Entre a Corrente e a Chama
O capitalismo, figura possessiva e cruel,
Com suas garras me prende, infiel.
Cobra-me o tempo, a alma e o suor,
E me afoga em tarefas, sem dó nem pudor.
Seus olhos me vigiam, frios e exigentes,
E me cobram perfeição, incessantemente.
Com ele, a vida se torna um fardo pesado,
E me sinto preso, amarrado e sufocado.
Mas eis que surge, no horizonte da semana,
A sexta-feira, a amante que me chama.
Com seu sorriso de fogo, me desamarra,
E me leva para um mundo que me agrada.
Seus braços me envolvem, quentes e macios,
Me entrego de corpo e alma, sem receios
Me afogo em beijos, lascivos e ardentes.
Com ela, me sinto livre, leve, solto e contente.
A sexta-feira me liberta da prisão,
E me leva para um paraíso de paixão.
Com ela, a vida se torna uma aventura,
E me sinto vivo, intenso e sem censura.
Seu toque me acende, me excita, me inflama,
E me entrega ao prazer, sem nenhum drama.
Com ela, me atiro de corpo, alma e coração,
E me afogo em seus desejos, com tesão.
Porém, o capitalismo, ciumento e vingativo,
Me espera na segunda, com seu ar altivo.
E a sexta-feira, amante fugaz, se vai,
Deixando-me órfão, com a alma em contradição.
Mas a chama da paixão que ela acendeu,
Em meu coração, para sempre te chama,
E a doce esperança de reencontrá-la,
Me mantém forte, até o próximo fim de semana.
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*Lobo*
Ele vem como um lobo,
Farejando meus feromônios.
Me prende em suas patas,
Encurrala-me entre as garras
E acaba com toda a minha raiva.
Me doma, selvagem,
Como um louco no cio,
Faminto por sacanagem.
Não tem nada que atrapalhe
Sua coragem de me devorar!
Salivante, me despe…
E, pelo meu umbigo, desce ajoelhado,
Atracado em mim com sua língua,
Joga minha perna pra cima,
me banha em saliva,
molhando meu sexo, excitado.
“Põe-se a lamber sem parar”.
Me suga com pressão
pra dentro de sua boca.
Me contorço, gemendo como louca.
Seus dedos deslizam, tem fome,
Do inferno ao paraíso, me consome.
É tortura e prazer, na mesma sensação.
Gozando no ápice do tesão,
Me derramo em gozo histérico.
Lambuzo sua fuça de sexo,
No néctar da nossa paixão.
Não nego que te quero
Em mim fartar-se-á…
Serei sua refeição, sirva-se!
Quantas vezes desejar…
MarU
#
Ele vem como um lobo,
Farejando meus feromônios.
Me prende em suas patas,
Encurrala-me entre as garras
E acaba com toda a minha raiva.
Me doma, selvagem,
Como um louco no cio,
Faminto por sacanagem.
Não tem nada que atrapalhe
Sua coragem de me devorar!
Salivante, me despe…
E, pelo meu umbigo, desce ajoelhado,
Atracado em mim com sua língua,
Joga minha perna pra cima,
me banha em saliva,
molhando meu sexo, excitado.
“Põe-se a lamber sem parar”.
Me suga com pressão
pra dentro de sua boca.
Me contorço, gemendo como louca.
Seus dedos deslizam, tem fome,
Do inferno ao paraíso, me consome.
É tortura e prazer, na mesma sensação.
Gozando no ápice do tesão,
Me derramo em gozo histérico.
Lambuzo sua fuça de sexo,
No néctar da nossa paixão.
Não nego que te quero
Em mim fartar-se-á…
Serei sua refeição, sirva-se!
Quantas vezes desejar…
MarU
#
#Desafio 30
*Sou instrumento*
Releve,
Não pense muito
Sobre o que penso quando escrevo.
As palavras mandam, e eu obedeço.
Não as contenho,
Sou serva dos seus desejos.
Escrevo e não leio!
São as palavras que falam.
Não opino em nada, só faço o que almejam.
Sou instrumento dos textos, que escrevo.
É a palavra que fala e toca onde não previ.
E vai adentrando, dos olhos á mente,
Como serpente,
Se embrenhando da alma ao coração da gente.
Fundindo-se profundamente,
Além do corpo,
Atinge o escopo da emoção.
É só sentir o que a palavra atingir!
O sentimento potente, que,
Para cada um,
Diz de uma forma diferente, se transforma,
Transmutando-se, para cada um,
Numa diferente emoção.
O “sentir” acende, inerente, na essência, Dentro da experiência particular de cada um.
Sentimento não mente!
— O que você sente, aí?
MarU
*Sou instrumento*
Releve,
Não pense muito
Sobre o que penso quando escrevo.
As palavras mandam, e eu obedeço.
Não as contenho,
Sou serva dos seus desejos.
Escrevo e não leio!
São as palavras que falam.
Não opino em nada, só faço o que almejam.
Sou instrumento dos textos, que escrevo.
É a palavra que fala e toca onde não previ.
E vai adentrando, dos olhos á mente,
Como serpente,
Se embrenhando da alma ao coração da gente.
Fundindo-se profundamente,
Além do corpo,
Atinge o escopo da emoção.
É só sentir o que a palavra atingir!
O sentimento potente, que,
Para cada um,
Diz de uma forma diferente, se transforma,
Transmutando-se, para cada um,
Numa diferente emoção.
O “sentir” acende, inerente, na essência, Dentro da experiência particular de cada um.
Sentimento não mente!
— O que você sente, aí?
MarU
O que você
vê em mim?
Será que vê
além das linhas?
Será que vê
todo o vazio
entre as palavras?
Será que é
o mesmo que
eu vejo?
Na poesia,
enxergo com
a ponta dos dedos,
a ponta da língua,
a conta dos dias.
Os olhos são
para se sentir;
minha visão
é revoada
de rimas,
ou mergulho
do vento.
Não me veja
só com a vista:
Leia para dentro.
Alberto Busquets.
#Desafio 028
vê em mim?
Será que vê
além das linhas?
Será que vê
todo o vazio
entre as palavras?
Será que é
o mesmo que
eu vejo?
Na poesia,
enxergo com
a ponta dos dedos,
a ponta da língua,
a conta dos dias.
Os olhos são
para se sentir;
minha visão
é revoada
de rimas,
ou mergulho
do vento.
Não me veja
só com a vista:
Leia para dentro.
Alberto Busquets.
#Desafio 028
Vim dizer uma coisa, meu amor
O fogo pede passagem
O meus pés agora pisam a brasa
Cantando tristezas de um samba-menino
(Só sei dançar na poesia
pois que meu corpo real
mal nasceu e já foi logo enclausurado
Em nome da lei
e da feminilidade)
Clausura do meu corpo:
"Fecha essas pernas
Fala mais baixo
Evita fazer
Perguntas demais!
Cala a boca, menina,
Come direito
Para de comer
Fecha a boca"
Em boca fechada
a mosca não entra.
Vim dizer uma coisa, meu amor
O fogo pede passagem
Essa queimadura na boca do meu estômago é só o começo
de uma gargalhada infernal que me foi ensinada por uma sábia cortesã.
Lá no cais
Lá no cais
Lá no cais
O fogo pede passagem, amor
Vem brincar.
Vem queimar.
Vem arder em mim
Carla Carrion
O fogo pede passagem
O meus pés agora pisam a brasa
Cantando tristezas de um samba-menino
(Só sei dançar na poesia
pois que meu corpo real
mal nasceu e já foi logo enclausurado
Em nome da lei
e da feminilidade)
Clausura do meu corpo:
"Fecha essas pernas
Fala mais baixo
Evita fazer
Perguntas demais!
Cala a boca, menina,
Come direito
Para de comer
Fecha a boca"
Em boca fechada
a mosca não entra.
Vim dizer uma coisa, meu amor
O fogo pede passagem
Essa queimadura na boca do meu estômago é só o começo
de uma gargalhada infernal que me foi ensinada por uma sábia cortesã.
Lá no cais
Lá no cais
Lá no cais
O fogo pede passagem, amor
Vem brincar.
Vem queimar.
Vem arder em mim
Carla Carrion
#Desafio 28
*Olhos e sonhos*
Fecho os olhos,
Puxo uma respiração.
Inspiro profundamente.
Ouço o som da minha inalação.
Relaxo meu corpo e sinto o rosto dormente.
Você sente?
É como se fosse nossa forma de conexão.
De olhos fechados e corpo relaxado,
Encontro seus olhos, no interno de mim.
Olhos que enxergam além dos olhares,
Olhos que veem além da alma
Com muita calma, sem tempo,
Nem pressa para chegar ao fim.
De olhos fechados
temos todo tempo do mundo,
mesmo que por um segundo,
posso me ver no seu olhar.
Estes olhos me refletem, me entendem,
E sinto que me sentem, profundamente.
Olhares a se encontrar.
Uma miragem projetada na mente.
Tem cheiro, calor…
E instiga a vontade na gente.
Vontade de abrir o olhos,
Se despir dos medos e te encontrar,
Além do que meus olhos são capazes de sonhar.
Será?
MarU
*Olhos e sonhos*
Fecho os olhos,
Puxo uma respiração.
Inspiro profundamente.
Ouço o som da minha inalação.
Relaxo meu corpo e sinto o rosto dormente.
Você sente?
É como se fosse nossa forma de conexão.
De olhos fechados e corpo relaxado,
Encontro seus olhos, no interno de mim.
Olhos que enxergam além dos olhares,
Olhos que veem além da alma
Com muita calma, sem tempo,
Nem pressa para chegar ao fim.
De olhos fechados
temos todo tempo do mundo,
mesmo que por um segundo,
posso me ver no seu olhar.
Estes olhos me refletem, me entendem,
E sinto que me sentem, profundamente.
Olhares a se encontrar.
Uma miragem projetada na mente.
Tem cheiro, calor…
E instiga a vontade na gente.
Vontade de abrir o olhos,
Se despir dos medos e te encontrar,
Além do que meus olhos são capazes de sonhar.
Será?
MarU
Ao Luar
#Desafio 365 Dias (028 de 365)
O poema de hoje é dedicado à @MarU - e foi baseado na sua genialidade de criar um verso super ritmado, que me deu inspiração para montar esse poema. Espero que ela goste (e que você, que me lê, goste também )
Ao Luar
À noite, a lua brilha,
Enchendo de luz o firmamento.
Eu vejo a maravilha, e sinto o vento.
Na alma, a luz se espelha
Nas sombras do pensamento;
A alma é uma centelha em movimento.
Quisera ter, um dia,
a brisa do amor! - mas, não;
Sou filho da agonia e solidão!...
Me sinto qual uma ilha
num mar de sonho e tormento;
A minha alma é filha d'um lamento.
Na onda, o barco dança
nos indo-e-vindos do mar.
A noite é uma criança, a brincar...
Nos ventos fundos d'alma,
No fundo do oceano da solidão,
Sinto a paz que acalma o coração.
E, então, como magia,
encontro a luz do amor, enfim,
E sinto o nascer do dia, dentro, em mim.
#Desafio 365 Dias (028 de 365)
O poema de hoje é dedicado à @MarU - e foi baseado na sua genialidade de criar um verso super ritmado, que me deu inspiração para montar esse poema. Espero que ela goste (e que você, que me lê, goste também )
Ao Luar
À noite, a lua brilha,
Enchendo de luz o firmamento.
Eu vejo a maravilha, e sinto o vento.
Na alma, a luz se espelha
Nas sombras do pensamento;
A alma é uma centelha em movimento.
Quisera ter, um dia,
a brisa do amor! - mas, não;
Sou filho da agonia e solidão!...
Me sinto qual uma ilha
num mar de sonho e tormento;
A minha alma é filha d'um lamento.
Na onda, o barco dança
nos indo-e-vindos do mar.
A noite é uma criança, a brincar...
Nos ventos fundos d'alma,
No fundo do oceano da solidão,
Sinto a paz que acalma o coração.
E, então, como magia,
encontro a luz do amor, enfim,
E sinto o nascer do dia, dentro, em mim.
#Desafio 29
*Epílogo*
No palco da vida,
Não interpreto o papel principal.
Não sou a protagonista,
Talvez coadjuvante.
Me falta a luz que irradia ao norte.
Me falta o ar que inspira aos fortes.
Me falta a água, que sacia a sede.
Me falta o alimento, que mata a fome do inocente.
Tanto, que me falta… Sou tão falha!
Mas, ao mesmo tempo, sou tão grata!
Estou saindo de cena.
O teatro já está vazio,
O espetáculo acabou.
As cortinas se fecharam,
E a luz se apagou.
Não há mais público na plateia.
Já apresentei o “grand finale”.
Não ouvi o som das palmas,
Só as portas a se fecharem.
Com reverência, me despeço de vocês,
Respeitável e adorável público.
Foi muito bom me apresentar
pela última vez.
Obrigado!
MarU
*Epílogo*
No palco da vida,
Não interpreto o papel principal.
Não sou a protagonista,
Talvez coadjuvante.
Me falta a luz que irradia ao norte.
Me falta o ar que inspira aos fortes.
Me falta a água, que sacia a sede.
Me falta o alimento, que mata a fome do inocente.
Tanto, que me falta… Sou tão falha!
Mas, ao mesmo tempo, sou tão grata!
Estou saindo de cena.
O teatro já está vazio,
O espetáculo acabou.
As cortinas se fecharam,
E a luz se apagou.
Não há mais público na plateia.
Já apresentei o “grand finale”.
Não ouvi o som das palmas,
Só as portas a se fecharem.
Com reverência, me despeço de vocês,
Respeitável e adorável público.
Foi muito bom me apresentar
pela última vez.
Obrigado!
MarU
Defendo a guerrilha
dos poeticamente armados.
Que não nos falte munição!
Entre rajadas de empatia
e certeiras gentilezas ao alvo,
que combatamos
a violenta tempestade!
Sejamos patriotas
da própria humanidade!
Cavemos trincheiras-abraços
sob amorosas bandeiras
de humanística compreensão!
Alberto Busquets.
#Desafio 29
dos poeticamente armados.
Que não nos falte munição!
Entre rajadas de empatia
e certeiras gentilezas ao alvo,
que combatamos
a violenta tempestade!
Sejamos patriotas
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Cavemos trincheiras-abraços
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de humanística compreensão!
Alberto Busquets.
#Desafio 29
#desafio 365 dias
dia 26 - Poética da Existência
Foi por um segundo que existiu. Num tom ainda lívido, não de medo, mas de inexperiência, maravilhada. E existiu, assim, inexata, entre lençóis e pensamentos, e habitava a palavra. Nada ainda havia eclodido; nada ainda havia de suspeito. Era toda em forma de som, os quais eu me repetia até adormecer, sozinha.
Foi só por um segundo, mas eu a tive, corporificada. Estava um tanto fria, um tanto doce e molhada, porque era uma manhã aquosa e os tons cinza de agosto se dissolviam na chuva. Um segundo meu de inércia, não por espanto, mas por zelo. Era toda de poesia feita e a mim eu a recitava até me desfazer em lama.
A existência do segundo demorado, em que ela, paixão sensata, sabia-se viva e, então, à mercê da morte. Foi no fim desse instante que ela se pôs de ponta de pés à beirada da cama, e eu tinha olhos de paralisia, não por covardia, mas por destino. Ela era toda suicídio e já se vestia de mortalhas quando, finalmente, o segundo passou.
dia 26 - Poética da Existência
Foi por um segundo que existiu. Num tom ainda lívido, não de medo, mas de inexperiência, maravilhada. E existiu, assim, inexata, entre lençóis e pensamentos, e habitava a palavra. Nada ainda havia eclodido; nada ainda havia de suspeito. Era toda em forma de som, os quais eu me repetia até adormecer, sozinha.
Foi só por um segundo, mas eu a tive, corporificada. Estava um tanto fria, um tanto doce e molhada, porque era uma manhã aquosa e os tons cinza de agosto se dissolviam na chuva. Um segundo meu de inércia, não por espanto, mas por zelo. Era toda de poesia feita e a mim eu a recitava até me desfazer em lama.
A existência do segundo demorado, em que ela, paixão sensata, sabia-se viva e, então, à mercê da morte. Foi no fim desse instante que ela se pôs de ponta de pés à beirada da cama, e eu tinha olhos de paralisia, não por covardia, mas por destino. Ela era toda suicídio e já se vestia de mortalhas quando, finalmente, o segundo passou.