A Maciel Pinheiro Espumas Flutuantes · Capítulo 20 de 48
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A Maciel Pinheiro

Dieu soit en aide au pieux pélerin.

(

Bouchard.

)

Partes, amigo, do teu antro de aguias.

Onde gerava um pensamento enorme,

Tingindo as azas no levante rubro,

Quando nos valles inda a sombra dorme...

Na fronte vasta, como um céo de idéas,

Aonde os astros surgem mais e mais...

Quizeste a luz das boreaes auroras...

Deus acompanhe o peregrino audaz.

Verás a terra da infeliz Moema,

Bem como a Venus se elevar das vagas;

Das serenatas ao luar dormida,

Que o mar murmura nas douradas plagas.

Terra de glorias, de canções e brios,

Sparta, Athenas, que não têm rivaes...

Que á voz da pátria deixa a lyrae ruge...

Deus acompanhe o peregrino audaz.

E quando o barco atravessar os mares

Quaes pandas azas, desfraldando a vela,

Ha de surgir-t′esse

gigante immenso

,

Que sobre os morros campeando vela...

Symb′lo de pedra, que o cinzel dos raios

Talhou nos montes, que se alteam mais...

Atlas com a fórma do gigante povo...

Deus acompanhe o peregrino audaz.

Vai nas planicies dos infindos pampas

Erguer a tenda do soldado vate...

Livre... bem livre a

Marselhesa

aos echos

Soltar bramindo no feroz combate..

E após do fumo das batalhas tinto

Canta essa terra, canta os seus

geraes

,

Onde os gaúchos sobre as egoas voam...

Deus acompanhe o peregrino audaz.

E n′esse lago de poesia virgem,

Quando boiares nas subtis espumas,

Sacode estrophes, qual do rio a garça

Perolas solta das brilhantes plumas.

Pallido moço — como o bardo errante —

Teu barco vôa na amplidão fugaz.

A nova Grecia quer um

Byron

novo...

Deus acompanhe o peregrino audaz.

E eu, cujo peito como uma harpa

homerica

Ruge estridente do que é grande ao sopro.

Saúdo o artista, que ao talhar a gloria,

Pega da espada, sem deixar o escopro.

Da caravana guarda a arêa a pégada.

No chão da historia o passo teu verás...

Deus, que o Mazeppa nos steppes guia...

Deus acompanhe o peregrino audaz.

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