d) A consideração pela representabilidade A Interpretação dos Sonhos · Capítulo 25 de 44
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d) A consideração pela representabilidade

d) A consideração pela representabilidade.

Até aqui estivemos ocupados em investigar como o sonho representa as relações entre os pensamentos do sonho; com isso, porém, voltamos várias vezes ao tema mais amplo de saber que alteração o material do sonho sofre, de modo geral, para os fins da formação do sonho. Sabemos agora que o material do sonho, despojado em grande parte de suas relações, submete-se a uma compressão, enquanto, ao mesmo tempo, deslocamentos de intensidade entre seus elementos impõem uma revaloração psíquica desse material.

Os deslocamentos que consideramos revelaram-se substituições de uma representação determinada por outra que, de algum modo, lhe é próxima na associação, e foram postos a serviço da condensação, pois, desse modo, em vez de dois elementos, um termo médio, comum entre eles, chegou a ser admitido no sonho. Ainda não mencionamos outra espécie de deslocamento.

Pelas análises, porém, aprende-se que essa outra espécie existe e que ela se manifesta em uma troca da expressão linguística do pensamento em questão. Nos dois casos trata-se de deslocamento ao longo de uma cadeia associativa, mas o mesmo processo ocorre em diferentes esferas psíquicas, e o resultado desse deslocamento é, em um caso, que um elemento seja substituído por outro, enquanto, no outro, um elemento troca sua formulação verbal por outra.

Essa segunda espécie dos deslocamentos que ocorrem na formação do sonho não tem apenas grande interesse teórico; ela é também especialmente apta a esclarecer a aparência de absurdo fantástico com que o sonho se disfarça. O deslocamento ocorre, em geral, na direção de trocar uma expressão incolor e abstrata do pensamento do sonho por uma expressão figurada e concreta. A vantagem e, portanto, a intenção dessa substituição está à vista.

O figurado é representável para o sonho, deixa-se inserir em uma situação, ao passo que a expressão abstrata ofereceria à representação do sonho dificuldades semelhantes às que um artigo político de fundo, em um jornal, ofereceria à ilustração. Mas não é apenas a representabilidade que pode ganhar com essa troca; também podem ganhar os interesses da condensação e da censura.

Uma vez que o pensamento do sonho, abstratamente expresso e inutilizável, tenha sido remodelado em linguagem figurada, surgem entre essa nova expressão e o restante do material do sonho, com mais facilidade do que antes, os contatos e identidades de que o trabalho do sonho necessita, e que ele cria onde não existem, pois os termos concretos, em cada língua, por força de seu desenvolvimento, são mais ricos em pontos de ligação do que os conceituais.

Pode-se imaginar que uma boa parte do trabalho intermediário na formação do sonho, trabalho que procura reduzir os pensamentos do sonho separados a uma expressão tão concisa e unitária quanto possível no sonho, procede desse modo, por uma adequada remodelação linguística de pensamentos isolados.

Nisso, um pensamento cuja expressão talvez esteja fixada por outros motivos exercerá influência distributiva e seletiva sobre as possibilidades expressivas de outro pensamento, e talvez desde o início, de modo semelhante ao trabalho do poeta. Quando um poema deve surgir em rimas, o segundo verso rimado está submetido a duas condições: deve exprimir o sentido que lhe cabe e sua expressão deve encontrar a consonância com o primeiro verso rimado.

Os melhores poemas são, sem dúvida, aqueles em que não se percebe a intenção de encontrar a rima, mas nos quais os dois pensamentos, desde o início, escolheram por indução recíproca a expressão linguística que, com leve reelaboração posterior, faz surgir a consonância.

Em alguns casos, a troca de expressão serve à condensação do sonho por um caminho ainda mais curto, ao permitir encontrar uma combinação verbal que, por ser ambígua, faculta a expressão de mais de um dos pensamentos do sonho.

Todo o domínio do chiste verbal põe-se assim a serviço do trabalho do sonho. Não se deve admirar o papel que cabe à palavra na formação do sonho. A palavra, como ponto nodal de múltiplas representações, é, por assim dizer, uma multivocidade predestinada; e as neuroses, representações obsessivas e fobias, utilizam as vantagens que a palavra assim oferece para a condensação e o disfarce de maneira não menos despreocupada que o sonho.(117)

É fácil mostrar que a dissimulação do sonho também lucra com o deslocamento da expressão.

É enganador, afinal, quando uma palavra ambígua é posta no lugar de duas inequívocas; e a substituição do modo cotidiano e sóbrio de expressão por um modo figurado retarda nossa compreensão, sobretudo porque o sonho nunca declara se os elementos que traz devem ser interpretados em sentido literal ou figurado, se devem ser relacionados ao material do sonho diretamente ou pela mediação de locuções intercaladas.

Na interpretação de cada elemento do sonho, é, em geral, duvidoso se ele deve ser tomado: a) em sentido positivo ou negativo, relação de oposição; b) historicamente, como reminiscência; c) simbolicamente; ou d) se sua utilização deve partir do teor verbal.

(117) Cf. O chiste e sua relação com o inconsciente, 1905, 2ª ed., 1912, e as “pontes verbais” nas soluções dos sintomas neuróticos.

Apesar dessa multivocidade, pode-se dizer que a representação do trabalho do sonho, que afinal não tem a intenção de ser compreendida, não impõe ao tradutor dificuldades maiores do que os antigos escritores de hieróglifos impunham a seus leitores. Já mencionei vários exemplos de representações no sonho que só se mantêm coesas pela duplicidade da expressão: “A boca se abre bem”, no sonho da injeção; “Ainda não posso andar”, no último sonho, p. 250, etc.

Comunicarei agora um sonho em cuja análise a transformação do pensamento abstrato em imagem desempenha papel maior. A diferença entre tal interpretação do sonho e a interpretação por meio da simbólica, como na Antiguidade, ainda pode ser determinada nitidamente; na interpretação simbólica do sonho, a chave da simbolização é escolhida pelo intérprete; em nossos casos de disfarce linguístico, essas chaves são geralmente conhecidas e dadas por um uso linguístico fixo.

Se se dispõe da associação correta no momento certo, também se podem resolver sonhos desse tipo, inteira ou parcialmente, independentemente das informações do sonhador.

Uma senhora amiga minha sonha: Ela está na ópera. É uma apresentação de Wagner, que durou até as 7h45 da manhã. Na plateia e no parterre há mesas, nas quais se come e se bebe. Seu primo, que acabou de voltar da viagem de núpcias, está sentado a uma dessas mesas com sua jovem esposa; ao lado deles, um aristocrata. Diz-se deste que a jovem esposa o trouxe consigo da viagem de núpcias, muito abertamente, mais ou menos como se traz um chapéu de uma viagem de núpcias.

No meio da plateia há uma torre alta, que no alto traz uma plataforma cercada por uma grade de ferro. Lá em cima está o maestro, com os traços de Hans Richter; ele corre sem parar por trás de sua grade, transpira terrivelmente e dirige desse posto a orquestra disposta embaixo, ao redor da base da torre.

Ela própria está sentada com uma amiga, conhecida minha, em um camarote. Sua irmã mais nova quer alcançar-lhe, da plateia, um grande pedaço de carvão, com a justificativa de que ela não sabia que aquilo duraria tanto e que agora devia estar morrendo miseravelmente de frio. Como se os camarotes tivessem de ser aquecidos durante a longa apresentação.

O deslocamento da expressão linguística.

O sonho é de fato bastante absurdo, embora, em outros aspectos, esteja bem levado a uma situação. A torre no meio da plateia, de onde o maestro dirige a orquestra; sobretudo, porém, o carvão que a irmã lhe alcança. Não solicitei de propósito nenhuma análise desse sonho; com algum conhecimento das relações pessoais da sonhadora, consegui interpretar por mim mesmo partes dele.

Eu sabia que ela tivera grande simpatia por um músico cuja carreira fora interrompida cedo demais por doença mental. Decidi então tomar literalmente a torre na plateia. Resultou que o homem que ela desejaria ver no lugar de Hans Richter se elevava como uma torre acima dos demais membros da orquestra.

Essa torre deve ser designada como uma formação mista por aposição; com sua base, representa a grandeza do homem; com a grade no alto, atrás da qual ele corre como um prisioneiro ou como um animal em uma jaula, alusão ao nome do infeliz, representa seu destino posterior. “Torre dos loucos” talvez fosse a palavra em que os dois pensamentos poderiam ter-se encontrado.

Depois de revelado assim o modo de representação do sonho, pôde-se tentar resolver, com a mesma chave, o segundo absurdo aparente, o dos carvões que lhe são alcançados pela irmã. “Carvão” tinha de significar “amor secreto”.

“Nenhum fogo, nenhum carvão

pode arder tão quente

quanto o amor secreto,

do qual ninguém sabe.”

Ela própria e sua amiga tinham ficado sentadas, ficado para trás; a irmã mais nova, que ainda tem perspectiva de casar, alcança-lhe o carvão, “porque ela não sabia que aquilo duraria tanto”.

O que duraria tanto não é dito no sonho; em uma narrativa, completaríamos: a apresentação; no sonho, podemos tomar a frase por si mesma, declará-la ambígua e acrescentar: “até ela casar”. A interpretação “amor secreto” é então apoiada pela menção do primo, que está sentado com a esposa no parterre, e pelo caso amoroso aberto atribuído a esta última.

As oposições entre amor secreto e amor aberto, entre seu fogo e o frio da jovem esposa, dominam o sonho. Aqui como ali, aliás, há um “elevado” como termo intermediário entre o aristocrata e o músico que justificava grandes esperanças.

Com as considerações precedentes, finalmente descobrimos um terceiro fator cuja participação na transformação dos pensamentos do sonho em conteúdo do sonho não deve ser subestimada: a consideração pela representabilidade no material psíquico peculiar de que o sonho se serve, portanto, na maioria das vezes, em imagens visuais.

Entre as diversas ligações secundárias aos pensamentos essenciais do sonho, será preferida aquela que permitir uma representação visual, e o trabalho do sonho não evita o esforço de verter antes o pensamento refratário para outra forma linguística, ainda que esta seja a mais incomum, desde que possibilite a representação e, assim, ponha fim ao aperto psicológico do pensamento encurralado.

Esse esvaziamento do conteúdo de pensamento em outra forma pode, porém, colocar-se simultaneamente a serviço do trabalho de condensação e criar relações com outro pensamento que, de outro modo, não existiriam. Esse outro pensamento talvez também tenha antes modificado sua expressão original, justamente para vir ao encontro do primeiro.

A simbólica do sonho.

Herbert Silberer indicou um bom caminho para observar diretamente a transformação dos pensamentos em imagens que ocorre na formação do sonho e, assim, estudar isoladamente esse fator do trabalho do sonho. Quando, no estado de fadiga e sonolência, ele se impunha um esforço de pensamento, acontecia-lhe com frequência que o pensamento lhe escapasse e, em seu lugar, surgisse uma imagem, na qual ele então podia reconhecer o substituto do pensamento.

Silberer chama essa substituição, de modo não muito apropriado, “autossimbólica”. Reproduzo aqui alguns exemplos do trabalho de Silberer, aos quais voltarei em outro ponto, por causa de certas propriedades dos fenômenos observados.(118)

(118) Ver adiante, p. 361 ss.

“Exemplo nº 1. Penso que tenho a intenção de corrigir, em um artigo, uma passagem irregular. Símbolo: vejo-me aplainando um pedaço de madeira.

Exemplo nº 5. Procuro tornar presente para mim o propósito de certos estudos metafísicos que estou prestes a empreender. Esse propósito consiste, penso eu, em abrir caminho, na busca dos fundamentos da existência, para formas de consciência ou camadas de existência cada vez mais altas.

Símbolo: passo uma longa faca por baixo de uma torta, como se fosse retirar um pedaço dela. Interpretação: meu movimento com a faca significa o ‘abrir caminho’ de que se fala...

A explicação do fundamento simbólico é a seguinte: à mesa, de vez em quando, cabe-me cortar e servir uma torta, uma tarefa que realizo com uma longa faca flexível e que exige certo cuidado. Em especial, a retirada limpa dos pedaços cortados da torta envolve algumas dificuldades; a faca deve ser cuidadosamente empurrada por baixo dos pedaços em questão, o lento ‘abrir caminho’ para chegar aos fundamentos.

Mas há ainda mais simbólica na imagem. A torta do símbolo era uma torta Dobos, isto é, uma torta na qual a faca cortante tem de atravessar diversas camadas, as camadas da consciência e do pensamento.

Exemplo nº 9. Perco o fio em um curso de pensamento. Esforço-me para reencontrá-lo, mas preciso reconhecer que o ponto de ligação me escapou completamente. Símbolo: um trecho de composição tipográfica, cujas últimas linhas caíram.”

Considerado o papel que chistes, citações, canções e provérbios desempenham na vida de pensamento das pessoas cultas, seria inteiramente conforme à expectativa que disfarces desse tipo fossem usados com extrema frequência para a representação dos pensamentos do sonho. Que significam, por exemplo, no sonho, carroças, cada uma cheia de um legume diferente? É o oposto de desejo de “couve e nabos”, isto é, “mistura desordenada”, e significa, portanto, “desordem”. Admirei-me de que esse sonho só me tenha sido relatado uma única vez.

Somente para poucas matérias se formou uma simbólica do sonho universalmente válida, com base em alusões e substituições verbais geralmente conhecidas. A maior parte dessa simbólica, aliás, o sonho compartilha com as psiconeuroses, com as lendas e com os costumes populares. Sim, quando se olha mais de perto, é preciso reconhecer que o trabalho do sonho, com esse tipo de substituição, não realiza nada de original.

Para alcançar seus fins, neste caso a representabilidade livre de censura, ele percorre apenas os caminhos que já encontra abertos no pensamento inconsciente; prefere aquelas transformações do material recalcado que também podem tornar-se conscientes como chiste e alusão, e das quais todas as fantasias dos neuróticos estão repletas. Aqui se abre subitamente uma compreensão das interpretações de sonhos de Scherner, cujo núcleo correto defendi em outro lugar.

A ocupação fantasística com o próprio corpo não é, de modo algum, peculiar apenas ao sonho ou característica dele. Minhas análises mostraram-me que ela é uma ocorrência regular no pensamento inconsciente dos neuróticos e que remonta à curiosidade sexual, cujo objeto, para o adolescente ou para a moça, tornam-se os genitais do outro sexo, mas também os do próprio sexo.

Como Scherner e Volkelt ressaltam com inteiro acerto, porém, a casa não é o único círculo de representações usado para simbolizar a corporalidade, nem no sonho, nem no fantasiar inconsciente da neurose.

Conheço pacientes que conservaram, é verdade, a simbólica arquitetônica do corpo e dos genitais, pois o interesse sexual se estende muito além do campo dos genitais externos; para eles, pilares e colunas significam pernas, como no Cântico dos Cânticos; cada portão faz pensar em uma das aberturas do corpo, “buraco”; cada encanamento, no aparelho urinário, e assim por diante.

Mas, com igual frequência, o círculo de representações da vida vegetal ou da cozinha é escolhido como esconderijo de imagens sexuais;(119) no primeiro caso, o uso linguístico, precipitado de comparações fantasísticas de tempos remotíssimos, já trabalhou amplamente: a “vinha” do Senhor, a “semente”, o “jardim” da moça no Cântico dos Cânticos.

Nas alusões aparentemente inofensivas às atividades da cozinha, podem-se pensar e sonhar os detalhes mais feios e mais íntimos da vida sexual, e a sintomatologia da histeria torna-se simplesmente ininterpretável se se esquece que a simbólica sexual pode esconder-se atrás do cotidiano e do discreto como seu melhor disfarce.

Tem seu bom sentido sexual que crianças neuróticas não queiram ver sangue nem carne crua, vomitem diante de ovos e massas, que o medo da serpente, natural ao ser humano, receba no neurótico uma intensificação monstruosa; e, por toda parte em que a neurose se serve de tal encobrimento, ela percorre os caminhos que a humanidade inteira percorreu um dia em antigos períodos culturais, e de cuja existência, sob leve soterramento, ainda hoje dão testemunho o uso linguístico, a superstição e o costume.

(119) Rico material comprobatório a esse respeito nos três volumes suplementares de Ed. Fuchs, Illustr. Sittengeschichte, impressões privadas de A. Langen, Munique.

A simbólica sexual.

Insiro aqui o prometido sonho das flores de uma paciente, no qual assinalo com marcas tudo o que deve ser interpretado sexualmente. O belo sonho já não agradou em nada à sonhadora depois da interpretação.

a) Sonho preliminar: Ela vai à cozinha, até as duas criadas, e as censura por não acabarem “com esse tantinho de comida”, e vê ali tanta louça virada para escorrer, louça grosseira amontoada.

Acréscimo posterior: As duas criadas vão buscar água e, para isso, precisam entrar como que em um rio que chega até dentro da casa ou do pátio.(120)

(120) Sobre a interpretação desse sonho preliminar, a ser tomado como “causal”, ver p. 234.

b) Sonho principal:(121) Ela desce de uma altura(122), passando por grades ou cercas peculiares, reunidas em grandes quadriculados e feitas de um trançado de pequenos quadrados.(123) Na verdade, isso não foi feito para se descer; ela sempre se preocupa em encontrar lugar para o pé e se alegra porque seu vestido não fica preso em parte alguma, porque, enquanto caminha, permanece tão decente.(124)

Nesse momento, leva na mão um #grande ramo#,(125) na verdade como uma árvore, espesso de #flores vermelhas#, ramificado e espalhado.(126) Nesse momento há a ideia de #flores# de cerejeira, mas elas também se parecem com #camélias# cheias, que, de fato, não crescem em árvores. Enquanto desce, tem primeiro #um#, depois de repente #dois#, mais tarde de novo #um#.(127) Quando chega embaixo, as #flores# inferiores já estão bastante #caídas#.

Depois, chegando embaixo, vê um criado da casa que, ela gostaria de dizer, penteia uma árvore exatamente igual, isto é, com um pedaço de madeira arranca #grossos tufos de cabelos#, que pendem dela como musgo. Outros trabalhadores cortaram tais #ramos# de um #jardim# e os jogaram na #rua#, onde ficam #espalhados#, de modo que #muita gente se serve deles#. Ela pergunta, porém, se isso é correto, se também se pode #pegar um#.(128)

No jardim está um jovem #homem#, pessoa conhecida dela, um estrangeiro, até o qual ela se dirige para perguntar como se poderiam transplantar tais #ramos para seu próprio jardim#.(129) Ele a abraça, ao que ela se debate e pergunta o que lhe passa pela cabeça, se é permitido abraçá-la assim. Ele diz que isso não é injusto, que é permitido.(130)

Então ele se declara disposto a ir com ela ao #outro jardim#, para mostrar-lhe como se faz o plantio, e lhe diz algo que ela não compreende direito: Faltam-me, de todo modo, três #metros#, mais tarde ela diz: metros quadrados, ou três braças de terreno. É como se, por sua disposição em ajudar, ele exigisse algo dela, como se tivesse a intenção de compensar-se em #seu jardim#, ou como se quisesse #burlar# alguma lei, obter uma vantagem disso sem que ela sofra prejuízo. Se ele então lhe mostra realmente alguma coisa, ela não sabe.(131)

(121) Sua trajetória de vida.

(122) Origem elevada, oposto de desejo em relação ao sonho preliminar.

(123) Formação mista que une duas localidades: o chamado sótão da casa paterna, no qual ela brincava com o irmão, objeto de suas fantasias posteriores, e o pátio de um tio mau, que costumava importuná-la.

(124) Oposto de desejo em relação a uma lembrança real do pátio do tio, a de que costumava desnudar-se durante o sono.

(125) Como o anjo, na Anunciação de Maria, leva uma haste de lírio.

(126) Ver p. 237 para a explicação dessa formação mista: inocência, período, dama das camélias.

(127) Alusão à multiplicidade das pessoas que servem à sua fantasia.

(128) Se também se pode arrancar um para si, isto é, masturbar-se.

(129) O ramo já assumiu há muito a representação do genital masculino; além disso, contém uma alusão muito clara ao sobrenome da família.

(130) Refere-se, como o que vem imediatamente depois, a precauções conjugais.

(131) Um sonho “biográfico” análogo é o terceiro comunicado entre os exemplos da simbólica do sonho, p. 268; além disso, o “sonho que se interpreta a si mesmo”, comunicado detalhadamente por Rank; outro, que deve ser lido “ao contrário”, encontra-se em Stekel, p. 486. Naturalmente, tenho abundância justamente desse material, mas sua comunicação nos levaria fundo demais na discussão de relações neuróticas.

Tudo conduziu à mesma conclusão: não é preciso admitir nenhuma atividade simbolizante especial da alma no trabalho do sonho; antes, o sonho serve-se daquelas simbolizações que já se encontram prontas no pensamento inconsciente, porque elas satisfazem melhor às exigências da formação do sonho, em razão de sua representabilidade e, na maioria das vezes, também por estarem livres de censura.

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