A Luiz Espumas Flutuantes · Capítulo 36 de 48
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A Luiz

No dia de seu Natalício

A imaginação, com O VÔO ousado

aspira a princípio à eternidade...

Depois um pequeno espaço basta

em breve

para os destroços de nossas

esperanças iludidas!...

GOETHE

Como um perfume de longínquas plagas

Traz o vento da pátria ao peregrino,

O meu amigo! que saudade infinda

Tu me trazes dos tempos de menino!

É o ledo enxame de sutis abelhas

Que vem lembrar à flor o mel

d'aurora...

Acres perfumes de uma idade

ardente

Quando o lábio sorri... mas

nunca chora!

Que tempos idos! que esperanças louras!

Que cismas de poesia e de futuro!

Nas páginas do triste Lamartine

Quanto sonho de amor pousava puro!...

E tu falavas de um amor celeste,

De um anjo, que depois se fez esposa...

— Moça, que troca os risos de criança

Pelo meigo cismar de mãe formosa.

Oh! meu amigo! neste doce instante

O vento do passado em mim suspira,

E minh'alma estremece de alegria,

Como ao beijo da noite geme a lira.

Tu paraste na tenda, ó peregrino!

Eu vou seguindo do deserto a trilha;

Pois bem... que a lira do poeta errante

Seja a bênção do lar e da família.

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