c) Sobre a realização de desejo
c) Sobre a realização de desejo.
O sonho anteriormente apresentado, o da criança que queima, dá-nos uma ocasião bem-vinda para apreciar as dificuldades com que se defronta a doutrina da realização de desejo. Certamente todos nós recebemos com estranheza a afirmação de que o sonho não seria outra coisa senão uma realização de desejo, e não apenas em razão da contradição oferecida pelo sonho de angústia. Depois que os primeiros esclarecimentos obtidos pela análise nos ensinaram que por trás do sonho se escondem sentido e valor psíquico, de modo algum nossa expectativa estaria preparada para uma determinação tão unívoca desse sentido. Segundo a definição correta, mas escassa, de Aristóteles, o sonho é o pensamento que prossegue no estado de sono, na medida em que se dorme. Ora, se durante o dia nosso pensamento cria atos psíquicos tão diversos, juízos, conclusões, refutações, expectativas, propósitos e coisas semelhantes, por que à noite ele haveria de ser obrigado a restringir-se exclusivamente à produção de desejos? Não há, ao contrário, numerosos sonhos que apresentam em forma de sonho um ato psíquico de outra espécie, por exemplo uma preocupação? E justamente o sonho do pai colocado no início, tão particularmente transparente, não seria um desses? A partir da claridade que, mesmo durante o sono, lhe incide nos olhos, ele tira a conclusão preocupada de que uma vela caiu e talvez tenha incendiado o cadáver; transforma essa conclusão em sonho ao revesti-la de uma situação sensivelmente apreensível e ao colocá-la no presente. Que papel desempenha aí a realização de desejo? E será possível não reconhecer aí o predomínio do pensamento que prossegue desde a vigília ou que é estimulado pela nova impressão sensorial?
Tudo isso é correto e nos obriga a examinar mais de perto o papel da realização de desejo no sonho e a importância dos pensamentos de vigília que prosseguem no sono. Foi precisamente a realização de desejo que já nos levou a dividir os sonhos em dois grupos. Encontramos sonhos que se apresentavam abertamente como realizações de desejo; outros, cuja realização de desejo era irreconhecível, muitas vezes ocultada por todos os meios. Nestes últimos reconhecemos as operações da censura do sonho. Encontramos os sonhos de desejo não deformados principalmente nas crianças; sonhos breves e francos de desejo pareciam, ponho ênfase nessa ressalva, ocorrer também em adultos.
A origem do desejo do sonho.
Podemos agora perguntar de onde provém, a cada vez, o desejo que se realiza no sonho. Mas a que oposição ou a que variedade se refere esse «de onde»? Penso que se refere à oposição entre a vida diurna que se tornou consciente e uma atividade psíquica que permaneceu inconsciente e só consegue fazer-se notar durante a noite. Encontro então uma tríplice possibilidade para a origem de um desejo. Ele pode: 1. ter sido despertado durante o dia e, em consequência de circunstâncias externas, não ter encontrado satisfação; nesse caso, resta para a noite um desejo reconhecido e não liquidado; 2. pode ter emergido durante o dia, mas encontrado rejeição; nesse caso, resta-nos um desejo não liquidado, mas suprimido; ou 3. pode não ter relação com a vida diurna e pertencer àqueles desejos que só à noite se tornam ativos em nós a partir do suprimido. Se retomarmos nosso esquema do aparelho psíquico, localizaremos um desejo do primeiro tipo no sistema Vbw; quanto ao desejo do segundo tipo, supomos que foi empurrado de volta do sistema Vbw para o Ubw e que ali se conservou, se é que se conservou; e, quanto à moção de desejo do terceiro tipo, acreditamos que ela é totalmente incapaz de transpor o sistema do Ubw.
Terão os desejos provenientes dessas diferentes fontes o mesmo valor para o sonho, a mesma força para suscitar um sonho? Um exame dos sonhos de que dispomos para responder a essa pergunta nos aconselha, de início, a acrescentar uma quarta fonte do desejo do sonho: as moções de desejo atuais que surgem durante a noite, por exemplo em razão do estímulo da sede ou da necessidade sexual. Em seguida, parece-nos provável que a origem do desejo do sonho nada altera quanto à sua capacidade de suscitar um sonho. Recordo o sonho da pequena menina que prossegue a viagem marítima interrompida durante o dia, bem como os sonhos infantis mencionados ao lado; eles são explicados por um desejo diurno não realizado, mas não suprimido.
Exemplos de que um desejo suprimido durante o dia abre caminho no sonho podem ser comprovados em enorme abundância; eu poderia acrescentar aqui um dos mais simples desse tipo. Uma senhora de espírito algo zombeteiro, cuja amiga mais jovem acaba de ficar noiva, responde durante o dia às perguntas dos conhecidos, se conhece o noivo e o que pensa dele, com elogios irrestritos, impondo silêncio a seu juízo, pois gostaria de ter dito a verdade: ele é um homem de dúzia. À noite, sonha que lhe fazem a mesma pergunta e responde com a fórmula: para novos pedidos, basta indicar o número.
Por fim, que em todos os sonhos submetidos à deformação o desejo deriva do inconsciente e não pôde ser percebido durante o dia, foi o que aprendemos como resultado de numerosas análises. Assim, à primeira vista, todos os desejos parecem ter igual valor e igual força para a formação do sonho. Não posso provar aqui que, na verdade, as coisas se passam de outro modo, mas inclino-me fortemente à suposição de uma condicionalidade mais rigorosa do desejo do sonho. Os sonhos infantis não deixam nenhuma dúvida de que um desejo não liquidado durante o dia pode ser o suscitador do sonho. Mas não se deve esquecer que se trata então do desejo de uma criança, de uma moção de desejo com a força própria do infantil. Tenho sérias dúvidas de que, no adulto, um desejo não realizado durante o dia baste para criar um sonho. Parece-me, antes, que com o domínio progressivo de nossa vida pulsional pela atividade pensante, renunciamos cada vez mais, como algo inútil, à formação ou à conservação de desejos tão intensos como aqueles que a criança conhece. Podem aí manifestar-se diferenças individuais; um indivíduo pode conservar por mais tempo que outro o tipo infantil dos processos psíquicos, assim como também se dão diferenças no enfraquecimento do representar originalmente nítido em termos visuais. Mas, de modo geral, creio que no adulto o desejo que ficou não realizado durante o dia não bastará para criar um sonho. Admito de bom grado que a moção de desejo proveniente do consciente fornecerá uma contribuição para a excitação do sonho, mas provavelmente não mais do que isso. O sonho não se formaria se o desejo pré-consciente não soubesse buscar um reforço em outro lugar. No inconsciente, precisamente.
Imagino que o desejo consciente só se torne suscitador do sonho quando consegue despertar um desejo inconsciente de mesmo efeito, pelo qual se reforça. Segundo as indicações da psicanálise das neuroses, considero esses desejos inconscientes sempre ativos, sempre prontos a alcançar expressão quando se lhes oferece a oportunidade de aliar-se a uma moção do consciente e de transferir sua grande intensidade para a intensidade menor desta(234). Então deverá surgir a aparência de que apenas o desejo consciente se realizou no sonho; somente uma pequena peculiaridade na configuração desse sonho nos dará uma pista para seguir o poderoso auxiliar vindo do inconsciente. Esses desejos sempre ativos, por assim dizer imortais, de nosso inconsciente, que lembram os Titãs da lenda, sobre os quais, desde tempos primordiais, pesam as enormes massas montanhosas que os deuses vencedores um dia rolaram contra eles, e que ainda agora, de quando em quando, tremem sob os espasmos de seus membros, esses desejos que se encontram no recalque, digo eu, são eles próprios de origem infantil, como aprendemos pela investigação psicológica das neuroses. Gostaria, portanto, de eliminar a frase anteriormente enunciada, segundo a qual a origem do desejo do sonho seria indiferente, e substituí-la por outra, que diz: o desejo que se representa no sonho deve ser infantil. No adulto, ele provém então do Ubw; na criança, em quem ainda não há separação nem censura entre Vbw e Ubw, ou em quem essa separação só se estabelece gradualmente, trata-se de um desejo não realizado e não recalcado da vida de vigília. Sei que essa concepção não pode ser demonstrada de modo universal; mas afirmo que ela pode ser demonstrada com frequência, mesmo onde não se teria suspeitado, e que não pode ser refutada universalmente.
(234) Eles compartilham esse caráter de indestrutibilidade com todos os outros atos psíquicos verdadeiramente inconscientes, isto é, pertencentes apenas ao sistema Ubw. São caminhos abertos de uma vez por todas, que jamais se desertificam e que conduzem repetidamente o processo de excitação à descarga, sempre que a excitação inconsciente volta a investi-los. Para me servir de uma comparação: não há para eles outra espécie de destruição senão a das sombras do mundo subterrâneo homérico, que despertam para nova vida assim que bebem sangue. Os processos dependentes do sistema pré-consciente são destrutíveis em sentido inteiramente diverso. Sobre essa diferença repousa a psicoterapia das neuroses.
Os restos diurnos.
Faço recuar, portanto, para o segundo plano, na formação do sonho, as moções de desejo que restaram da vida consciente de vigília. Não quero conceder-lhes outro papel senão, por exemplo, o do material de sensações atuais durante o sono para o conteúdo do sonho, cf. p. 171 e seguintes. Permaneço na linha que este encadeamento de pensamento me prescreve quando considero agora as outras excitações psíquicas que restam da vida diurna e que não são desejos. Podemos conseguir dar um fim provisório aos investimentos de energia de nosso pensamento de vigília quando decidimos buscar o sono. Quem consegue fazer isso bem é um bom dormidor; o primeiro Napoleão teria sido um modelo desse gênero. Mas nem sempre o conseguimos, e nem sempre de modo completo. Problemas não resolvidos, preocupações penosas, um excesso de impressões continuam a atividade pensante também durante o sono e mantêm processos psíquicos no sistema que designamos como pré-consciente.
Se quisermos classificar essas moções de pensamento que se prolongam no sono, poderemos estabelecer os seguintes grupos: 1. aquilo que durante o dia não foi levado a termo por impedimento casual; 2. aquilo que ficou não liquidado por enfraquecimento de nossa força de pensar, isto é, o não resolvido; 3. aquilo que durante o dia foi rejeitado e suprimido. A isso se associa, como poderoso quarto grupo, aquilo que, pelo trabalho do pré-consciente durante o dia, foi tornado ativo em nosso Ubw; e, por fim, podemos acrescentar como quinto grupo as impressões diurnas indiferentes que, justamente por isso, permaneceram não liquidadas. Não se devem subestimar as intensidades psíquicas que esses restos da vida diurna introduzem no estado de sono, sobretudo as do grupo do não resolvido. Certamente essas excitações também lutam por expressão durante a noite, e com igual certeza podemos admitir que o estado de sono torna impossível a continuação habitual do processo de excitação no pré-consciente e seu encerramento pelo tornar-se consciente. Na medida em que podemos tornar-nos conscientes de nossos processos de pensamento pela via normal, também durante a noite, nessa mesma medida não dormimos. Não sei indicar que alteração o estado de sono produz no sistema Vbw; mas não há dúvida de que a caracterização psicológica do sono deve ser buscada essencialmente nas alterações de investimento precisamente desse sistema, que também domina o acesso à motilidade, paralisada no sono. Em contraste com isso, eu não conheceria nenhum motivo derivado da psicologia do sonho que nos levasse a admitir que o sono altere algo no sistema Ubw, salvo secundariamente. Portanto, à excitação noturna no Vbw não resta outro caminho senão aquele tomado pelas excitações de desejo provenientes do Ubw; ela precisa buscar o reforço no Ubw e fazer os desvios das excitações inconscientes.
Mas como se comportam os restos diurnos pré-conscientes em relação ao sonho? Não há dúvida de que eles penetram fartamente no sonho, de que usam o conteúdo do sonho para se impor à consciência também durante a noite; sim, ocasionalmente eles dominam o conteúdo do sonho e o obrigam a continuar o trabalho do dia. Também é certo que os restos diurnos podem ter qualquer outro caráter tanto quanto o de desejos; mas é altamente instrutivo e decisivo para a doutrina da realização de desejo observar a condição a que eles precisam submeter-se para serem acolhidos no sonho. Tomemos um dos exemplos de sonhos anteriores, por exemplo o sonho que faz meu amigo Otto aparecer com sinais da doença de Basedow, p. 203. Durante o dia, eu havia formado uma preocupação motivada pela aparência de Otto, e essa preocupação me tocava de perto, como tudo o que diz respeito a essa pessoa. Ela também me acompanhou, posso supor, durante o sono. Provavelmente eu queria descobrir o que poderia haver com ele. À noite, essa preocupação encontrou expressão no sonho que comuniquei, cujo conteúdo era, em primeiro lugar, absurdo e, em segundo, não correspondia a nenhuma realização de desejo. Comecei então a investigar de onde vinha a expressão inadequada da preocupação sentida durante o dia, e pela análise encontrei uma conexão, ao identificar meu amigo com um barão L., e a mim mesmo com o professor R. Para eu ter escolhido justamente esse substituto do pensamento diurno havia apenas uma explicação. No Ubw, eu devia estar sempre pronto para a identificação com o professor R., pois por meio dela se realizava um dos desejos infantis imortais, o desejo de grandeza. Pensamentos feios contra meu amigo, que durante o dia seguramente teriam sido rejeitados, aproveitaram a oportunidade para participar da representação, mas também a preocupação do dia chegara a uma espécie de expressão por meio de um substituto no conteúdo do sonho. O pensamento diurno, que em si não era um desejo, mas, ao contrário, uma preocupação, teve de conseguir, por alguma via, a ligação com um desejo infantil, agora inconsciente e suprimido, que então o fez «surgir» para a consciência, ainda que devidamente preparado. Quanto mais dominante era essa preocupação, tanto mais violenta podia ser a ligação a ser estabelecida; entre o conteúdo do desejo e o da preocupação não precisava haver relação alguma, e de fato não havia nenhuma em nosso exemplo.
O desejo inconsciente como força impulsora do sonho.
Posso agora designar com nitidez o que o desejo inconsciente significa para o sonho. Admito que há toda uma classe de sonhos nos quais a excitação provém predominantemente, ou mesmo exclusivamente, dos restos da vida diurna; e penso que até mesmo meu desejo de finalmente tornar-me professor extraordinário teria me deixado dormir tranquilamente naquela noite, se a preocupação do dia com a saúde de meu amigo não tivesse continuado ativa. Mas essa preocupação ainda não teria produzido um sonho; a força impulsora de que o sonho precisava tinha de ser fornecida por um desejo; cabia à preocupação obter para si tal desejo como força impulsora do sonho. Para dizê-lo por meio de uma comparação: é perfeitamente possível que um pensamento diurno desempenhe o papel de empresário do sonho; mas o empresário, que, como se diz, tem a ideia e o impulso de colocá-la em prática, nada pode fazer sem capital; ele precisa de um capitalista que arque com os gastos, e esse capitalista, que fornece o dispêndio psíquico para o sonho, é sempre e invariavelmente, qualquer que seja o pensamento diurno, um desejo do inconsciente.
Em outros casos, o capitalista é ele próprio o empresário; para o sonho, esse é até o caso mais comum. Pelo trabalho diurno, um desejo inconsciente foi estimulado, e este cria agora o sonho. Também para todas as outras possibilidades da relação econômica aqui usada como exemplo, os processos oníricos permanecem paralelos: o empresário pode ele mesmo trazer uma pequena parte do capital; vários empresários podem dirigir-se ao mesmo capitalista; vários capitalistas podem reunir conjuntamente aquilo de que os empresários necessitam. Assim também há sonhos sustentados por mais de um desejo do sonho, e outras variações semelhantes, fáceis de abranger e que já não oferecem interesse para nós. O que resta incompleto nessa discussão sobre o desejo do sonho só poderemos complementar mais tarde. O tertium comparationis das comparações aqui usadas, a quantidade posta à livre disposição em determinada medida, permite ainda um uso mais fino para esclarecer a estrutura do sonho.
Na maioria dos sonhos pode-se reconhecer um centro dotado de particular intensidade sensorial, como foi exposto na p. 227 e seguinte. Em geral, esse centro é a representação direta da realização de desejo, pois, se desfizermos os deslocamentos do trabalho do sonho, descobriremos que a intensidade psíquica dos elementos nos pensamentos do sonho foi substituída pela intensidade sensorial dos elementos no conteúdo do sonho. Os elementos próximos à realização de desejo muitas vezes nada têm a ver com seu sentido; mostram-se, antes, como derivados de pensamentos penosos, opostos ao desejo. Mas, pela conexão frequentemente estabelecida de modo artificial com o elemento central, receberam intensidade suficiente para se tornarem capazes de representação. Assim, a força representadora da realização de desejo difunde-se por certa esfera de conexão, dentro da qual todos os elementos, mesmo os em si desprovidos de recursos, são elevados à representação. Nos sonhos com vários desejos impulsionadores, é fácil delimitar umas das outras as esferas das realizações de desejo isoladas; muitas vezes também se podem compreender as lacunas do sonho como zonas limítrofes.
A transferência para os restos diurnos.
Embora pelas observações precedentes tenhamos restringido a importância dos restos diurnos para o sonho, ainda assim vale a pena dedicar-lhes alguma atenção. Eles devem ser um ingrediente necessário da formação do sonho, se a experiência pode nos surpreender com o fato de que todo sonho deixa reconhecer em seu conteúdo uma ligação com uma impressão diurna recente, muitas vezes da espécie mais indiferente. Ainda não havíamos conseguido perceber a necessidade desse acréscimo à mistura onírica, p. 138. Ela só se torna visível quando nos atemos ao papel do desejo inconsciente e depois interrogamos a psicologia das neuroses. A partir dela ficamos sabendo que a representação inconsciente, como tal, é inteiramente incapaz de entrar no pré-consciente, e que ali só pode produzir um efeito ao ligar-se a uma representação inofensiva que já pertença ao pré-consciente, transferindo para ela sua intensidade e deixando-se cobrir por ela. Trata-se do fato da transferência, que contém o esclarecimento para tantos acontecimentos notáveis na vida psíquica dos neuróticos. A transferência pode deixar inalterada a representação do pré-consciente, que assim alcança uma intensidade imerecidamente grande, ou pode impor-lhe uma modificação pelo conteúdo da representação que transfere. Que me perdoem a inclinação por comparações extraídas da vida cotidiana, mas sou tentado a dizer que as relações se dão, para a representação recalcada, de modo semelhante ao que ocorre em nossa pátria com o dentista americano, que não pode exercer sua prática se não se servir de um médico doutorado de modo regular como placa de apresentação e cobertura perante a lei. E assim como não são justamente os médicos mais ocupados que entram em tais alianças com o técnico dentário, tampouco no psíquico são escolhidas, para cobertura de uma representação recalcada, aquelas representações pré-conscientes ou conscientes que já atraíram suficientemente sobre si a atenção atuante no pré-consciente. O inconsciente envolve com suas ligações preferencialmente aquelas impressões e representações do pré-consciente que ou permaneceram sem atenção por serem indiferentes, ou das quais essa atenção logo foi retirada por rejeição.
É uma proposição conhecida da doutrina da associação, confirmada por toda experiência, que representações que estabeleceram uma ligação muito íntima por um lado comportam-se como que de modo repelente contra grupos inteiros de novas ligações; uma vez tentei fundamentar, sobre essa proposição, uma teoria das paralisias histéricas. Se admitirmos que a mesma necessidade de transferência a partir das representações recalcadas, tal como a análise das neuroses nos ensinou a conhecê-la, também se faz valer no sonho, então se esclarecem de uma só vez dois enigmas do sonho: que toda análise de sonho demonstre uma trama com uma impressão recente, e que esse elemento recente seja muitas vezes da espécie mais indiferente. Acrescentamos aquilo que já aprendemos em outro ponto: esses elementos recentes e indiferentes chegam com tanta frequência ao conteúdo do sonho como substitutos dos elementos mais antigos dos pensamentos do sonho porque, ao mesmo tempo, têm menos a temer da censura da resistência. Mas, enquanto a liberdade diante da censura nos esclarece apenas a preferência pelos elementos triviais, a constância dos elementos recentes deixa entrever a coerção à transferência. Ambos os grupos de impressões satisfazem a exigência do recalcado por material ainda livre de associações: as indiferentes porque não ofereceram motivo para ligações abundantes; as recentes porque ainda lhes faltou tempo para isso.
Vemos, assim, que os restos diurnos, entre os quais agora podemos contar as impressões indiferentes, não apenas tomam algo emprestado do Ubw quando passam a participar da formação do sonho, isto é, a força impulsora de que dispõe o desejo recalcado, mas também oferecem ao inconsciente algo indispensável: a fixação necessária para a transferência. Se quiséssemos penetrar mais profundamente nos processos psíquicos, teríamos de iluminar com mais nitidez o jogo das excitações entre pré-consciente e inconsciente, ao que nos impele, sem dúvida, o estudo das psiconeuroses, mas justamente o sonho não oferece aqui apoio. Apenas mais uma observação sobre os restos diurnos. Não há dúvida de que eles são os verdadeiros perturbadores do sono, e não o sonho, que, antes, se esforça por guardar o sono. Voltaremos a isso mais tarde.
Até aqui acompanhamos o desejo do sonho, derivamo-lo do domínio do Ubw e analisamos sua relação com os restos diurnos, que, por sua vez, podem ser desejos, moções psíquicas de alguma outra espécie ou simplesmente impressões recentes. Desse modo, abrimos espaço para as reivindicações que se podem fazer em favor da importância, para a formação do sonho, do trabalho de pensamento desperto em toda a sua variedade. Não seria sequer impossível que, com base em nossa sequência de ideias, pudéssemos explicar até aqueles casos extremos em que o sonho, como continuador do trabalho diurno, conduz a um final feliz uma tarefa não resolvida da vigília. Falta-nos apenas um exemplo desse tipo, para cuja análise pudéssemos desvelar a fonte de desejo infantil ou recalcada, cuja convocação reforçou com tanto sucesso o esforço da atividade pré-consciente.
Mas não avançamos um passo sequer na solução do enigma: por que o inconsciente, no sono, não pode oferecer outra coisa senão a força impulsora para uma realização de desejo? A resposta a essa pergunta deve lançar luz sobre a natureza psíquica do desejar; ela será dada com base no esquema do aparelho psíquico.
O desejar como atividade primária do inconsciente.
Não duvidamos de que também esse aparelho só alcançou sua perfeição atual pelo caminho de um longo desenvolvimento. Tentemos transpor esse aparelho de volta para uma etapa anterior de sua capacidade de desempenho. Suposições fundamentáveis por outras vias nos dizem que o aparelho seguiu inicialmente o esforço de manter-se, tanto quanto possível, livre de estímulos, e por isso assumiu, em sua primeira construção, o esquema do aparelho reflexo, que lhe permitia descarregar imediatamente, pela via motora, uma excitação sensível que lhe chegasse de fora. Mas a necessidade da vida perturba essa função simples; a ela o aparelho deve também o impulso para seu desenvolvimento ulterior.
Na forma das grandes necessidades corporais, a necessidade da vida o interpela pela primeira vez. A excitação instaurada pela necessidade interna buscará uma descarga na motilidade, que se pode designar como «alteração interna» ou como «expressão do movimento afetivo». A criança faminta gritará desamparadamente ou se debaterá. A situação, contudo, permanece inalterada, pois a excitação proveniente da necessidade interna não corresponde a uma força que empurra momentaneamente, mas a uma força que atua de modo contínuo. Uma virada só pode ocorrer quando, por alguma via, no caso da criança por auxílio externo, faz-se a experiência da satisfação, que suprime o estímulo interno. Um componente essencial dessa experiência é o aparecimento de certa percepção, no exemplo, a do alimento, cuja imagem mnêmica permanece desde então associada ao traço mnêmico da excitação de necessidade. Tão logo essa necessidade surja uma próxima vez, graças à ligação estabelecida, resultará uma moção psíquica que voltará a investir a imagem mnêmica daquela percepção e a evocar novamente a própria percepção, portanto, no fundo, quererá restabelecer a situação da primeira satisfação. Tal moção é aquilo que chamamos de desejo; o reaparecimento da percepção é a realização de desejo, e o investimento pleno da percepção a partir da excitação de necessidade é o caminho mais curto para a realização de desejo. Nada nos impede de admitir um estado primitivo do aparelho psíquico no qual esse caminho é de fato percorrido, em que, portanto, o desejar desemboca em alucinar.
Essa primeira atividade psíquica visa, portanto, a uma identidade perceptiva, isto é, à repetição daquela percepção que está ligada à satisfação da necessidade. Uma amarga experiência de vida deve ter modificado essa atividade primitiva do pensamento em uma atividade mais adequada, secundária. O estabelecimento da identidade perceptiva pelo curto caminho regrediente no interior do aparelho não tem, em outro ponto, a consequência que está ligada ao investimento dessa mesma percepção a partir de fora. A satisfação não ocorre; a necessidade persiste. Para tornar o investimento interno equivalente ao externo, seria preciso mantê-lo continuamente, como de fato acontece nas psicoses alucinatórias e nas fantasias de fome, que esgotam sua operação psíquica na retenção do objeto desejado. Para alcançar um uso mais adequado da força psíquica, torna-se necessário deter a regressão plena, de modo que ela não vá além da imagem mnêmica e, a partir desta, possa buscar outros caminhos que afinal levem ao estabelecimento da identidade desejada a partir do mundo exterior. Essa inibição, bem como o subsequente desvio da excitação, torna-se tarefa de um segundo sistema, que domina a motilidade voluntária, isto é, ao desempenho do qual se vincula pela primeira vez o uso da motilidade para fins previamente lembrados. Mas toda a complicada atividade de pensamento que se desenrola da imagem mnêmica até o estabelecimento da identidade perceptiva pelo mundo exterior representa apenas um desvio para a realização de desejo, tornado necessário pela experiência(235).
O pensar nada mais é que o substituto do desejo alucinatório; e, se o sonho é uma realização de desejo, isso se torna evidente, pois nada senão um desejo é capaz de pôr nosso aparelho psíquico em trabalho. O sonho, que realiza seus desejos pelo curto caminho regrediente, preservou-nos com isso apenas uma amostra do modo de trabalho primário do aparelho psíquico, abandonado por ser inadequado. Parece banido para a vida noturna aquilo que um dia dominou na vigília, quando a vida psíquica ainda era jovem e inepta, mais ou menos como encontramos no quarto das crianças as armas primitivas abandonadas da humanidade adulta, arco e flecha. O sonhar é uma parte da vida psíquica infantil superada. Nas psicoses, esses modos de trabalho do aparelho psíquico, de ordinário suprimidos na vigília, voltarão a impor-se e então revelarão sua incapacidade de satisfazer nossas necessidades diante do mundo exterior(236).
(235) Le Lorrain louva com razão a realização de desejo do sonho: «Sans fatigue sérieuse, sans être obligé de recourir à cette lutte opiniâtre et longue qui use et corrode les jouissances poursuivies.»
(236) Desenvolvi mais amplamente essa linha de pensamento em outro lugar, em Formulações sobre os dois princípios do acontecer psíquico, Sammlung kl. Schriften z. Neurosenlehre, terceira série, 1913, e estabeleci como esses dois princípios o princípio de prazer e o princípio de realidade.
As moções inconscientes de desejo evidentemente também se esforçam, durante o dia, por se fazer valer, e o fato da transferência, assim como as psicoses, ensina-nos que elas gostariam de penetrar, pelo caminho através do sistema do pré-consciente, até a consciência e o domínio da motilidade. Na censura entre Ubw e Vbw, cuja suposição o sonho praticamente nos impõe, temos, portanto, de reconhecer e honrar o guardião de nossa saúde mental. Mas não seria uma imprudência desse guardião diminuir sua atividade durante a noite, permitir que as moções suprimidas do Ubw cheguem à expressão e tornar novamente possível a regressão alucinatória? Creio que não, pois quando o guardião crítico se recolhe ao repouso, e temos provas de que ele não dorme profundamente, ele também fecha a porta da motilidade. Quaisquer que sejam as moções do Ubw normalmente inibido que se agitem no palco, podemos deixá-las prosseguir; permanecem inofensivas, porque não são capazes de pôr em movimento o aparelho motor, o único que pode modificar o mundo exterior. O estado de sono garante a segurança da fortaleza que deve ser vigiada.
Menos inofensiva é a situação quando o deslocamento das forças não é produzido pelo relaxamento noturno no dispêndio de força da censura crítica, mas por seu enfraquecimento patológico ou por um reforço patológico das excitações inconscientes, enquanto o pré-consciente permanece investido e as portas da motilidade abertas. Então o guardião é dominado, as excitações inconscientes submetem o Vbw, a partir dele governam nosso falar e agir ou forçam a regressão alucinatória e desviam o aparelho que não lhes era destinado, em virtude da atração que as percepções exercem sobre a distribuição de nossa energia psíquica. A esse estado chamamos psicose.
A teoria do desejo dos sintomas psiconeuróticos.
Encontramo-nos aí no melhor caminho para continuar construindo a armação psicológica que abandonamos ao inserir os dois sistemas, Ubw e Vbw. Temos, porém, motivos suficientes para nos demorarmos ainda na apreciação do desejo como única força psíquica impulsora do sonho. Aceitamos o esclarecimento de que o sonho é sempre uma realização de desejo porque é uma operação do sistema Ubw, que não conhece outro objetivo para seu trabalho senão a realização de desejo e não dispõe de outras forças senão as das moções de desejo.
Se quisermos sustentar, ainda que por um momento, o direito de desenvolver, a partir da interpretação dos sonhos, especulações psicológicas de alcance tão amplo, impõe-se a nós a obrigação de mostrar que por meio delas inserimos o sonho em um contexto capaz de abranger também outras formações psíquicas. Se existe um sistema do Ubw, ou algo análogo a ele para nossas considerações, o sonho não pode ser sua única manifestação; todo sonho pode ser uma realização de desejo, mas deve haver ainda outras formas anormais de realização de desejo além dos sonhos. E, de fato, a teoria de todos os sintomas psiconeuróticos culmina em uma única proposição: também eles devem ser concebidos como realizações de desejo do inconsciente(237). Por nosso esclarecimento, o sonho se torna apenas o primeiro elo de uma série da mais alta importância para o psiquiatra; a compreensão dessa série significa a solução da parte puramente psicológica da tarefa psiquiátrica(238). Mas de outros elos dessa série de realizações de desejo, por exemplo os sintomas histéricos, conheço um caráter essencial que ainda não encontro no sonho. Sei, com efeito, pelas investigações muitas vezes indicadas no curso deste tratado, que para a formação de um sintoma histérico as duas correntes de nossa vida psíquica precisam encontrar-se. O sintoma não é apenas a expressão de um desejo inconsciente realizado; deve acrescentar-se a ele ainda um desejo do pré-consciente que se realiza pelo mesmo sintoma, de modo que o sintoma seja determinado ao menos duplamente, uma vez a partir de cada um dos sistemas em conflito. Não há limites para uma sobredeterminação ulterior, de modo semelhante ao sonho. A determinação que não provém do Ubw é, tanto quanto vejo, regularmente uma sequência de pensamentos de reação contra o desejo inconsciente, por exemplo uma autopunição. Posso, portanto, dizer de modo geral: um sintoma histérico só surge onde duas realizações de desejo opostas, cada uma da fonte de um sistema psíquico diferente, podem coincidir em uma única expressão. Cf. a esse respeito minhas formulações mais recentes sobre a gênese dos sintomas histéricos no ensaio «Fantasias histéricas e sua relação com a bissexualidade», na segunda série da Sammlung kl. Sch. z. Neurosenlehre, 1909. Exemplos aqui pouco ajudariam, pois apenas a revelação completa da complicação existente pode produzir convicção. Por isso deixo a questão na afirmação e trago um exemplo apenas por sua clareza intuitiva, não por sua força probatória.
Assim, o vômito histérico em uma paciente revelou-se, de um lado, como a realização de uma fantasia inconsciente dos anos da puberdade, a saber, o desejo de estar continuamente grávida, de ter inumeráveis filhos, ao que mais tarde se acrescentou a ampliação: do maior número possível de homens. Contra esse desejo indomável ergueu-se uma poderosa moção defensiva. Mas, como pelo vômito a paciente podia perder sua corpulência e sua beleza, de modo que nenhum homem mais encontrasse nela agrado, o sintoma também convinha à sequência de pensamentos punitiva e, admitido por ambos os lados, pôde tornar-se realidade. É a mesma maneira de acolher uma realização de desejo que agradou à rainha dos partas contra o triúnviro Crasso. Ela julgava que ele havia empreendido a campanha por cobiça de ouro; por isso mandou derramar ouro derretido na garganta do cadáver. «Aqui tens o que desejaste.»
Até agora, sabemos do sonho apenas que ele exprime uma realização de desejo do inconsciente; parece que o sistema dominante, pré-consciente, permite essa realização depois de lhe impor certas deformações. De fato, não estamos em condições de demonstrar, de modo geral, uma sequência de pensamentos oposta ao desejo do sonho que, como seu contrapolo, também se realize no sonho. Apenas aqui e ali encontramos nas análises de sonhos indícios de formações reativas, por exemplo a ternura pelo amigo R. no sonho do tio, p. 106. Mas podemos encontrar em outro lugar o acréscimo do pré-consciente que aqui falta. Depois de toda espécie de deformações, o sonho pode expressar um desejo do Ubw enquanto o sistema dominante se recolheu ao desejo de dormir, realizando esse desejo por meio da produção das alterações de investimento que lhe são possíveis no interior do aparelho psíquico e mantendo-o, por fim, durante toda a duração do sono(239).
(237) Dito de modo mais correto: uma parte do sintoma corresponde à realização inconsciente de desejo; outra, à formação reativa contra ela.
(238) Hughlings Jackson havia declarado: descobri a essência do sonho e tereis descoberto tudo o que se pode saber sobre a loucura. Find out all about dreams and you will have found out all about insanity.
(239) Tomo emprestado esse pensamento da teoria do sono de Liébault, o despertador da pesquisa hipnótica em nossos dias. Du sommeil provoqué etc., Paris, 1889.
O desejo de dormir.
Esse desejo do pré-consciente de dormir, uma vez mantido, atua agora, de modo inteiramente geral, como facilitador da formação do sonho. Pensemos no sonho do pai, a quem a luz vinda do quarto mortuário estimula à conclusão de que o cadáver poderia estar pegando fogo. Indicamos como uma das forças psíquicas decisivas para que o pai tire essa conclusão no sonho, em vez de se deixar despertar pela claridade, o desejo que prolonga por um instante a vida da criança representada no sonho. Outros desejos provenientes do recalcado provavelmente nos escapam, porque não podemos fazer a análise desse sonho. Mas, como segunda força impulsora desse sonho, podemos acrescentar a necessidade de sono do pai; assim como pelo sonho a vida da criança é prolongada, também o sono do pai é prolongado por um instante. Deixar o sonho prosseguir, diz essa motivação, caso contrário preciso acordar. Como nesse sonho, também em todos os outros o desejo de dormir empresta seu apoio ao desejo inconsciente. Na p. 96 relatamos sonhos que se oferecem abertamente como sonhos de comodidade. Na verdade, todos os sonhos têm direito a essa denominação. Nos sonhos de despertar, que elaboram o estímulo sensorial externo de tal modo que ele se torna compatível com a continuação do sono, tecendo-o num sonho para retirar dele as exigências que poderia levantar como advertência do mundo exterior, é mais fácil reconhecer a eficácia do desejo de continuar dormindo. Mas esse mesmo desejo deve ter sua parte na configuração de todos os outros sonhos, que só de dentro podem abalar o estado de sono como despertadores. O que em alguns casos o Vbw comunica à consciência quando o sonho vai longe demais, «deixe disso e continue dormindo, é apenas um sonho», descreve, mesmo quando não é dito em voz alta, de modo inteiramente geral, a atitude de nossa atividade psíquica dominante diante do sonhar.
Devo tirar a conclusão de que, ao longo de todo o estado de sono, sabemos com a mesma certeza que sonhamos como sabemos que dormimos. É absolutamente necessário dar pouca importância à objeção de que nossa consciência nunca é dirigida para um desses saberes e só o é para o outro em determinada ocasião, quando a censura se sente como que surpreendida. Em contrapartida, há pessoas nas quais se torna inteiramente manifesto o fato de se conservar durante a noite o conhecimento de que estão dormindo e sonhando, e às quais parece ser própria, portanto, uma capacidade consciente de dirigir a vida onírica. Um sonhador desse tipo, por exemplo, está insatisfeito com a guinada que um sonho toma; ele o interrompe, sem acordar, e o recomeça para prossegui-lo de outra maneira, exatamente como um escritor popular, a pedido, dá a sua peça um desfecho mais feliz. Ou, em outra ocasião, no sono, quando o sonho o colocou em uma situação sexualmente excitante, ele pensa: não quero continuar sonhando isso, para me esgotar numa polução; prefiro reservá-lo para uma situação real. O marquês d'Hervey, segundo Vaschide, p. 139, afirmou ter conquistado tal poder sobre seus sonhos que podia acelerar-lhes o curso à vontade e dar-lhes a direção que quisesse. Parece que nele o desejo de dormir havia concedido espaço a outro desejo pré-consciente: o de observar seus sonhos e deleitar-se com eles. O sono é tão compatível com tal propósito de desejo quanto com uma reserva como condição do despertar, o sono da ama de leite. Sabe-se também que o interesse pelo sonho aumenta consideravelmente, em todas as pessoas, o número de sonhos lembrados depois do despertar(240).
(240) Sobre outras observações de direção dos sonhos, diz Ferenczi: «O sonho elabora de todos os lados o pensamento que naquele momento ocupa a vida psíquica, abandona uma imagem onírica quando ameaça fracassar a realização de desejo, tenta uma nova espécie de solução, até que finalmente consegue criar uma realização de desejo que satisfaça, por compromisso, as duas instâncias da vida psíquica.»
Resumo da formação do sonho.