Cartas LVI-LVII
LVl MINHA CJCERIDA AMIGA. Trouxe do meu jardim uma braçada de rosas, cada qual mais linda, cspalhci-as por todas as salas da nossa residência, que está hoje cm festa. As violetas, que me ensinou a cultivar, brilham cm ramalhetes por cima das nossas mesas e do piano. A' hora cm que lhe escrevo oiço cantar as pássaros livres, a quem Claiinha fornece todas as manhãs um punhado de alpiste e migalhas de pão, e vejo Cordelia seguir, loira e linda, entre um grupo de pequenos dicipulos pela Alameda do Eslio cm direção á escola do bosque das jabotícabeiras. Hoje é dia de exames para a entrada das férias, e vamos fazer uma distribuição de prêmios! Minha Mãi canta, na sala ao lado, ao mesmo tempo que trabalha. E' a primeira vez que a oiço cantar depois que enviuvou! O pomar está lindo ; os carreadores ladeados de arvores frutíferas ; os cafezais prometedores e os colonos contentes com a ordem e o conforto da fazenda. Como se respira bem no meio de tudo isto, minha santa amiga! Lembra-se do pequeno caboclo, neto dos velhos da Tapera? Pois está adeantadissimo e passa de amanhã em deante a exercer o cargo de adjunto, ensinando leitura e rudimentos de aritmética e escripta. Tudo vai em progresso! Morro ainda por lhe contar outra novidade, mas temendo ser indiscreta deixo-a para quem tenha mais direito de o fazer. Por tudo que lhe devo, toda a minha ternura! JOANNA. P. S. — Diga ao Eduardo que eu gostei muito do conto. LVII (Telegrama) Parabéns. Cesario um anjo ! EDUARDO.