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A Lenda de Ulenspiegel

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A Lenda de Ulenspiegel

Capítulo 132 · A Lenda de Ulenspiegel

Livro 3 — Capítulo XXVIII

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Livro 3 — Capítulo XXVIII

Naquele tempo, o duque, dividindo seu exército em dois corpos, mandou um seguir para o ducado de Luxemburgo e o outro para o marquesado de Namur.

— É alguma resolução militar que desconheço — disse Ulenspiegel. — Pouco me importa. Sigamos confiantes para Maestricht.

Enquanto margeavam o Mosa perto da cidade, Lamme viu Ulenspiegel examinar atentamente todos os barcos que navegavam pelo rio e deter-se diante de um deles, que trazia uma sereia na proa.

A sereia segurava um escudo no qual estava traçado, em letras douradas sobre fundo negro, o sinal JHS, que é o de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ulenspiegel fez sinal a Lamme para que parasse e começou a cantar alegremente como uma cotovia.

Um homem apareceu no barco, cantou como o galo e, a um sinal de Ulenspiegel, que zurrava como asno e lhe mostrava o povo reunido no cais, começou a zurrar terrivelmente.

Os dois jumentos de Ulenspiegel e Lamme baixaram as orelhas e cantaram sua canção natural.

Passavam mulheres e também homens montados em cavalos de sirga.

Ulenspiegel disse a Lamme:

— Aquele barqueiro zomba de nós e de nossas montarias. E se fôssemos atacá-lo no barco?

— Que venha antes até aqui — respondeu Lamme.

Uma mulher falou então:

— Se não quereis voltar com os braços cortados, os rins quebrados e o focinho em pedaços, deixai esse Stercke Pier zurrar à vontade.

— Hi-han! Hi-han! Hi-han! — fazia o barqueiro.

— Deixai-o cantar — disse a comadre. — Outro dia, vimos esse homem erguer sobre os ombros uma carroça carregada de pesados tonéis de cerveja e deter outra carroça puxada por um cavalo vigoroso. Ali...

E a

— Ali ele atravessou com uma faca, lançada a vinte passos, uma prancha de carvalho de doze polegadas de espessura.

— Hi-han! Hi-han! Hi-han! — fazia o barqueiro, enquanto um menino de doze anos subia ao convés e começava também a zurrar.

Ulenspiegel respondeu:

— Não nos importa esse teu Pier, o Forte! Por mais Stercke Pier que seja, somos mais fortes que ele, e eis meu amigo Lamme, que comeria dois homens do tamanho dele sem soluçar.

— Que dizes, meu filho? — perguntou Lamme.

— O que é verdade — respondeu Ulenspiegel. — Não me contradigas por modéstia. Sim, boa gente, comadres e trabalhadores, dentro em pouco o vereis trabalhar com os braços e reduzir a nada esse famoso Stercke Pier.

— Cala-te — disse Lamme.

— Tua força é conhecida — respondeu Ulenspiegel. — Não poderias escondê-la.

— Hi-han! — fazia o barqueiro.

— Hi-han! — fazia o menino.

De repente, Ulenspiegel tornou a cantar como uma cotovia, muito melodiosamente.

E os homens, mulheres e trabalhadores, cheios de alegria, perguntavam onde aprendera aquele assobio divino.

— No paraíso, de onde venho diretamente — respondeu Ulenspiegel.

Depois, falando ao homem que não cessava de zurrar e apontá-lo com o dedo, zombando:

— Por que continuas aí, malandro, em teu barco? Não ousas vir à terra zombar de nós e de nossas montarias?

— Não ousas? — dizia Lamme.

— Hi-han! Hi-han! — fazia o barqueiro. — Senhores jumentos zurradores, subi a meu barco.

— Faze como eu — disse Ulenspiegel em voz baixa a Lamme.

E falou ao barqueiro:

— Se és Stercke Pier, eu sou Thyl Ulenspiegel. E estes dois são nossos asnos Jef e Jan, que sabem zurrar melhor que tu, pois essa é sua fala natural. Quanto a subir sobre tuas tábuas mal unidas, não o faremos. Teu barco é como uma tina: cada vez que uma onda o empurra, ele recua, e só sabe andar como os caranguejos, de lado.

— Sim, como os caranguejos! — dizia Lamme.

O barqueiro falou então a Lamme:

— Que resmungas entre os dentes, bloco de toucinho?

Lamme, entrando em fúria, disse:

— Mau cristão, que me censuras minha enfermidade, sabe que meu toucinho me pertence e vem de minha boa alimentação, enquanto tu, velho prego enferrujado, só viveste de arenques defumados, pavios de vela e peles de stockfisch, a julgar por tua carne magra, que se vê passar pelos buracos das calças.

— Vão bater-se duramente — diziam homens, mulheres e trabalhadores, alegres e curiosos.

— Hi-han! Hi-han! — fazia o barqueiro.

Lamme quis descer do asno para apanhar pedras e lançá-las contra o barqueiro.

— Não atires pedras — disse Ulenspiegel.

O barqueiro falou ao ouvido do menino, que zurrava a seu lado no barco. Este soltou uma pequena embarcação presa ao costado e, com uma vara que manejava habilmente, aproximou-se da margem.

Quando chegou bem perto, disse, mantendo-se orgulhosamente de pé:

— Meu baes pergunta se ousais subir ao barco e travar combate com ele a socos e pontapés. Estes homens e comadres serão testemunhas.

— Queremos — disse Ulenspiegel com dignidade.

— Aceitamos o combate — disse Lamme com grande orgulho.

Era meio-dia. Trabalhadores dos diques, calceteiros e construtores de navios, suas mulheres trazendo a refeição dos maridos, as crianças que vinham ver os pais restaurarem-se com favas ou carne cozida, todos riam e batiam palmas à ideia do combate próximo, esperando alegremente que um ou outro lutador tivesse a cabeça quebrada ou caísse em pedaços no rio para diverti-los.

— Meu filho — dizia Lamme em voz baixa —, ele nos lançará na água.

— Deixa que te lance — dizia Ulenspiegel.

— O gordo está com medo — dizia a multidão de trabalhadores.

Lamme, ainda sentado no asno, voltou-se para eles e fitou-os com cólera, mas eles o vaiaram.

— Vamos ao barco — disse Lamme. — Verão se tenho medo.

Ao dizer isso, foi novamente vaiado.

E Ulenspiegel disse:

— Vamos ao barco.

Depois de descerem dos asnos, entregaram as rédeas ao menino, que acariciava amigavelmente os animais e os levava para onde via cardos.

Ulenspiegel pegou a vara, fez Lamme entrar no bote e seguiu até o barco. Com o auxílio de uma corda, subiu, precedido por Lamme, que suava e bufava.

Quando chegou ao convés, Ulenspiegel abaixou-se como se quisesse amarrar as botinas e disse algumas palavras ao barqueiro, que sorriu e olhou para Lamme.

Depois vociferou contra ele mil insultos, chamando-o de malandro, inchado de gordura criminosa, semente de prisão, pap-eter, comedor de mingau, e dizendo:

— Grande baleia, quantos tonéis de óleo dás quando te sangram?

Sem responder, Lamme lançou-se de repente sobre ele como um boi furioso, derrubou-o e golpeou-o com toda a força, mas não lhe fazia grande mal por causa da fraqueza gordurosa dos braços.

O barqueiro, fingindo resistir, deixava-se bater.

E Ulenspiegel dizia:

— Esse malandro pagará a bebida.

Os homens, mulheres e trabalhadores que assistiam da margem diziam:

— Quem acreditaria que esse gordo fosse tão impetuoso?

E batiam palmas enquanto Lamme golpeava como um surdo.

Mas o barqueiro não tomava outro cuidado senão proteger o rosto.

De repente, viram Lamme com um joelho sobre o peito de Stercke Pier, segurando-o pelo pescoço com uma mão e levantando a outra para bater.

— Pede misericórdia — dizia furioso —, ou te faço atravessar as tábuas de tua tina!

O barqueiro, tossindo para mostrar que não conseguia falar, pediu misericórdia com a mão.

Então viram Lamme levantar generosamente o inimigo, que logo se encontrou de pé e, virando as costas aos espectadores, mostrou a língua a Ulenspiegel.

Este rebentava de rir ao ver Lamme sacudir orgulhosamente a pluma do gorro e caminhar em grande triunfo sobre o barco.

E homens, mulheres, meninos e meninas que estavam na margem aplaudiam o melhor que podiam, dizendo:

— Viva o vencedor de Stercke Pier! É um homem de ferro. Vistes como o golpeou com os punhos e como, com uma cabeçada, o derrubou de costas? Agora vão beber para fazer as pazes. Stercke Pier está subindo do porão com vinho e salsichões.

De fato, Stercke Pier subiu com dois canecos e uma grande jarra de vinho branco do Mosa.

E ele e Lamme fizeram as pazes.

Lamme, muito alegre por causa do triunfo, do vinho e dos salsichões, perguntou-lhe, apontando uma chaminé de ferro que lançava uma fumaça negra e espessa, que fricassês preparava no porão.

— Cozinha de guerra — respondeu Stercke Pier, sorrindo.

A multidão de trabalhadores, mulheres e crianças dispersou-se para voltar ao serviço ou à casa. Logo correu de boca em boca a notícia de que um gordo montado num asno e acompanhado por um pequeno peregrino, também montado num asno, era mais forte que Sansão, e que era preciso guardar-se de ofendê-lo.

Lamme bebia e contemplava vitoriosamente o barqueiro.

Este disse de repente:

— Vossos asnos estão se aborrecendo lá embaixo.

Depois, aproximando o barco do cais, desceu à terra, pegou um dos asnos pelas patas dianteiras e traseiras e, carregando-o como Jesus carregava o cordeiro, depositou-o no convés.

Fez o mesmo com o outro, sem sequer perder o fôlego.

E disse:

— Bebamos.

O menino saltou para o convés.

E beberam.

Lamme, assombrado, já não sabia se fora realmente ele, natural de Damme, quem vencera aquele homem robusto. E só ousava olhá-lo de esguelha, sem triunfo algum, temendo que lhe viesse a vontade de agarrá-lo como fizera com os asnos e lançá-lo vivo no Mosa, por rancor da derrota.

Mas o barqueiro, sorrindo, convidou-o alegremente a beber mais. Lamme recuperou-se do medo e tornou a fitá-lo com segurança vitoriosa.

E o barqueiro e Ulenspiegel riam.

Nesse meio-tempo, os asnos, espantados de se encontrarem sobre um piso que não era o do estábulo, haviam baixado a cabeça, deitado as orelhas e, por medo, não ousavam beber.

O barqueiro foi buscar-lhes uma porção de aveia daquelas que dava aos cavalos que puxavam o barco, depois de comprá-la pessoalmente, para não ser roubado pelos condutores no preço da forragem.

Ao verem a aveia, os asnos murmuraram suas orações com a boca, olhando melancolicamente o convés e não ousando mover os cascos por medo de escorregar.

Então o barqueiro disse a Lamme e Ulenspiegel:

— Vamos à cozinha.

— Cozinha de guerra — disse Lamme, inquieto.

— Cozinha de guerra. Mas podes descer sem medo, meu vencedor.

— Não tenho medo e te sigo — disse Lamme.

O menino tomou o leme.

Ao descerem, viram por toda parte sacos de grãos, favas, ervilhas, couves, cenouras e outros legumes.

O barqueiro disse-lhes, abrindo a porta de uma pequena forja:

— Já que sois homens de coração valente, conheceis o canto da cotovia, ave dos homens livres, o clarim guerreiro do galo e o zurro do asno, doce trabalhador, quero mostrar-vos minha cozinha de guerra. Esta pequena forja pode ser encontrada na maior parte dos barcos do Mosa. Ninguém pode suspeitar dela, pois serve para consertar as ferragens dos navios. Mas o que nem todos possuem são os belos legumes guardados nestes armários.

Afastando algumas pedras que cobriam o fundo do porão, levantou algumas tábuas e retirou um belo feixe de canos de arcabuzes. Erguendo-o como se fosse uma pena, tornou a colocá-lo no lugar.

Depois mostrou-lhes pontas de lança, alabardas, lâminas de espada, saquinhos de balas e pólvora.

— Viva o Mendigo! — disse ele. — Aqui estão as favas e o molho. As coronhas são pernas de carneiro, as saladas são os ferros das alabardas, e estes canos de arcabuz são jarretes de boi para a sopa da liberdade. Viva o Mendigo! Aonde devo levar este alimento?

Ulenspiegel respondeu:

— A Nimega, onde entrarás com o barco ainda mais carregado de legumes verdadeiros, trazidos por camponeses que recolherás em Etsen, Stephansweert e Ruvemarde. Eles também cantarão como a cotovia, ave dos homens livres, e tu responderás com o clarim guerreiro do galo. Irás à casa do doutor Pontus, que mora perto do Nieuwe-Waal. Dir-lhe-ás que entraste na cidade com legumes, mas temes a seca. Enquanto os camponeses forem ao mercado vender os legumes por preço alto demais para que alguém os compre, ele te dirá o que fazer com as armas. Contudo, penso que mandará seguir, não sem perigo, pelo Wahal, pelo Mosa ou pelo Reno, trocando os legumes por redes para vender, e navegar com os barcos de pesca de Harlingen, onde há muitos marinheiros que conhecem o canto da cotovia; depois seguir pela costa através dos Waden, alcançar o Lauwer-Zee, trocar as redes por ferro e chumbo, dar aos camponeses trajes de Marken, Vlieland ou Ameland, permanecer algum tempo nas costas, pescando e salgando o peixe para guardar, não para vender, pois beber fresco e guerrear salgado é coisa legítima.

— Então bebamos — disse o barqueiro.

E subiram ao convés.

Mas Lamme, remoendo melancolia, disse de repente:

— Senhor barqueiro, tendes em vossa forja um pequeno fogo tão brilhante que certamente nele se prepararia o mais saboroso dos hochepots. Minha garganta está sedenta de sopa.

— Vou refrescar-te — disse o homem.

E logo lhe serviu uma sopa gordurosa, na qual fizera ferver uma grossa fatia de presunto salgado.

Depois de engolir algumas colheradas, Lamme disse ao barqueiro:

— Minha garganta descasca, minha língua arde. Isto não é hochepot.

— Beber fresco e guerrear salgado, assim estava escrito — respondeu Ulenspiegel.

O barqueiro encheu então os canecos e disse:

— Bebo à cotovia, ave da liberdade.

Ulenspiegel disse:

— Bebo ao galo, que toca o clarim da guerra.

Lamme disse:

— Bebo à minha mulher. Que ela nunca tenha sede, a bem-amada.

— Seguirás até Emden pelo mar do Norte — disse Ulenspiegel ao barqueiro. — Emden é nosso refúgio.

— O mar é grande — disse o barqueiro.

— Grande para a batalha — disse Ulenspiegel.

— Deus está conosco — disse o barqueiro.

— Quem, então, será contra nós? — replicou Ulenspiegel.

— Quando partis? — perguntou o barqueiro.

— Agora mesmo — respondeu Ulenspiegel.

— Boa viagem e vento pela popa. Aqui tendes pólvora e balas.

E, beijando-os, conduziu-os para fora, depois de carregar os dois asnos, como cordeirinhos, sobre o pescoço e os ombros.

Ulenspiegel e Lamme montaram-nos e partiram em direção a Liège.

— Meu filho — disse Lamme enquanto caminhavam —, como aquele homem tão forte deixou-se bater tão cruelmente por mim?

— Para que, por toda parte onde formos, o terror te preceda — respondeu Ulenspiegel. — Será para nós escolta melhor que vinte lansquenetes. Quem ousará agora atacar Lamme, o poderoso, o vitorioso; Lamme, o touro sem igual, que derrubou com uma cabeçada, à vista e com o conhecimento de todos, Stercke Pier, Pier, o Forte, que carrega asnos como cordeiros e ergue sobre um ombro uma carroça inteira de tonéis de cerveja? Todos já te conhecem aqui. És Lamme, o Terrível, Lamme, o Invencível, e eu caminho sob a proteção de tua força. Todos te conhecerão na estrada que vamos percorrer. Ninguém ousará olhar-te com maus olhos e, considerando a grande coragem dos homens, encontrarás por todo o caminho apenas reverências, saudações, homenagens e venerações dirigidas à força de teu punho temível.

— Falas bem, meu filho — disse Lamme, endireitando-se sobre a sela.

— E digo a verdade — replicou Ulenspiegel. — Vês aqueles rostos curiosos nas primeiras casas deste povoado? Apontam Lamme, o vencedor horrível. Vês aqueles homens que te olham com inveja e aqueles covardes miseráveis que tiram os chapéus? Responde-lhes à saudação, Lamme, meu querido. Não desprezes o povo fraco. Vê, as crianças sabem teu nome e o repetem com medo.

E Lamme passava orgulhosamente, saudando à direita e à esquerda como um rei.

E a notícia de sua valentia o seguiu de burgo em burgo, de cidade em cidade, até Liège, Chocquien, La Neuville, Vesin e Namur, que evitaram por causa dos três pregadores.

Assim caminharam durante muito tempo, seguindo rios, ribeiros e canais.

E por toda parte o canto do galo respondia ao canto da cotovia.

E por toda parte, para a obra da liberdade, examinavam, batiam e poliam as armas que partiam em navios ao longo das costas.

E elas passavam pelas alfândegas dentro de tonéis, caixas e cestos.

E sempre havia boa gente para recebê-las e escondê-las em lugar seguro, com a pólvora e as balas, até a hora de Deus.

E Lamme, seguindo com Ulenspiegel, sempre precedido pela reputação de vencedor, começou ele próprio a acreditar em sua grande força. Tornando-se orgulhoso e belicoso, deixou crescer a barba.

E Ulenspiegel chamou-o Lamme, o Leão.

Mas Lamme não permaneceu constante nesse propósito, por causa das cócegas causadas pelo crescimento dos pelos, no quarto dia.

E passou a navalha sobre o rosto vitorioso, que apareceu novamente a Ulenspiegel redondo e cheio como um sol aceso pelo fogo da boa comida.

Foi assim que chegaram a Stockem.

A Lenda de Ulenspiegel

Sinopse

A Lenda de Ulenspiegel é o grande romance épico e picaresco de Charles De Coster, obra central da literatura belga, atravessada por sátira, resistência popular e memória flamenga.

Tradução brasileira integral consolidada pelo projeto Literunico / Traduções, organizada nos cinco livros da edição francesa de 1869.

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