Leia agora
A Lenda de Ulenspiegel

Universo da obra

A Lenda de Ulenspiegel

Capítulo 157 · A Lenda de Ulenspiegel

Livro 4 — Capítulo VIII

158 de 182 ≈ 17 min de leitura

Livro 4 — Capítulo VIII

Nesse tempo, os Mendigos, entre os quais estavam Lamme e Ulenspiegel, tomaram Gorcum. Eram comandados pelo capitão Marin. Esse Marin, outrora trabalhador dos diques, pavoneava-se agora com grande altivez e suficiência, e assinou com Gaspard Turc, defensor de Gorcum, uma capitulação pela qual Turc, os monges, os burgueses e os soldados encerrados na cidadela sairiam livremente, com a bala na boca, o mosquete ao ombro e tudo quanto pudessem carregar, exceto os bens das igrejas, que ficariam para os assaltantes.

Mas o capitão Marin, por ordem do senhor de Lumey, reteve como prisioneiros os treze monges e deixou partir os soldados e os burgueses.

Ulenspiegel disse:

— Palavra de soldado deve ser palavra de ouro. Por que falta ele à sua?

Um velho Mendigo respondeu a Ulenspiegel:

— Os monges são filhos de Satanás, lepra das nações e vergonha das terras. Desde a chegada do duque de Alba, estes andam de nariz erguido em Gorcum. Há entre eles um, o padre Nicolas, mais orgulhoso que um pavão e mais feroz que um tigre. Toda vez que passava pela rua com seu santo sacramento, onde estava a hóstia feita de gordura de cão, olhava com olhos cheios de fúria as casas de onde as mulheres não saíam para ajoelhar-se e denunciava ao juiz todos os que não dobravam o joelho diante de seu ídolo de massa e cobre dourado. Os outros monges o imitavam. Isso causou muitas grandes desgraças, fogueiras e punições cruéis na cidade de Gorcum. O capitão Marin faz bem em conservar presos os monges, que, de outro modo, iriam juntar-se a seus semelhantes nas aldeias, vilas, cidades e lugarejos, pregar contra nós, atiçar o povo e fazer queimar os pobres reformados. Põem-se os mastins na corrente até que arrebentem. À corrente os monges, à corrente os bloed-honden, os cães de sangue do duque. Na jaula os carrascos. Viva o Mendigo!

— Mas — disse Ulenspiegel — monsenhor de Orange, nosso príncipe da liberdade, quer que, entre os que se rendem, sejam respeitados os bens das pessoas e a liberdade de consciência.

Os velhos Mendigos responderam:

— O almirante não o quer para os monges. Ele é o senhor. Tomou Brielle. Na jaula os monges!

— Palavra de soldado é palavra de ouro. Por que falta ele à sua? — respondeu Ulenspiegel.

Os monges retidos na prisão sofriam ali mil afrontas.

— As cinzas já não batem sobre o teu coração — disseram eles. — Cem mil famílias, por causa dos éditos, levaram para o Noroeste, para a terra da Inglaterra, os ofícios, a indústria e as riquezas de nossas terras. Tem, pois, piedade dos que causaram nossa ruína! Desde o imperador Carlos V, Carrasco Primeiro, até este, rei de sangue, Carrasco Segundo, cento e dezoito mil pessoas pereceram nos suplícios. Quem levou a vela dos funerais em meio ao assassinato e às lágrimas? Monges e soldados espanhóis. Não ouves as almas dos mortos lamentando-se?

— As cinzas batem sobre o meu coração — disse Ulenspiegel. — Palavra de soldado é palavra de ouro.

— Quem — disseram eles — quis, pela excomunhão, pôr esta terra sob o banimento das nações? Quem teria armado contra nós, se pudesse, a terra e o céu, Deus e o diabo e suas fileiras cerradas de santos e santas? Quem tingiu de sangue de boi as hóstias? Quem fez chorar as estátuas de madeira? Quem fez cantar o De profundis sobre a terra dos pais, senão esse clero maldito, essas hordas de monges ociosos, para conservar sua riqueza, sua influência sobre os adoradores de ídolos e reinar, pela ruína, pelo sangue e pelo fogo, sobre a pobre terra? Na jaula os lobos que se lançam sobre os homens em terra firme, na jaula as hienas! Viva o Mendigo!

— Palavra de soldado é palavra de ouro — respondeu Ulenspiegel.

No dia seguinte, chegou uma mensagem do senhor de Lumey, ordenando que os dezenove monges prisioneiros fossem transportados de Gorcum para Brielle, onde estava o almirante.

— Serão enforcados — disse o capitão Marin a Ulenspiegel.

— Não enquanto eu estiver vivo — respondeu ele.

— Meu filho — dizia Lamme —, não fales assim ao senhor de Lumey. Ele é feroz e te fará enforcar com eles, sem misericórdia.

— Falarei segundo a verdade — respondeu Ulenspiegel. — Palavra de soldado é palavra de ouro.

— Se puderes salvá-los — disse Marin —, conduz a barca deles até Brielle. Leva contigo Rochus, o piloto, e teu amigo Lamme, se quiseres.

— Quero — respondeu Ulenspiegel.

A barca foi amarrada ao Cais Verde. Os dezenove monges entraram nela. Rochus, o medroso, foi posto ao leme. Ulenspiegel e Lamme, bem armados, colocaram-se à proa. Soldados vadios, vindos juntar-se aos Mendigos pelo saque, estavam junto dos monges, que sentiram fome. Ulenspiegel deu-lhes de beber e comer.

— Este vai trair-nos — diziam os soldados vadios.

Os dezenove monges, sentados no meio, estavam beatíficos e tremiam, embora fosse julho, o sol estivesse claro e quente e uma brisa suave enfunasse as velas da barca, que deslizava, maciça e bojuda, sobre as ondas verdes.

O padre Nicolas falou então e perguntou ao piloto:

— Rochus, levam-nos ao Campo das Forcas?

Depois, voltando-se para Gorcum, pôs-se de pé, estendeu a mão e disse:

— Ó cidade de Gorcum! Cidade de Gorcum! Quantos males tens de sofrer! Serás maldita entre as cidades, porque fizeste crescer dentro de teus muros a semente da heresia! Ó cidade de Gorcum! O anjo do Senhor já não velará às tuas portas. Já não cuidará do pudor de tuas virgens, da coragem de teus homens, da fortuna de teus mercadores! Ó cidade de Gorcum! És maldita e desventurada!

— Maldita, maldita — respondeu Ulenspiegel —, maldita como o pente que passou arrancando os piolhos espanhóis. Maldita como o cão que rompe a corrente, como o cavalo altivo que sacode das costas um cavaleiro cruel! Maldito sejas tu mesmo, pregador tolo, que julgas mau quebrar a vara, ainda que de ferro, sobre as costas dos tiranos!

O monge calou-se e, baixando os olhos, pareceu mergulhado em ódio devoto.

Os soldados vadios que haviam vindo juntar-se aos Mendigos pelo saque estavam junto dos monges, que logo tornaram a sentir fome. Ulenspiegel pediu para eles biscoitos e arenques. O mestre da barca respondeu:

— Que sejam lançados ao Mosa. Comerão arenque fresco.

Ulenspiegel deu então aos monges todo o pão e o salsichão que tinha para si e para Lamme. O mestre da barca e os Mendigos vadios disseram uns aos outros:

— Este homem é traidor. Alimenta os monges. É preciso denunciá-lo.

Em Dordrecht, a barca parou no porto de Bloemen-Key, o Cais das Flores. Homens, mulheres, meninos e meninas acorreram em multidão para ver os monges e diziam entre si, apontando-os com o dedo ou ameaçando-os com o punho:

— Vede esses patifes fabricantes de Bons Deuses, que levam os corpos à fogueira e as almas ao fogo eterno. Vede os tigres gordos e os chacais barrigudos.

Os monges baixavam a cabeça e não ousavam falar. Ulenspiegel viu-os novamente trêmulos.

— Ainda temos fome — disseram eles —, soldado compassivo.

Mas o patrão da barca disse:

— Quem bebe sempre? A areia árida. Quem come sempre? O monge.

Ulenspiegel foi buscar na cidade pão, presunto e um grande jarro de cerveja.

— Comei e bebei — disse ele. — Sois nossos prisioneiros, mas vos salvarei, se puder. Palavra de soldado é palavra de ouro.

— Por que lhes dás isso? Eles não te pagarão — disseram os Mendigos vadios.

E, falando em voz baixa, sopraram uns aos ouvidos dos outros estas palavras:

— Prometeu salvá-los. Vigiemo-lo bem.

Ao amanhecer chegaram a Brielle. Tendo-lhes sido abertas as portas, um voet-looper, mensageiro, foi avisar o senhor de Lumey da chegada.

Assim que recebeu a notícia, ele veio a cavalo, malvestido e acompanhado de alguns cavaleiros e homens de armas a pé.

Ulenspiegel pôde ver novamente o feroz almirante, vestido como senhor altivo que vivia na opulência.

— Saudações, senhores monges — disse ele. — Erguei as mãos. Onde está o sangue dos senhores de Egmont e de Horn? Mostrais-me as patas brancas. Fica-vos bem.

Um monge chamado Léonard respondeu:

— Faze de nós o que quiseres. Somos monges. Ninguém nos reclamará.

— Falou bem — disse Ulenspiegel —, pois o monge, tendo rompido com o mundo, que é pai e mãe, irmão e irmã, esposa e amiga, não encontra, na hora de Deus, ninguém que o reclame. Contudo, Excelência, eu o quero fazer. O capitão Marin, ao assinar a capitulação de Gorcum, estipulou que estes monges seriam livres como todos os que foram presos na cidadela e dela saíram. Foram, contudo, retidos sem motivo como prisioneiros. Ouço dizer que serão enforcados. Monsenhor, dirijo-me humildemente a vós e falo por eles, pois sei que palavra de soldado é palavra de ouro.

— Quem és tu? — perguntou o senhor de Lumey.

— Monsenhor — respondeu Ulenspiegel —, sou Flamengo da bela terra de Flandres, camponês e homem nobre, tudo ao mesmo tempo, e assim caminho pelo mundo, louvando as coisas belas e boas e zombando da tolice a plenos pulmões. E quero louvar-vos, se cumprirdes a promessa feita pelo capitão. Palavra de soldado é palavra de ouro.

Mas os Mendigos vadios que estavam na embarcação disseram:

— Monsenhor, este homem é traidor. Prometeu salvá-los e lhes deu pão, presunto, salsichão e cerveja, e nada a nós.

O senhor de Lumey disse então a Ulenspiegel:

— Flamengo errante e alimentador de monges, serás enforcado com eles.

— Não tenho medo algum — respondeu Ulenspiegel. — Palavra de soldado é palavra de ouro.

— Estás bem empertigado — disse de Lumey.

— As cinzas batem sobre o meu coração — respondeu Ulenspiegel.

Os monges foram conduzidos a um celeiro, e Ulenspiegel com eles. Ali quiseram convertê-lo por meio de argumentos teológicos, mas ele adormeceu enquanto os ouvia.

Estando o senhor de Lumey à mesa, cheio de vinho e carne, chegou um mensageiro de Gorcum, enviado pelo capitão Marin, trazendo uma cópia das cartas do Taciturno, príncipe de Orange, “ordenando a todos os governadores das cidades e dos demais lugares que mantivessem os eclesiásticos sob a mesma salvaguarda, segurança e privilégio que o restante do povo”.

O mensageiro pediu para ser conduzido à presença de Lumey, a fim de entregar-lhe pessoalmente a cópia das cartas.

— Onde está o original? — perguntou de Lumey.

— Com meu senhor Marin — respondeu o mensageiro.

— E o camponês envia-me a cópia! — disse de Lumey. — Onde está teu salvo-conduto?

— Aqui está, monsenhor — respondeu o mensageiro.

O senhor de Lumey leu em voz alta:

“Meu senhor e mestre Marin Brandt ordena a todos os ministros, governadores e oficiais da república que deixem passar em segurança etc.”

De Lumey bateu com o punho sobre a mesa e rasgou o salvo-conduto:

— Sangue de Deus! De que se mete esse Marin, esse esfarrapado que, antes da tomada de Brielle, não tinha sequer uma espinha de arenque defumado para meter entre os dentes? Intitula-se senhor e mestre e envia ordens a mim! Manda e ordena! Diz a teu mestre que, já que é tão capitão e tão senhor, tão bom em mandar e ordenar, os monges serão enforcados imediatamente, bem alto e sem demora, e tu com eles, se não arrumares tua bagagem.

E, dando-lhe um pontapé, expulsou-o da sala.

— De beber! — gritou. — Vistes a insolência desse Marin? Vomitaria minha refeição de tanta fúria. Enforquem imediatamente os monges no celeiro e tragam-me o Flamengo errante depois que houver assistido ao suplício deles. Veremos se ousará dizer-me que agi mal. Sangue de Deus! Para que ainda precisamos aqui de potes e copos?

E quebrou com grande estrondo as taças e a louça, e ninguém ousava falar-lhe. Os criados quiseram recolher os cacos, mas ele não permitiu. Bebendo diretamente das garrafas, sem medida, enfurecia-se ainda mais, caminhava a passos largos e esmagava furiosamente os fragmentos sob os pés.

Ulenspiegel foi conduzido à sua presença.

— Então — perguntou-lhe de Lumey —, trazes notícias de teus amigos monges?

— Foram enforcados — respondeu Ulenspiegel. — E um carrasco covarde, que mata por interesse, abriu depois da morte a barriga e os flancos de um deles como se fosse um porco esventrado, para vender a gordura a um boticário. Palavra de soldado já não é palavra de ouro.

De Lumey, pisando os cacos da louça, disse:

— Desafias-me, patife de quatro pés. Tu também serás enforcado, não num celeiro, mas vergonhosamente na praça, diante de todo o povo.

— Vergonha sobre vós — disse Ulenspiegel —, vergonha sobre nós. Palavra de soldado já não é palavra de ouro.

— Calarás a boca, cabeça de ferro? — perguntou o senhor de Lumey.

— Vergonha sobre ti — respondeu Ulenspiegel. — Palavra de soldado já não é palavra de ouro. Pune antes os patifes mercadores de gordura humana.

O senhor de Lumey lançou-se então sobre ele e ergueu a mão para golpeá-lo.

— Bate — disse Ulenspiegel. — Sou teu prisioneiro, mas não tenho medo algum de ti. Palavra de soldado já não é palavra de ouro.

O senhor de Lumey desembainhou então a espada e certamente teria matado Ulenspiegel se o senhor Muito-Longo, detendo-lhe o braço, não houvesse dito:

— Tende piedade! É bravo e valente e não cometeu crime algum.

De Lumey então, reconsiderando:

— Que peça perdão — disse.

Mas Ulenspiegel permaneceu de pé.

— Não o farei — respondeu.

— Que diga ao menos que eu não errei! — gritou de Lumey, tornando a enfurecer-se.

Ulenspiegel respondeu:

— Não lambo as botinas dos senhores. Palavra de soldado já não é palavra de ouro.

— Ergam a forca — disse de Lumey — e levem-no. Isso lhe será palavra de cânhamo.

— Sim — disse Ulenspiegel —, e gritarei diante de todo o povo: palavra de soldado já não é palavra de ouro!

A forca foi erguida no Mercado Grande. A notícia correu depressa pela cidade: iam enforcar Ulenspiegel, o valente Mendigo. O povo comoveu-se de piedade e misericórdia e acorreu em multidão ao Mercado Grande. O senhor de Lumey também foi até lá a cavalo, querendo dar pessoalmente o sinal da execução.

Olhou sem doçura para Ulenspiegel sobre a escada, vestido para a morte, apenas com a roupa de baixo, os braços atados ao corpo, as mãos unidas, a corda ao pescoço e o carrasco pronto para fazer seu trabalho.

Muito-Longo dizia-lhe:

— Monsenhor, perdoai-lhe. Não é traidor, e nunca se viu enforcar um homem porque foi sincero e compassivo.

E os homens e as mulheres do povo, ouvindo Muito-Longo falar, gritavam:

— Piedade, monsenhor! Graça e piedade para Ulenspiegel!

— Esta cabeça de ferro desafiou-me — disse de Lumey. — Que se arrependa e diga que agi bem.

— Queres arrepender-te e dizer que ele agiu bem? — perguntou Muito-Longo a Ulenspiegel.

— Palavra de soldado já não é palavra de ouro — respondeu Ulenspiegel.

— Passe-lhe a corda — ordenou de Lumey.

O carrasco ia obedecer quando uma jovem, toda vestida de branco e coroada de flores, subiu como louca os degraus do cadafalso, lançou-se ao pescoço de Ulenspiegel e disse:

— Este homem é meu. Tomo-o por marido.

E o povo aplaudiu, e as mulheres gritaram:

— Viva, viva a jovem que salva Ulenspiegel!

— Que é isto? — perguntou o senhor de Lumey.

Muito-Longo respondeu:

— Segundo os usos e costumes da cidade, é direito e lei que uma jovem virgem ou solteira salve um homem da corda tomando-o por marido ao pé da forca.

— Deus está com ele — disse de Lumey. — Desamarrai-o.

Cavalgando então para perto do cadafalso, viu a jovem ocupada em cortar as cordas de Ulenspiegel e o carrasco querendo impedi-la, dizendo:

— Se as cortardes, quem as pagará?

Mas a jovem não o escutava.

Vendo-a tão ágil, amorosa e astuta, de Lumey enterneceu-se.

— Quem és tu? — perguntou.

— Sou Nele, sua noiva — respondeu ela —, e venho de Flandres procurá-lo.

— Fizeste bem — disse de Lumey em tom áspero.

E partiu.

Muito-Longo então se aproximou.

— Pequeno Flamengo — disse —, depois de casado ainda serás soldado em nossos navios?

— Sim, senhor — respondeu Ulenspiegel.

— E tu, jovem, que farás sem teu homem?

Nele respondeu:

— Se o quiserdes, senhor, serei pífaro em seu navio.

— Quero — disse Muito-Longo.

E deu-lhe dois florins para as núpcias.

Lamme, chorando e rindo de alegria, dizia:

— Aqui estão mais três florins. Comeremos tudo. Sou eu quem paga. Vamos ao Pente de Ouro. Ele não morreu, meu amigo. Viva o Mendigo!

O povo aplaudia, e eles foram ao Pente de Ouro, onde se encomendou um grande banquete. Lamme lançava moedas ao povo pelas janelas.

Ulenspiegel dizia a Nele:

— Encantadora amada, eis-te enfim junto de mim! Noel! Ela está aqui, carne, coração e alma, minha doce amiga. Oh, os olhos suaves e os belos lábios vermelhos, de onde nunca saíram senão boas palavras! Ela salvou minha vida, a terna amada! Tocarás em nossos navios o pífaro da libertação. Lembras-te... mas não... Nossa é a hora presente, cheia de alegria, e meu é teu rosto, doce como as flores de junho. Estou no paraíso. Mas tu choras...

— Eles a mataram — disse ela.

E contou-lhe a história de luto.

E, olhando-se um ao outro, choraram de amor e de dor.

No banquete, beberam e comeram. Lamme os contemplava pesaroso, dizendo:

— Ai! Minha mulher, onde estás?

E o padre veio e casou Nele com Ulenspiegel.

O sol da manhã encontrou-os juntos no leito de núpcias.

Nele repousava a cabeça sobre o ombro de Ulenspiegel. Quando despertou ao sol, ele disse:

— Rosto fresco e coração doce, seremos os vingadores de Flandres.

Ela, beijando-o na boca, respondeu:

— Cabeça louca e braço forte, Deus abençoará o pífaro e a espada.

— Farei para ti um traje de soldado.

— Imediatamente? — perguntou ela.

— Imediatamente — respondeu Ulenspiegel. — Mas quem diz que, pela manhã, os morangos são bons? Tua boca é muito melhor.

A Lenda de Ulenspiegel

Sinopse

A Lenda de Ulenspiegel é o grande romance épico e picaresco de Charles De Coster, obra central da literatura belga, atravessada por sátira, resistência popular e memória flamenga.

Tradução brasileira integral consolidada pelo projeto Literunico / Traduções, organizada nos cinco livros da edição francesa de 1869.

A Lenda de Ulenspiegel

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

A Lenda de Ulenspiegel

Trilha sonora oficial

Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.

Abrir no Spotify
Ir para o carrinho
Mercado de A Lenda de Ulenspiegel

Leve um fragmento deste universo

Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.

Nenhum livro físico está disponível neste universo.
Relíquias da Obra

Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!

Aguardando Aprovação do Autor
Aguardando grupo autoral A Lenda de Ulenspiegel Escolha uma Relíquia e envie uma proposta de aquisição, mesmo antes da ativação.
100Relíquias
0Titulares
0 Passagens
Central de RelíquiasDescubra coleções de outros universos e obras.
ver todas
Capítulo 157 carregado no app · 1 livro conectado 1/1
Abrir leitor completo

Capítulos disponíveis para continuar a leitura.

Capítulos de A Lenda de Ulenspiegel

Capa de A Lenda de Ulenspiegel
Continue a leitura Livro 4 — Capítulo VIII Capítulo 157 · 158 de 182 · ≈ 17 min
Todos os capítulos 182 disponíveis

Donos de Relíquias

0 titulares

Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!

Conhecer as 100 Relíquias

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Entrar para resenhar

Posses do livro

0 Leitores com posse
0 Unidades registradas

Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.

Adicionais do Universo

Visual ClássicoAbra a leitura editorial, no estilo de uma página de livro
ler
Visual AuroraApresentação imersiva do universo da obra
abrir