Dedicatória Espumas Flutuantes · Capítulo 4 de 48
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Dedicatória

A pomba d′alliança o vôo espraia

Na superficie azul do mar immenso,

Rente... rente da espuma já desmaia

Medindo a curva do horizonte extenso...

Mas um disco se avista ao longe... A praia

Rasga nitente o nevoeiro denso!...

Ó pouso! ó monte! ó ramo de oliveira!

Ninho amigo da pomba forasteira!...

Assim, meu pobre livro as azas larga

Neste oceano sem fim, sombrio, eterno...

O mar atira-lhe a saliva amarga,

O céu lhe atira o temporal de inverno...

O triste verga á tão pesada carga!

Quem abre ao triste um coração paterno?...

É tão bom ter por arvore — uns carinhos!

É tão bom de uns affectos — fazer ninhos!

Pobre orphão! Vagando nos espaços

Embalde ás solidões mandas um grito!

Que importa? De uma cruz ao longe os braços

Vejo abrirem-se ao misero precito...

Os tumulos dos teus dão-te regaços!

Ama-te a sombra do salgueiro afflicto...

Vai, pois, meu livro! e como louro agreste

Traz-me no bico um ramo de... cypreste!

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