Sub tegmine fagi Espumas Flutuantes · Capítulo 15 de 48
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Sub tegmine fagi

A

MELLO MORAES

Dieu parle dans le calme plus haut que dans la tempête.

(

Mickiewicz

).

Deus nobis hæc otia fecit.

(

Virgilio

).

Amigo! O campo é o ninho do poeta...

Deus falla, quando a turba está quieta,

As campinas em flor.

— Noivo — Elle espera que os convivas saiam.

E n′alcova onde as lampadas desmaiam

Então murmura. — Amor!

Vem commmigo scismar risonho e grave...

A poesia — é uma luz... e alma — uma ave...

Querem trevas e ar.

A andorinha, que é a alma — pede o campo,

A poesia quer sombra — é o pyrilampo...

P′ra voar... p′ra brilhar.

Meu Deus! Quanta belleza nessas trilhas...

Que perfume nas doces maravilhas,

Onde o vento gemeu!...

Que flores d′ouro pelas veigas bellas!

Foi um anjo co′a mão cheia de estrellas

Que na terra as perdeu.

Aqui o ether puro se adelgaça...

Não sobe esta blasphemia de fumaça

Das cidades p′ra o céo.

E a Terra é como o insecto friorento

Dentro da flor azul do firmamento,

Cujo calix pendeu!...

Qual no fluxo e refluxo, o mar em vagas

Leva a concha dourada... e traz das plagas

Coraes em turbilhão,

A mente leva a prece a Deus — por perolas,

E traz, volvendo após das praias cerulas,

— Um brilhante — o perdão!

A alma fica melhor no descampado...

O pensamonto indomito, arrojado

Galopa no sertão.

Qual nos steppes o corsel fogoso

Relincha e parte turbulento, estoso,

Sólta a crina ao tufão.

Vem! Nós iremos na floresta densa,

Onde na arcada gothica e suspensa

Reza o vento feral.

Enorme sombra cae da enorme rama...

É o

Pagode

fantastico de

Brahma

Ou velha cathedral.

Irei comtigo pelos ermos — lento,

Scismando, ao pôr do sol, n′um pensamento

Do nosso velho Hugo.

— Mestre do mundo! Sol da eternidade!...

Para ter por planeta a humanidade,

Deus n′um

cerro

o

fixou

.

Ao longe, na quebrada da collina,

Enlaça a trepadeira purpurina

O negro mangueiral...

Como no

Dante

a pallida

Francesca

,

Mostra o sorriso rubro e a face fresca

Na estrophe sepulchral.

O povo das formosas Amaryllis

Embala-se nas balsas, como as Willis

Que o

Norte

imaginou.

O antro — falla... o ninho s′estremece...

A Dryade entre as folhas apparece...

Pan na flauta soprou!...

Mundo estranho e bizarro da chimera,

A fantasia desvairada gera

Um paganismo aqui.

Melhor eu comprehendo então

Virgilio

...

E vendo os Faunos lhe dansar no idylio

Murmuro crente: — eu vi! —

Quando penetro na floresta trisie,

Qual pela ogiva gothica o anthiste

Que procura o Senhor,

Como bebem as aves peregrinas

Nas amphoras de orvalho das boninas,

Eu bebo crença e amor!...

E á tarde, quando o sol — condor sangrento,

No occidente se aninha somnolento,

Como a abelha na flor...

E a luz da estrella tremula se irmana

Co′a fogueira nocturna da cabana,

Que ascendéra o pastor,

A lua — traz um raio para os mares...

A abelha — traz o mel... um threno aos lares

Traz a rola a carpir....

Tambem deixa o poeta a selva escura

E traz alguma estrophe, que fulgura,

P′ra legar ao porvir!...

Vem! Do mundo leremos o problema

Nas folhas da floresta ou do poema,

Nas trevas ou na luz...

Não vês?... Do céo a cupola azulada,

Como uma taça sobre nós voltada,

Lança a poesia á flux!...

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