#Desafio 47
*Reconciliação*
Às vezes, mel,
Às vezes, fel.
Feliz? — Ocasionalmente!
Pretendo, ao menos, tentar.
Somente acreditar não basta.
Na verdade, a “verdade” é uma mentira!
Muitas verdades, nenhuma condiz com a minha.
Lamento a noite inteira,
Amanheço querendo não ter que despertar.
Lamento, mas desperto.
Me reergo,
Reorganizando meus pensamentos.
Às vezes, fúria.
Às vezes, arrependimentos.
Às vezes, eu cedo.
Perdoo a mim mesma,
Aceito também seu perdão.
Me aceito,
Te aceito…
Às vezes, é tão difícil!
Às vezes, é preciso.
“Reconciliação.”
Maru
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Inspiração Enterna
Queria fazer um pedido!
Peçam algo para eu escrever?
Peçam algo para eu escrever?
#Desafio 38
*Só pra mim*
Muito do que tenho,
Guardo aqui dentro,
Só pra mim.
Às vezes lembro…
Suspiro…
Sorrio…
Seguro o ímpeto de
Dizer um: — Olá!
Só pra ver se você também
estava ali…
Sentindo…
Em silêncio…
Omitindo o sentimento escondido,
trancado dentro,
só pra si.
Transmutando o sentimento
que nasceu sem pedir.
“Hoje, pensei em você!”
MarU
*Só pra mim*
Muito do que tenho,
Guardo aqui dentro,
Só pra mim.
Às vezes lembro…
Suspiro…
Sorrio…
Seguro o ímpeto de
Dizer um: — Olá!
Só pra ver se você também
estava ali…
Sentindo…
Em silêncio…
Omitindo o sentimento escondido,
trancado dentro,
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Transmutando o sentimento
que nasceu sem pedir.
“Hoje, pensei em você!”
MarU
#desafio 365 dias
Dia 36 - Afasia
Eu poderia ser mais clara, mas se teus olhos não veem é porque o tempo das pontes se fora: somos ilhas imersas em nevoeiro. E, sem mãos, sequer podemos remar até a outra margem. Somos corpos náufragos, sem algum fôlego, entretanto ainda lúcidos e com vida.
Poderia ser mais claro, se eu desenhasse. Até ergo meu braço e crio formas na espessa névoa. Formas de um lábio, um tanto decaído: um lábio de adeus. O mistério está em eu partir antes mesmo do aceno de encontro. Como se, de avistar a terra firme, eu apenas vivesse.
Mais claro seria se este céu se vestisse com meu nome e nele respingássemos nuvens pálidas nas formas do teu. Embora eu procure no infinito o manto azul desejado, o tecido se despetala e só nos resta aquela cortina negra e mofada de cinema antigo.
Mais claro não será porque não existe a forma exata em que eu possa definir os teus sentidos em mim.
Dia 36 - Afasia
Eu poderia ser mais clara, mas se teus olhos não veem é porque o tempo das pontes se fora: somos ilhas imersas em nevoeiro. E, sem mãos, sequer podemos remar até a outra margem. Somos corpos náufragos, sem algum fôlego, entretanto ainda lúcidos e com vida.
Poderia ser mais claro, se eu desenhasse. Até ergo meu braço e crio formas na espessa névoa. Formas de um lábio, um tanto decaído: um lábio de adeus. O mistério está em eu partir antes mesmo do aceno de encontro. Como se, de avistar a terra firme, eu apenas vivesse.
Mais claro seria se este céu se vestisse com meu nome e nele respingássemos nuvens pálidas nas formas do teu. Embora eu procure no infinito o manto azul desejado, o tecido se despetala e só nos resta aquela cortina negra e mofada de cinema antigo.
Mais claro não será porque não existe a forma exata em que eu possa definir os teus sentidos em mim.
#desafio 365 dias
Dia 37 - Poema
São dez anos.
Ou foram dez anos?
Quanto mais estudo linguagem,
mais me perco nas representações temporais.
Talvez por senti-los apenas como evento único,
seria mais correto dizer: é dez anos,
a despeito de meus enganos
ou do que a dona Norma diga.
Eu odeio dona Norma, na verdade.
Por ela, eu deveria ter chorado,
perdido o controle, ter ido à missa,
ter refletido sobre aquela premissa
de amar as pessoas como se não houvesse amanhã.
Mas eu não consigo ser assim.
Pena. Não para mim, claro.
É dez anos sabendo da continuidade
de sua existência apenas no que sou,
daí só me restou o presente verbal.
O espelho me mostra seus olhos;
o espelho me mostra seus traços
adquiridos com a idade.
Eu sou tão ela, até mesmo no que ela
queria que eu não lhe tivesse sido.
Prefiro que pensem que esqueci.
Prefiro que pensem que não sinto.
Prefiro sempre ser aquele verso do Pessoa:
“Quem quer dizer o que sente/
não sabe o que há de dizer:/
Fala, parece que mente/
Cala, parece esquecer”.
Se é para ser, que seja poesia!
Dez anos com minha mãe em mim.
E nos rouxinóis que vejo por aí.
(nota: e agora já se passaram vinte...)
Dia 37 - Poema
São dez anos.
Ou foram dez anos?
Quanto mais estudo linguagem,
mais me perco nas representações temporais.
Talvez por senti-los apenas como evento único,
seria mais correto dizer: é dez anos,
a despeito de meus enganos
ou do que a dona Norma diga.
Eu odeio dona Norma, na verdade.
Por ela, eu deveria ter chorado,
perdido o controle, ter ido à missa,
ter refletido sobre aquela premissa
de amar as pessoas como se não houvesse amanhã.
Mas eu não consigo ser assim.
Pena. Não para mim, claro.
É dez anos sabendo da continuidade
de sua existência apenas no que sou,
daí só me restou o presente verbal.
O espelho me mostra seus olhos;
o espelho me mostra seus traços
adquiridos com a idade.
Eu sou tão ela, até mesmo no que ela
queria que eu não lhe tivesse sido.
Prefiro que pensem que esqueci.
Prefiro que pensem que não sinto.
Prefiro sempre ser aquele verso do Pessoa:
“Quem quer dizer o que sente/
não sabe o que há de dizer:/
Fala, parece que mente/
Cala, parece esquecer”.
Se é para ser, que seja poesia!
Dez anos com minha mãe em mim.
E nos rouxinóis que vejo por aí.
(nota: e agora já se passaram vinte...)
#desafio 365 dias
Dia 38 - Poemas de outrora
Sim, eu escrevo desde que era muito jovem e fazia aqueles versos bem cheios de paixão adolescente. Hoje, eu inventei de revisitar alguns cadernos antigos e ler algumas coisas, vou compartilhar com vocês os menos ruins!
Dor (10/09/1997)
Chega a Lua na noite
Entrega-se à luz a flor
Pensamentos e sonhos
Trazem à garganta um clamor:
- Vem com a Lua, meu amor!
Despede-se da noite, a Lua
De saudades, enche-se a flor
Sonhos e pensamentos
Trazem ao coração uma dor:
- Não veio com a Lua, o meu amor.
Na noite, a Lua retorna
A flor enche-se de alegria
Nada de sonhos ou pensamentos
Pois era real o que eu via:
- O meu amor, a Lua trazia!
Dia 38 - Poemas de outrora
Sim, eu escrevo desde que era muito jovem e fazia aqueles versos bem cheios de paixão adolescente. Hoje, eu inventei de revisitar alguns cadernos antigos e ler algumas coisas, vou compartilhar com vocês os menos ruins!
Dor (10/09/1997)
Chega a Lua na noite
Entrega-se à luz a flor
Pensamentos e sonhos
Trazem à garganta um clamor:
- Vem com a Lua, meu amor!
Despede-se da noite, a Lua
De saudades, enche-se a flor
Sonhos e pensamentos
Trazem ao coração uma dor:
- Não veio com a Lua, o meu amor.
Na noite, a Lua retorna
A flor enche-se de alegria
Nada de sonhos ou pensamentos
Pois era real o que eu via:
- O meu amor, a Lua trazia!
#desafio 37/365
Lá fora há um céu cinzento.
Ainda assim,
vejo no jardim
lindas borboletas
voando paralelas,
com suas asas amarelas,
numa delicada dança
de alegria e esperança.
Olhando, me sinto criança
que se admira das
pequenas coisas.
Me esqueço
por um momento
depois cresço
Desassossego.
Jusley Naiane
Lá fora há um céu cinzento.
Ainda assim,
vejo no jardim
lindas borboletas
voando paralelas,
com suas asas amarelas,
numa delicada dança
de alegria e esperança.
Olhando, me sinto criança
que se admira das
pequenas coisas.
Me esqueço
por um momento
depois cresço
Desassossego.
Jusley Naiane
#Desafio 37
*Faz tempo*
Ouço uma suave melodia de brisa.
Percebo gotas trazidas pelo vento,
A tilintar na janela, denunciando o clima.
Faz tempo, que não recebo o beijo do tempo!
Faz vento, e balança a cortina.
Faz tormento a saudade, em cada gota cristalina.
Sinto o cheiro da chuva e da relva molhada,
O tempo se derramando em pingos,
Ouço o som das trovoadas.
Faz tempo feio lá fora, mas isso é tão lindo!
O clima me deixa com medo, e a saudade, com o coração partido.
MarU
*Faz tempo*
Ouço uma suave melodia de brisa.
Percebo gotas trazidas pelo vento,
A tilintar na janela, denunciando o clima.
Faz tempo, que não recebo o beijo do tempo!
Faz vento, e balança a cortina.
Faz tormento a saudade, em cada gota cristalina.
Sinto o cheiro da chuva e da relva molhada,
O tempo se derramando em pingos,
Ouço o som das trovoadas.
Faz tempo feio lá fora, mas isso é tão lindo!
O clima me deixa com medo, e a saudade, com o coração partido.
MarU
Uma Quarta-feira inesquecível - Parte 2
À noite, abri a rede social e, bum, meu post viralizou porque foi respondido pelo próprio Selton, que gostou da ideia e ainda repostou. Envolvida pela leve tontura da bebida e pela inebriante sensação temporária de milhares de visualizações em um post, entrei na live e esperei que meu conto fosse anunciado. Não foi. Fiquei feliz pelos ganhadores e achei a premissa dos contos vencedores muito interessante.
Já li dois dos contos que ganharam, os quais achei incríveis, mas, concordando com a avaliação do Waldir, um pouco tristes, o que não invalida de forma alguma a alta qualidade de ambos. Isso me recordou do conto que escrevi, que envolve situações parecidas com os dois contos que li: eu também escrevi sobre um casal em uma situação triste, em que a relação se esmigalha e caminha para um fim trágico.
Só que, enquanto escrevia, percebi que não queria que fosse triste, trágico, e minha mente foi para pura galhofa. Li e achei que foi demais (gargalhava enquanto lia, antes de mudar o final? Sim) e reescrevi. Fiquei muito feliz em manter a parte bem-humorada com um final que achei coerente com todo o conto. (Leu até aqui e está curioso? Deixei o conto anexado ao post e adoraria saber sua opinião.)
E essa quarta-feira vai ficar na memória: um almoço de aniversário perfeito, um post viralizado e um conto não premiado. Tem como não ser uma quarta-feira inesquecível?
À noite, abri a rede social e, bum, meu post viralizou porque foi respondido pelo próprio Selton, que gostou da ideia e ainda repostou. Envolvida pela leve tontura da bebida e pela inebriante sensação temporária de milhares de visualizações em um post, entrei na live e esperei que meu conto fosse anunciado. Não foi. Fiquei feliz pelos ganhadores e achei a premissa dos contos vencedores muito interessante.
Já li dois dos contos que ganharam, os quais achei incríveis, mas, concordando com a avaliação do Waldir, um pouco tristes, o que não invalida de forma alguma a alta qualidade de ambos. Isso me recordou do conto que escrevi, que envolve situações parecidas com os dois contos que li: eu também escrevi sobre um casal em uma situação triste, em que a relação se esmigalha e caminha para um fim trágico.
Só que, enquanto escrevia, percebi que não queria que fosse triste, trágico, e minha mente foi para pura galhofa. Li e achei que foi demais (gargalhava enquanto lia, antes de mudar o final? Sim) e reescrevi. Fiquei muito feliz em manter a parte bem-humorada com um final que achei coerente com todo o conto. (Leu até aqui e está curioso? Deixei o conto anexado ao post e adoraria saber sua opinião.)
E essa quarta-feira vai ficar na memória: um almoço de aniversário perfeito, um post viralizado e um conto não premiado. Tem como não ser uma quarta-feira inesquecível?
O conto Sintonia do Amor foi escrito especialmente para participar do Concurso Aline Alencar. O tema era "o som do amor", e eu passei quase o período inteiro das inscrições planejando a história. Fui escrever apenas no último dia. A boa notícia é que o conselho de Abraham Lincoln (se eu tivesse 8 horas para cortar uma árvore, gastaria 6 afiando meu machado) se mostrou muito bom. Meu conto foi um dos vencedores, ficando em quinto colocado.
O Waldir, que é o organizador do concurso e avaliador dos contos, na live de divulgação dos resultados, confessou que, apesar de ter gostado muito da história que criei, relutou em aceitar o final. Chamou de "tragédia". Minha professora Liz Negrão sempre diz que o conto é uma narrativa de impacto. Talvez eu tenha pesado um pouco a mão na resolução da história. Bom, vamos ver o que vocês me dizem, queriam um final diferente?
O Waldir, que é o organizador do concurso e avaliador dos contos, na live de divulgação dos resultados, confessou que, apesar de ter gostado muito da história que criei, relutou em aceitar o final. Chamou de "tragédia". Minha professora Liz Negrão sempre diz que o conto é uma narrativa de impacto. Talvez eu tenha pesado um pouco a mão na resolução da história. Bom, vamos ver o que vocês me dizem, queriam um final diferente?