Carta XLV
MINHA SENHORA. Peço-lhe que me compre uma harmônica bem bonita, para eu dar de presente ao velho Alexandre, tocador dos bailados. Ele é serviçal e presta-se de bom grado a tocar para fazer dansar as moças e as crianças da colônia. Organizei agora um bailado novo de muito efeito, interrompido por cantos a duas vozes. Não creia que isto dê pouco trabalho. Dá algum; mas é compensado pela distração que nos proporciona e pela onda de alegria que espalha por toda a zona do Remanso. O Alexandro tem uma harmônica, mas não me parece que ela esteja muito disposta a resistir ainda por algum tempo aos exercícios que lhe destino... coitada. O Salustiano é violeiro, mas quando canta é uma desgraça; a voz sai-lhe aos arrancos e obriga o gado a responder-lhe em mugidos. Imagine! Fica então combinado, sim ? Escolha-nos uma IJO harmônica ou concertina bem vistosa e eu lho descreverei depois a cara do velho Alexandre, quando eu lh'a oferecer ! Ele vai ficai' como vido e eu também... Que quer! Tenho-lhe amisade. Abrace-me com a sua costumada meiguice e perdoe mais esta maçada á sua CLARA.