Carta LVIII Correio da Roça · Capítulo 54 de 54
Obra Menu

Carta LVIII

QUERIDA FERNANDA. E' esta a ultima carta que neste mez te escreverei do Remanso, de onde parto cm breve para comprar no Rio o enxoval da minha Cordelia, que se casará dentro de dois mezes com o engenheiro eletricista de quem te falamos varias vezes, Cesario Malheiros, e que me parece digno da felicidade que lhe proporciono concedendo-lbe a mão de minha filha. Esta ficará morando na Tapera, que batisámos agora com o nome de Resurreição e que está mais perto de Pedrinhas e da uzina do Cesario. Este rapaz inspira-me confiança e sinto que ele está sinceramente apaixonado pela noiva, que mal disfarça também a sua ternura. Felizmente, Clara e Joanninha são ainda muito crianças e não pensarão tão cedo em deixar-me... Senão, que seria de mim? Entretanto,começa a debandada e não te escondo que mundo de QOQ tristezas isso me causa, filha ! Emfim, é preciso ser forte, e eis a razão porque hontem cantei, conforme te tomunicaram já! Queres saber uma ooisa engraçada ? Agora ninguém quer •acompanhar-hié á capital ! Cordelia lamenta .deixar a sua escola; Clara os seus pássaros, as suas galinhas e marrecos de Pekim, as danças do terreiro e os seus ensaios de musica com as crianças da Colônia. Só Joanninha quer ir commigo, manifestando todavia pena de deixar o seu pomar, o jardim, as suas plantações de cereais; e todas : a atividade das suas idas e vindas ao cafezal; aos campos de culturas; ao hospital; ao moinho, cada vez mais pitoresco e á colônia. Compara esta carta á primeira que te escrevi e vê de que milagres é capaz o trabalho! Um grande beijo! MARIA. FIM

1/1
Menu

Fazer anotação