Murmúrios da tarde Espumas Flutuantes · Capítulo 33 de 48
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Murmúrios da tarde

Écoute! tout se tait; songe à ta bien-aimée

Ce soir, sous les tilleuls, à la sombre ramée,

Le rayon du couchant laisse un adieu plus doux,

Ce soir, tout va fleurir: I'irnmortelle nature

Se remplit de parfuns, d'amour et de murmure

Comme le lit joyeux de deux jeunes époux.

A. DE MUSSET

Rosa! Rosa de amor purpúrea e bela! '

GARRET

Ontem à tarde, quando o sol morria,

A natureza era um poema santo,

De cada moita a escuridão saia,

De cada gruta rebentava um canto,

Ontem à tarde, quando o sol morria.

Do céu azul na profundeza escura

Brilhava a estrela, como um fruto louro,

E qual a foice, que no chão fulgura,

Mostrava a lua o semicirc'lo d'ouro,

Do céu azul na profundeza escura.

Larga harmonia embalsamava os ares!

Cantava o ninho-suspirava o lago...

E a verde pluma dos sutis palmares

Tinha das ondas o murmúrio vago...

Larga harmonia embalsamava os ares.

Era dos seres a harmonia imensa,

Vago concerto de saudade infinda!

"Sol — não me deixes", diz a vaga extensa,

"Aura-não fujas", diz a flor mais linda;

Era dos seres a harmonia imensa!

"Leva-me! leva-me em teu seio amigo"

Dizia às nuvens o choroso orvalho,

"Rola que foges", diz o ninho antigo,

'Leva-me ainda para um novo galho...

Leva-me! leva-me em teu seio amigo."

"Dá-me inda um beijo, antes que a noite venha!

Inda um calor, antes que chegue o frio..."

E mais o musgo se conchega à penha

E mais à penha se conchega o rio...

"Dá-me inda um beijo, antes que a noite venha!

E tu no entanto no jardim vagavas,

Rosa de amor, celestial Maria...

Ai! como esquiva sobre o chão pisavas,

Ai! como alegre a tua boca ria...

E tu no entanto no jardim vagavas.

Eras a estrela transformada em virgem!

Eras um anjo, que se fez menina!

Tinhas das aves a celeste origem.

Tinhas da lua a palidez divina,

Eras a estrela transformada em virgem!

Flor! Tu chegaste de outra flor mais perto,

Que bela rosa! que fragrância meiga!

Dir-se-ia um riso no jardim aberto,

Dir-se-ia um beijo, que nasceu na veiga...

Flor! Tu chegaste de outra flor mais perto!...

E eu, que escutava o conversar das flores,

Ouvi que a rosa murmurava ardente:

"Colhe-me, ó virgem, não terei mais dores,

Guarda-me, ó bela, no teu seio quente...

"E eu escutava o conversar das flores.

"Leva-me! leva-me, ó gentil Maria!"

Também então eu murmurei cismando...

Minh'alma é rosa, que a geada esfria...

Dá-lhe em teus seios um asilo brando...

"Leva-me! leva-me, ó gentil Maria!..."

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