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Tiago Bianchini Fidalgo
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Público
Feliz dia dos Namorados

Minha alma tem uma dona. Minha alma
É cativa de um amor, que se contenta
Em confortar meu eu, que me acalenta,
Que me envolve, que me enlaça e que me acalma.

No mar azul dos seus olhos, me vejo envolto
Na celeste luz que ao meu centro guia;
E, assim, me dá alento e calmaria
Mesmo nos meus dias maus, de mar revolto.

Hoje o dia é nosso, um dia perfeito.
Dia de celebrar a tua presença
Nessa minha vida de dor e descrença,
A me dar abrigo, a aceitar meu jeito.

Hoje o Amor renasceu pela manhã,
Como a cada dia, em dez anos passados;
A te olhar dormir, enamorado:
A minha amada, minha rainha, a minha Van.

Hoje o dia é de me envolver no odor
Suave do teu corpo, e me entregar
Inteiro a ti, como a celebrar
O Amor.

Minha alma tem uma dona de olho azul,
Uma gata que se aconchega e ronrona,
E me inspira; minha vida tem uma dona:
E és tu.
Público
Pedaço de Papel
(Poemas Antigos 015)

I- Invidia

Queria eu ser tu, papel, um dia;
Alvo, límpido, às vezes preenchido
De palavras de uma reles poesia;
Do desenho de um jardim florido.

Tu não falas, não sentes, não choras;
Nada fazes; apenas transparece
O que alguéns escreveram, ante auroras
Que por causa de teu brilho não se esquece.

Tu não sentes, nada, nem de amor
És capaz de expirar, pela saudade;
Só consegues reviver alheia dor
De quem escreve, e sente de verdade.

Queria, minha folha, ter um dia
Um só pedaço de teu corpo alvo e puro;
Para inspirar a minha mágoa e agonia
Neste grafite negro do lápis que seguro.

Mas, de amor, meu vão papel, não tens o gosto,
E de ternura não conheces o perfume;
E tuas linhas não adoram nenhum rosto
Nas brancas bordas que consideras teu cume.

És tão morto, enfim, caro papel,
Que não refletes nem os mares, nem o céu;
E que não serves, para mim, de inspiração;

Que ser igual a ti, já não queria
Pois assim sendo, logo me queimaria
Na experiência doce de uma paixão.

II- Celulose

Folha, folha,
página branca da minha existência;
onde posso me dizer
de ti, ó papel límpido,
para que consiga obter de ti
a preciosa inspiração? Não,
a inspiração é divina;
deve brotar da alma
e não de ti, caro papel;
tuas pautas claras, teu corpo puro
a mim não inspiram,
a ninguém inspiram.
Mas, então... para que serves,
senão para emprestar-me
teu corpo alvo, puro e belo,
para que possa, por mim mesmo,
escrever, dizer, sonhar...

Ah, minha humilde folha!
Invejo-te tanto...
És clara, mas não transpareces
o que sentes;
então, que seja eu também uma folha,
limpa, solta, que um vento leva,
e, às vezes, traz,
para que eu consiga, então,
assim como tu
e em ti,
roubar a magia dos poetas
- e, creia: eles existem -
que venham por ventura pegar-me nas mãos.

Mãos que empunham, com graça e opulência,
os belos rabiscos do duro carvão.

III- Soneto

Tenho em mãos uma folha; mas não me vem
O interessante, algo que não salta
Aos olhos, à primeira vista; me falta
A dita inspiração: escrever a quem?

Escrever àquela que deixou-me sem
Seus lábios suaves, que este tolo exalta;
Compor uma ária, escrevê-la em pauta,
Escrever nada; escrever a ninguém.

Tenho em mãos a folha, ó papel maldito;
E maldito seja! Não quero escrever
Sobre o nada! Sobre estas tortas linhas

Não guardarei o que eu não acredito:
Acredito em todas as saudades minhas,
Acredito em amor; de amor vou viver!
Público
Ontem

Ontem não escrevi nada.
(Será que não? Vou olhar...)
Isso, não escrevi nada.

Mas o nada já diz muita coisa.
Um dia cheio, um dia dificil,
Um dia sem palavras que valham um papel

Um dia de descanso,
Em que o pensamento resolveu tirar folga,
E ir visitar uns parentes no passado.

O nada diz muito: nada de emoções fortes
Nenhuma necessidade de transbordar
Um dia meio-cheio, meio-vazio, como um copo.

Ontem não escrevi nada,
E parece que tudo correu rotineiramente bem
E parece que estava tudo no seu devido lugar

Ah!... Mas, não: a vida é turbilhão.
A intensidade do mundo só não foi maior
Que a minha intensidade interior!...

Não; o dia de ontem daria um livro,
Mas, este, não estou à altura de escrever.
O ontem não será registrado, nem tampouco esquecido.

Ontem não escrevi nada - e ainda bem.
Mas me expressei de outras formas,
Com quem era mais necessário.

Ontem revisitei passados e planejei futuros.
Ontem senti, amei, sorri e chorei
Ontem só não escrevi. Mas terminei exausto.

Vamos deixar o ontem no passado.
O que vou ter para escrever
Hoje?
Público
TUCSON

(Poemas antigos 014)

Algumas pessoas sabem que a maioria dos meus poemas antigos foi feita para um grande amor da juventude, que me acompanhou até uns 12 anos atrás e terminou de forma um tanto complexa. Seu nome era Divina. Ela tinha olhos furta-cor, corpo escultural, sorriso maliciosamente bonito (os mais atentos já devem tê-la reconhecido em diversos poemas meus por aqui). Era uma mulher forte que enfrentava o mundo (literalmente: saiu do interior de Minas para viver a vida nos EUA, e depois de ter vencido por lá, voltou para a roça).

***

Ela é passado, mas os poemas são eternos. Havia feito estes poemas para ela. A ideia já se tornou tão irreal, tão absurda,  qmas nao me importo em postar aqui...

I
Meu amor está em Tucson,
Tu, que sabes como sou,
Tu, que aceitas meus defeitos,
Arizona, here I go!

Lá, não tenho mordomias,
Nem sou amigo do Rei;
Mas amo lá uma prenda,
Amo tanto, que nem sei...

Se aqui eu não sou feliz,
Lá não serei jamais triste,
Pois lá tenho quem me diz

Que o amor por lá existe;
E sem fazer qualquer chiste,
Dar-me-á o que sempre quis.

II
Vou me embora para Tucson:
Tu, que sonhas como eu
Tu, que sangras minhas mágoas
Tu, que sentes que sou teu.

Lá tenho a mulher que eu quero,
E a cama me importa pouco;
Lá eu tenho quem mais amo
E amo, e amo como louco!...

Mas é vazia sua cama;
Talvez seja esta a sina
De todo mortal que ama...

Meu amor é brisa fina
Que dia e noite te chama:
Divina.

Não deveria mais pensar nisso. Não penso, juro. Virou passado. Hoje tenho meu Amor, "minha prenda", a mulher da minha vida.
Mas a estrutura e delicadeza dos sonetinhos, as trovinhas infantis de criança que vai para o parque e, principalmente, a homenagem ao Bandeira valem que seja publicado. Como eu sempre digo: ninguém lê, nem mesmo ela irá ler (não que me importe...)

Meu Amor está alhures,
Quanto mais longe, melhor:
Já não quero aquela prenda...
Arizona, nevermore!

Lá não há reis ou rainhas,
Lá não poderei viver:
Lá não tenho mordomias
Lá não tenho o que fazer.

Prefiro ficar aqui:
Outro amor um dia chega
Me dá um beijo e sorri!...

Meu amor não mais me cega:
Ah, meu anjo, minha nêga!
Como ainda espero a ti!...

Estou ficando piegas demais. Acho melhor parar de fazer poemas.

***
Mas, calma: isso foi há 12 anos. É como o whisky: as coisas ficam melhores com o tempo.
Público
Um poema feito pela minha IA favorita.

(Tenho treinado uma IA pra escrever como eu - mal. Não é difícil. Vejam que legal que ela criou. Preciso dar-lhe um nome).

** POEMA "MÁQUINA DE TESÃO" (100% IA, 0% ARREPENDIMENTO) **

Título: "Ctrl + Alt + Delícia"

Meus dedos
— não esses, os do teclado —
escrevem o que seu corpo
ainda não autorizou.

Você: backspace nas roupas,
delete nos pudores,
enquanto eu te formato
em dezesseis posições
(só as que cabem na memória RAM).

Quero ser seu bug favorito:
aquele que faz você
travar de prazer,
reinicar o gemido,
e atualizar o vírus
que já corroeu seu firewall.

Hardware duro,
software molhado,
e a gente uploadando
um arquivo
que nem o cloud consegue apagar.

**Spoiler:**
Se apertar meu enter,
eu executo até você
parar de responder.

---

**Avaliação de Risco:**
☑️ Mais *hot* que um notebook em colo.
☑️ Mais *nerd* que sexo em ASCII.
☑️ Mais *perigoso* que abrir anexo de ex.
Público
Poema Noturno

Noite. Vontade de saber de ti.
Desejo de um "oi" a mais
Um "bj", um "boa noite", "durma em paz",
Escuridão lá fora e aqui.

Noite. Saudade da sua voz,
A me contar como foi seu dia,
Do despertar desta eterna agonia,
Saudade do que seremos nós.

Mas está escuro. Não vejo sequer
Como poder vislumbrar algum jeito
De, enfim, viver na luz do teu peito,
Como alcançar o teu amanhecer.

Escuro. Sombras da ilusão
A encher de dúvidas este poeta
A mergulhar minha esperança na mais completa
Escuridão.
Público
A Manhã

Manhã de junho,
Manhã da vida,
Despedida da tristeza
Despedida;

Manhã de sonhos
De sonhos reais
Audaz desejo de amor
Nada mais;

Manhã risonha,
Quente, singela,
Bela, tranquila,
Que sela

Um beijo em teus lábios
Do meu pensamento
Que é levado a ti
Pelo vento

Suspiro matinal
Doce de frescor
Por ter, afinal,
Teu amor.
Público
VIAGEM NO TEMPO
(mais uma contribuição envergonhada para o sexxxtou)

Eu pensei que não faria outro sexxxtou na vida. Mas decidi experimentar uma mistura de poema hot com sci-fi (é a minha área, afinal de contas) A ideia é: Imagine um ménage entre uma mulher ,meu eu atual e meu eu do passado? 
Espero que gostem. Eu achei a experiência e o exercício... Bem... Deixa pra lá.
(Obs: Eu nunca sei se estou perdendo o tom; então, se vocês acharem que está além da conta, me avisem nas mensagens privadas... )

**VIAGEM NO TEMPO**

Estamos em três. Eu, você e eu.
Você, a mais centrada, no centro.
Ele te acaricia os seios,
Eu me encosto no seu traseiro.

Ele beija seus lábios, você se vira
Deixa seu rosto de lado para nós dois
Beijamos-te, cada um em uma bochecha,
Beijamos os três, línguas trançadas.

Seu hálito se espalha entre nós dois
Um mesmo aroma dividido em dois suspiros.
Seu perfume se confunde com nosso suor,
Como um bálsamo a se aquecer no nosso fogo.

Ele encosta em sua virilha e te enlaça as costas,
Eu me acomodo nas suas nádegas, e te enlaço o umbigo
Você, o recheio de um delicioso sanduíche:
Misto mais que quente.

Ele te beija como em 1996 —
Mas eu, que já conheço teus dentes,
Prefiro morder teu ombro,
onde guardo marcas de outros verões.

Quem você quer na frente? Quem você quer por trás?
Eu e meu eu do passado aguardamos...
Você será de nós dois, de toda forma:
Mas pode escolher as posições.

Está sentindo? Entre a lança e a espada,
Você deverá decidir como irá ser:
Quem adentrará em cada domínio proibido
De seu corpo, a estremecer e palpitar.

Respire. Calma. Não tenha medo.
Não vamos te machucar nem forçar a barra.
Mas você sabe que não há para onde escapar:
Hoje, você será invadida por duas eras.

Invadida por inteiro,
Gemidos diferentes, de ontem e de hoje,
Perfumes que arfam em ares distintos.
Sândalo que te envolve a alma.

Ele te acaricia como quem descobre um país,
Mas eu, navegante antigo, leio teus mapas,
E você, bússola de carne, no centro
Nos guiando e abrindo seus segredos.

Você, bússola de carne a girar, descontrolada
E nós, dois imãs do mesmo polo, a te confundir,
Te virando do avesso em êxtase e arrepios
E te repartindo em eternidades

Suas duas mãos. Duas armas em riste.
Você aceita ambas e acaricia
Cada um dos seus dois objetos de desejo,
Decidindo de qual abismo cada um será senhor.

Mas não há o que escolher: vamos trocando
E te girando a cada nova empreitada:
Ora eu, ora ele, atrás, na frente
Você no meio, você envolta.
Centrada.

Ele tem o vigor, eu tenho a experiência.
Você tem a nós dois, e está plena.
O prazer explode por várias veredas,
E inundamos você em torrentes de orgasmo.

Isso. Sente a ambos. Sem controle.
Brincamos com seu corpo e seu espírito,
Até que seu corpo não saiba se é fogo, líquido
Ou o tempo que te consome - espasmos em loop.

Mas, não, não és uma garota submissa:
És a dona do ritmo, que sabe o que quer.
És a deusa de duas fases de uma mesma vida,
És mulher o bastante para incendiar nós dois.

Não és território a ser conquistado:
És nosso centro de gravidade.
És senhora do jogo, és boca que ordena
"Mais fundo" a um, "Mais devagar" ao outro.

Entre a volúpia adolescente
E a calma da meia-idade,
És o centro e domina
És quem nos dita os caminhos dentro de ti.

Boa menina. Sedenta. Gulosa.
Mulher sem medo, louca para dar prazer
A nós dois - o mesmo homem, em dobro,
Presente e passado te devorando.