamente em paz". O termo "espera vigilante" ainda não fora inventado, mas essa foi praticamente a política que os parentes aflitos de Valancy decidiram seguir.

"Devemos nos guiar pelos acontecimentos", disse tio Benjamin. "É" — solenemente — "mais fácil mexer ovos do que desmexê-los. É claro... se ela ficar violenta..."

Tio James consultou o doutor Ambrose Marsh. O doutor Ambrose Marsh aprovou a decisão deles. Explicou ao irado tio James — que teria gostado de trancar Valancy em algum lugar, sem demora — que Valancy ainda não fizera nem dissera nada que pudesse ser interpretado como prova de loucura, e sem prova não se pode trancar pessoas nesta época degenerada. Nada do que tio James relatara parecia muito alarmante ao doutor Marsh, que ergueu a mão para esconder um sorriso várias vezes. Mas então ele próprio não era um Stirling. E sabia muito pouco sobre a antiga Valancy. Tio James saiu de lá em passos duros e voltou de carro para Deerwood, pensando que Ambrose Marsh não era grande médico, afinal, e que Adelaide Stirling poderia ter arranjado coisa melhor para si.

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