Capítulo XLIII
CAPÍTULO XLIII
- Mas, Barney - protestou Valancy depois de alguns minutos -, seu pai, de algum modo, me deu a entender que você ainda a amava.
- Ele faria isso. Papai detém o campeonato de cometer equívocos. Se há alguma coisa que é melhor deixar por dizer, pode confiar nele para dizê-la. Mas ele não é uma má alma velha, Valancy. Você vai gostar dele.
- Eu gosto, agora.
- E o dinheiro dele não é dinheiro manchado. Ele o ganhou honestamente. Seus remédios são bastante inofensivos. Até as Pílulas Roxas dele fazem um bocado de bem às pessoas quando elas acreditam nelas.
- Mas eu não sirvo para a sua vida - suspirou Valancy. - Não sou inteligente, nem bem-educada, nem...
- Minha vida é em Mistawis e em todos os lugares selvagens do mundo. Não vou pedir que você viva a vida de uma mulher da sociedade. É claro que precisaremos passar um pouco de tempo com papai; ele é solitário e velho...
- Mas não naquela casa grande dele - implorou Valancy. - Não consigo viver num palácio.
- Não dá para descer a isso depois do seu Castelo Azul - sorriu Barney. - Não se preocupe, querida. Eu mesmo não conseguiria viver naquela casa. Ela tem uma escadaria de mármore branco com corrimãos dourados e parece uma loja de móveis sem as etiquetas. Além disso, é o orgulho do coração de papai. Arranjaremos uma casinha em algum lugar fora de Montreal, no campo de verdade, perto o bastante para vermos papai com frequência. Acho que construiremos uma para nós. Uma casa que a gente constrói para si mesmo é muito melhor que uma de segunda mão. Mas passaremos os verões em Mistawis. E os outonos viajando. Quero que você veja a Alhambra; é a coisa mais próxima do Castelo Azul dos seus sonhos que consigo imaginar. E há um jardim antigo, na Itália, onde quero mostrar a você a lua nascendo sobre Roma através dos ciprestes escuros.
- Será mais belo do que a lua nascendo sobre Mistawis?
- Não mais belo. Mas outro tipo de beleza. Há tantos tipos de beleza. Valancy, antes deste ano você passou a vida inteira na feiura. Não sabe nada da beleza do mundo. Vamos escalar montanhas, caçar tesouros nos bazares de Samarcanda, procurar a magia do oriente e do ocidente, correr de mãos dadas até a beira do mundo. Quero mostrar tudo isso a você, vê-lo de novo através dos seus olhos. Menina, há um milhão de coisas que quero lhe mostrar, fazer com você, dizer a você. Isso levará uma vida inteira. E precisamos tratar daquele retrato de Tierney, afinal.
- Você me promete uma coisa? - perguntou Valancy, solenemente.
- Qualquer coisa - disse Barney, temerário.
- Só uma coisa. Você nunca, sob nenhuma circunstância ou provocação, poderá jogar na minha cara que fui eu que pedi que você se casasse comigo.