Ode ao Dous de Julho Espumas Flutuantes · Capítulo 35 de 48
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Ode ao Dous de Julho

Era no dous de julho. A pugna imensa

Travara-se nos cerros da Bahia...

O anjo da morte pálido cosia

Uma vasta mortalha em Pirajá.

"Neste lençol tão largo, tão extenso,

"Como um pedaço roto do infinito...

O mundo perguntava erguendo um grito:

"Qual dos gigantes morto rolará?!..."

Debruçados do céu... a noite e os astros

Seguiam da peleja o incerto fado...

Era a tocha — o fuzil avermelhado!

Era o Circo de Roma-o vasto chão!

Por palmas-o troar da artilharia!

Por feras-os canhões negros rugiam!

Por atletas-dous povos se batiam!

Enorme anfiteatro — era a amplidão!

Não! Não eram dous povos, que abalavam

Naquele instante o solo ensangüentado...

Era o porvir-em frente do passado,

A Liberdade-em frente à Escravidão,

Era a luta das águias — e do abutre,

A revolta do pulso-contra os ferros,

O pugilato da razão — com os erros,

O duelo da treva-e do clarão!...

No entanto a luta recrescia indômita...

As bandeiras — como águias eriçadas —

Se abismavam com as asas desdobradas

Na selva escura da fumaça atroz...

Tonto de espanto, cego de metralha,

O arcanjo do triunfo vacilava...

E a glória desgrenhada acalentava

O cadáver sangrento dos heróis!...

Mas quando a branca estrela matutina

Surgiu do espaço... e as brisas forasteiras

No verde leque das gentis palmeiras

Foram cantar os hinos do arrebol,

Lá do campo deserto da batalha

Uma voz se elevou clara e divina:

Eras tu— Liberdade peregrina!

Esposa do porvir-noiva do sol!...

Eras tu que, com os dedos ensopados

No sangue dos avós mortos na guerra,

Livre sagravas a Colúmbia terra,

Sagravas livre a nova geração!

Tu que erguias, subida na pirâmide,

Formada pelos mortos de Cabrito,

Um pedaço de gládio — no infinito...

Um trapo de bandeira — n'amplidão!...

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