O editor ao público Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas · Capítulo 1 de 75
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O editor ao público

O defunto Conselheiro Diogo de Toledo Lara e Ordonhes possuia um livro, que estimava tanto, que não o tinha entre os outros na sua estante, mas sim na gaveta pequena de uma comoda. Pedio-se-lhe muitas vezes, que o désse à bibliotheca, hoje publica, ao que nunca se pôde resolver mesmo dando outros, tanto era a estimação em que o tinha.

Procurou-se o livro pois desde o começo do ano de trinta, algum tempo depois da morte do mesmo conselheiro, e não se descobrindo no Rio de Janeiro recorreu-se a seu irmão, e herdeiro, o General Arronches em S. Paulo, o qual contestou que não lhe havia sido remettido.

Há tres anos pois que, segundo ordens, se fizérão pesquizas em Lisboa, aonde em fins do ano passado se encontrou um exemplar, declarando o possuidor, que o não venderia por cem mil cruzados, tal é a estimação, em que o tem! mas como homem generozo permittio que se copiasse.

No mesmo tempo destas pesquizas em Lisboa, escreveu-se ao Porto ao celebrado sabio antiquado portuguez João Pedro Ribeiro, o qual depois de varias contestações asseverando o máo resultado das suas indagações, por fim escreveu, e a sua carta chegou com o manuscripto, declarando o nome de quatro pessoas, que possuião exemplares, e entre elles o nome de um Major, há pouco chegado alli do Rio de Janeiro; quem sabe se não é o do defunto conselheiro! acrescentando que por sete mil e duzentos réis talvez se obteria um exemplar, e que o livro fôra prohibido no tempo de El-Rei D. João V pelo governo portuguez.

Este livro é pois a cultura e riqueza do Brasil, etc. etc. etc., no ano de 1711. Do titulo inferiráõ os leitores quanto elle é util a todos os estudiosos de economia politica, e em geral a todos os Brasileiros, que alli acharáõ a certeza de que o seu abençoado país já então era a mais rica parte da America em quanto a productos ruraes.

É este rarissimo e interessante livro que se reimprime, contentando-se o editor com a gloria, que lhe toca, de quase ressuscitar uma joia tão preciosa.

Rio, 1º de Agosto de 1837.

O EDITOR.

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