Hebréa Espumas Flutuantes · Capítulo 6 de 48
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Hebréa

Flos campi et lilium convallium

Cant. dos Canticos

.

Pomba d′esp′rança sobre um mar d′escolhos!

Lyrio do valle oriental, brilhante!

Estrella vesper do pastor errante!

Ramo de murta a rescender cheirosa!...

Tu és, ó filha de Israel formosa...

Tu és, ó linda, seductora Hebréa...

Pallida rosa da infeliz Judéa

Sem ter o orvalho que do céo deriva!

Porque descoras quando a tarde esquiva

Mira-se triste sobre o azul das vagas?

Serão saudades das infindas plagas,

Onde a oliveira no Jordão se inclina?

Sonhas acaso, quando o sol declina,

A terra santa do Oriente immenso?

E as caravanas no deserto extenso?

E os pegureiros da palmeira á sombra?!...

Sim, fôra bello na relvosa alfombra,

Junto da fonte onde Rachel gemêra

Viver comtigo qual Jacob vivera,

Guiando escravo teu feliz rebanho...

Depois nas aguas do cheiroso banho

— Como Suzana a estremecer de frio —

Fitar-te, ó flor do babylonio rio,

Fitar-te a medo no salgueiro occulto...

Vem pois!... Comtigo no deserto inculto

Fugindo ás iras de Saul embora,

David eu fôra, — se Michol tu fôras,

Vibrando na harpa do propheta o canto..

Nào vês?... Do seio me gotteja o pranto

Qual da torrente do Cedron deserto!...

Como luctara o patriarcha incerto

Lutei, meu anjo, mas cahi vencido.

Eu sou o Lothus para o chão pendido.

Vem ser o orvalho oriental, brilhante!...

Ai! guia o passo ao viajor perdido,

Estrella vesper do pastor errante...

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