Ao Dous de Julho Espumas Flutuantes · Capítulo 11 de 48
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Ao Dous de Julho

(recitada no theatro de S. João)

É a hora das epopéas,

Das Iliadas reaes.

Ruge o vento — do passado

Pelos mares sepulchraes.

É a hora em que a Eternidade

Dialoga a Immortalidade...

Falla o heróe com Jehovah!...

E Deus — nas celestes plagas —

Colhe da gloria nas vagas

Os mortos de Pirajá.

Ha destes dias augustos

Na tumba dos Briaréos.

Como que Deus baixa á terra

Sem mesmo descer dos céos.

É que essas lousas rasteiras

São — gigantes cordilheiras

Do Senhor aos olhos nús.

É que essas brancas ossadas

São — columnas arrojadas

Dos infinitos azues.

Sim! Quando o tempo entre os dedos

Quebra um sec′lo, uma nação...

Encontra nomes tão grandes

Que não lhe cabem na mão!...

Heróes! Como o cedro augusto

Campêa rijo e vetusto

Dos sec′los ao perpassar,

Vós sois os cedros da historia,

A cuja sombra de gloria

Vai-se o Brasil abrigar.

E nós que somos faiscas

Da luz desses arrebóes,

Nós, que somos borboletas

— Das chrysalidas de avós,

Nós, que entre as bagas dos cantos,

Por entre as gottas dos prantos

Inda os sabemos chorar,

Podemos dizer: — «Das campas

Sacudi as frias tampas!

Vinde a Patria abençoar!...

Erguei-vos, santos fantasmas!

Vós não tendes que corar...

(Porque eu sei que o filho torpe

Faz o morto soluçar...)

Gemem as sombras dos Gracchos,

Dos Catões, dos Spartacos,

Vendo seus filhos tão vis...

Dize-o tu, soberbo Mario!

Tu, que ensopas o sudario

Vendo Roma — meretriz!...

Al! Que lagrimas candentes

Choram orbitas sem luz!

Que idéa terá Leonidas

Vendo Sparta nos paúes?!...

Alta noite, quando pena

Sobre Arcole, sobre Iena,

Bonaparte — o rei dos reis,

Que dôr d′alma lhe rebenta.

Ao ver su′aguia sangrenta

No sabre de Juarez?!...

Porém aqui não ha grito,

Nem pranto, nem ai, nem dôr...

O presente não desmente

Do seu ninho de condor...

Mãos, que, outr′ora de crianças

A rir — dentaram as lanças

Dos velhos de Pirajá...

De homens hoje, as empunhando,

Nas batalhas afiando,

Vão caminho de Humaitá!...

Basta!... Curvai-vos, ó povo!...

Eil-os os vultos sem par,

Só de joelhos podemos

Nest′hora augusta fitar

Riachuelo e Cabrito,

Que sobem para o infinito

Como jungidos leões,

Puxando os carros dourados

Dos meteóros largados

Sobre a noite das nações.

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