Boa Noite Espumas Flutuantes · Capítulo 23 de 48
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Boa Noite

Veux-tu donc partir? Le jour est encore éloigné

C'était le rossignol et non pas l'aloustte

Dont le chant a frappé ton oreille inquiete;

Il chante la nuit sur les branches de ce grenadier,

Crois-moi, cher ami, c'était le rossignol.

SHAKESPEARE

Boa-noite, Maria! Eu vou-me embora.

A lua nas janelas bate em cheio.

Boa-noite, Maria! É tarde... é tarde...

Não me apertes assim contra teu seio.

Boa-noite!... E tu dizes — Boa-noite.

Mas não digas assim por entre beijos...

Mas não mo digas descobrindo o peito

— Mar de amor onde vagam meus desejos.

Julieta do céu! Ouve... a calhandra

Já rumoreja o canto da matina.

Tu dizes que eu menti?... pois foi mentira...

... Quem cantou foi teu hálito, divina!

Se à estrela-d'alva os derradeiros raios

Derrama nos jardins do Capuleto,

Eu direi, me esquecendo d'alvorada:

"É noite ainda em teu cabelo preto..."

E noite ainda! Brilha na cambraia

— Desmanchado o roupão, a espádua nua —

O globo de teu peito entre os arminhos

Como entre as névoas se balouça a lua...

É noite, pois! Durmamos, Julieta!

Recende a alcova ao trescalar das flores,

Fechemos sobre nós estas cortinas...

— São as asas do arcanjo dos amores.

A frouxa luz da alabastrina lâmpada

Lambe voluptuosa os teus contornos...

Oh! Deixa-me aquecer teus pés divinos

Ao doudo afago de meus lábios mornos.

Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos

Treme tua alma, como a lira ao vento,

Das teclas de teu seio que harmonias,

Que escalas de suspiros, bebo atento!

Ai! Canta a cavatina do delírio,

Ri, suspira, soluça, anseia e chora...

Marion! Marion!... É noite ainda.

Que importa os raios de uma nova aurora?!...

Como um negro e sombrio firmamento,

Sobre mim desenrola teu cabelo...

E deixa-me dormir balbuciando:

— Boa-noite!, formosa Consuelo!...

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