A volta da primavera Espumas Flutuantes · Capítulo 19 de 48
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A volta da primavera

Aime, et tu renaltras; fais-toi fleur pour éclore.

Après avoir souffert, il faut souffrir encore;

Il faut aimer sans cesse, après a voair aimé.

(

A de Musset.

)

Ai! não maldigas minha fronte pallida,

E o peito gasto ao referver de amores.

Vegetam louros — na caveira esqualida

E a sepultura se reveste em flores.

Bem sei que um dia o vendaval da sorte

Do mar lançou-me na gelada arêa.

Serei... que importa? o

D. Juan

da morte,

Dá-me o teu seio — tu serás

Haydéa

!

Pousa esta mão — nos meus cabellos humidos!...

Ensina á briza ondulações suaves!

Dá-me um abrigo nos teus seios tumidos!

Falla!... que eu ouço o pipilar das aves!

Já viste ás vezes, quando o sol de Maio

Inunda o valle, o matagal e a veiga?

Murmura a relva: — Que suave raio!

Respondo o ramo: — Como a luz é meiga!

E ao doce influxo do clarão do dia

O junco exhausto, que cedèra á enchente.

Levanta a fronte da lagôa fria...

Mergulha a fronte na lagôa ardente...

Se a natureza apaixonada acorda

Ao quente afago do celeste amante,

Diz: — Quando em fogo o teu olhar transborda,

Não vês minh′alma reviver ovante?

É que teu riso me peneira n′alma,

Como a harmonia de uma orchestra sancta,

É que teu riso tanta dôr acalma...

Tanta descrença!... tanta angustia!... tanta!

Que eu digo ao ver tua celeste fronte:

— O céo consola toda a dôr que existe.

Deus foz a neve para — o negro monte!

Deus fez a virgem para — o bardo triste!

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