A uma taça feita de um crânio humano Espumas Flutuantes · Capítulo 21 de 48
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A uma taça feita de um crânio humano

Não recues! De mim não foi-se o espirito...

Em mira verás — pobre caveira fria —

Unico craneo, que ao envez dos vivos,

Só derrama alegria.

Vivi! amei! bebi qual tu. Na morte

Arrancaram da terra os ossos meus.

Não me insultes! empina-me!... que a

larva

Tem beijos mais sombrios do que os teus.

Mais val guardar o sumo da parreira

Do que ao verme do chão ser pasto vil;

— Taça — levar dos deuses a bebida,

Que o pasto do reptil.

Que este vaso, onde o espirito brilhava,

Vá nos outros o espirito accender.

Ai! Quando um craneo já não tem mais cerebro,

Podeis de vinho o encher!

Bebe, emquanto inda é tempo! Uma outra raça,

Quando tu e os teus fordes nos fossos,

Póde do abraço te livrar da terra,

E ebria folgando profanar teus ossos.

E por que não? Se no correr da vida

Tanto mal, tanta dôr ahi repousar?

É bom, fugindo á podridão do lodo,

Servir na morte emfim p′ra alguma cousa!...

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