Quando eu morrer Espumas Flutuantes · Capítulo 46 de 48
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Quando eu morrer

Eu morro, eu morro. A matutina brisa

Já não me arranca um riso. A rósea tarde

Já não me doura as descoradas faces

Que gélidas se encovam.

Quando eu morrer... não lancem meu cadáver

No fosso de um sombrio cemitério...

Odeio o mausoléu que espera o morto

Como o viajante desse hotel funéreo.

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Corre nas veias negras desse mármore

Não sei que sangue vil de messalina,

A cova, num bocejo indiferente,

Abre ao primeiro o boca libertina.

Ei-la a nau do sepulcro — o cemitério...

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Que povo estranho no porão profundo!

Emigrantes sombrios que se embarcam

Para as plagas sem fim do outro mundo.

Tem os fogos — errantes — por santelmo.

Tem por velame — os panos do sudário...

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Por mastro — o vulto esguio do cipreste,

Por gaivotas — o mocho funerário...

Ali ninguém se firma a um braço amigo

Do inverno pelas lúgubres noitadas...

No tombadilho indiferentes chocam-se

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E nas trevas esbarram-se as ossadas...

Como deve custar ao pobre morto

Ver as placas da vida além perdidas,

Sem ver o branco fumo de seus lares

Levantar-se por entre as avenidas!...

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Oh! perguntai aos frios esqueletos

Por que não têm o coração no peito...

E um deles vos dirá "Deixei-o há pouco

De minha amante no lascivo leito."

Outro: "Dei-o a meu pai". Outro: "Esqueci-o

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Nas inocentes mãos de meu filhinho"...

... Meus amigos! Notai... bem como um pássaro

O coração do morto volta ao ninho!...

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