Carta V
MINHA SENHORA. Farei o que me manda. Plantarei arvores frutíferas para nós, para os nossos amigos, para os colonos e para os passarinhos! As suas roseiras chegaram bem, mas sem nome, pendendo enforcados dos seus galhos curtos simples algarismos de catálogos, que não lhes bastam para batismo. O negro Thomaz está contentissimo com as suas novas atribuições. Hoje estive trabalhando no jardim com ele, até a hora do almoço, que devorei com um apetite ainda desconhecido por mim. Mamai disse que nunca me viu tão corada ! Mal sabia a minha mãizinha em que eu estava pensando ! Pensava em pedir á minha boa amiga D. Fernanda que me ensine a cultivar violetas, que sempre foram a sua flor predileta, e cujos 3 a ramos brilharão nas grandes e velhas salas do Remanso, como jóias em escrinios csfolados... Vou-lhe dizer uma coisa grave: a Clara ficou com a sua pontinha de inveja pelo presente que eu recebi e já muito particularmente me confidenciou que se acha também com animo para fazer algo pela gloria do Remanso. Se ela criasse pombos ? Que lhe parece ? Vacilo entre pombos e coelhos, desses todos brancos que se enovelam como grandes ponpons de pó de arroz... Dizem que ha coelhos azuis. Será verdade '! Quanto ás galinhas têm muitos inconvenientes : o piolho, a peste, a gosma, as boubas, o diabo ! ah, perdão ! lá se me escapou da pena o nome do inimigo. Ainda bem que já não estou no colégio, porque seria certo o castigo ; assim, se eu tivesse tempo, rasgaria esta carta e começaria outra; mas o Salustiano está aqui em pé diante de mim, só á espera deste papel, para partir. Aconselhe-me, perdoe-me e receba em um beijo toda a alma da sua grata JOANNINHA.