Terceira Parte - Capítulo XII: Roteiro do caminho novo da cidade do Rio de Janeiro para as Minas Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas · Capítulo 64 de 75
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Terceira Parte - Capítulo XII: Roteiro do caminho novo da cidade do Rio de Janeiro para as Minas

Roteiro do caminho novo da cidade do Rio de Janeiro para as Minas.

Partindo da cidade do Rio de Janeiro por terra com gente carregada, e marchando à Paulista, a primeira jornada se vai a Irajá; a segunda ao engenho do Alcaide Mór, Thomé Corrêa; a terceira ao porto do Nobrega no Rio Iguassú, aonde há passagem de canôas, e saveiros; a quarta ao sitio, que chamam de Manoel do Couto.

E quem vai por mar e embarcação ligeira, em um dia se põe no porto da Freguezia de Nossa Senhora do Pilar: e em outro, em canôa, subindo pelo Rio de Morobai acima, ou hindo por terra, chega pelo meio dia ao referido sitio do Couto.

Deste se vai a cachoeira do pé da serra, e se pousa em ranchos. E daqui se sóbe à serra, que são duas boas legoas: e descendo o cume, se arrancha nos pousos, que chamam Frios. No dito cume faz um taboleiro direito em que se póde formar um grande batalhão: e em dia claro, é sitio bem formozo, e se descobre dele o Rio de Janeiro, e inteiramente todo o seu reconcavo.

Dos pousos frios se vai à primeira roça do Capitão Marcos da Costa: e dela em duas jornadas à segunda roça que chamam do Alferes.

Da roça do Alferes, em uma jornada se vai ao Páo Grande, roça que agora principia, e dahi se vai pousar no mato ao pé de um morro, que chamam Cabarú.

Deste morro se vai ao famozo Rio Parahyba, cuja passagem é em canôas. Da parte d'áquem está uma venda de Garcia Rodrigues, e há bastantes ranchos para os passageiros: e da parte d'além está a casa do dito Garcia Rodrigues, com larguissimas roçarias.

Daqui se passa ao Rio Parahibuna em duas jornadas: a primeira no mato, e a segunda no porto, onde há roçaria, e venda importante, e ranchos para os passageiros de uma e outra parte. É este rio pouco menos caudaloso que o Parahiba: passa-se em canôa.

Do Rio Parahibuna fazem duas jornadas à Roça do contraste Simão Pereira, e o pouso da primeira é no mato.

Da roça do dito Simão Pereira se vai à de Mathias Barboza: e dahi à roça de Antonio de Araujo: e desta à roça do Capitão José de Souza: donde se passa à roça do Alcaide Mór Thomé Corrêa: e desta à de Manoel de Araujo. E em todas estas jornadas se vai sempre pela visinhança do Parahibuna.

Da roça do dito Manoel de Araujo, se vai a outra rocinha do mesmo.

Desta rocinha se passa à primeira roça do Sr. Bispo: e dahi à segunda do dito.

Da segunda roça do Sr. Bispo fazem uma jornada pequena, à borda do campo, à roça do Coronel Domingos Rodrigues da Fonseca.

Quem vai para o Rio das Mortes, passa desta roça à de Alberto Dias: dahi à de Manoel de Araujo, que chamam da Resaca, e desta à ponta do morro, que é arraial bastante, com muitas lavras, donde se tem tirado grande copia de ouro: e ahi está um fortim, com trinheiras, e fosso, que fizérão os Emboabas, no primeiro levantamento. Deste lugar se vai jantar ao arraial do Rio das Mortes.

E quem segue a estrada das Minas Geraes, da roça sobredita de Manoel de Araujo da Resaca do Campo vai à roça, que chamam de João Baptista: dahi à de João da Silva Costa, e desta à roça das Congonhas, junto ao Rodejo da Itatiaja: da qual se passa ao campo do Ouro Preto, aonde há varias roças, e de qualquer delas é uma jornada pequena ao arraial do Ouro Preto, que fica mato dentro, onde estão as lavras do ouro.

Todas as referidas marchas faráõ distancia de oitenta legoas a respeito dos rodeios, que se fazem em razão dos muitos, e grandes morros, e por rumo de Norte a Sul, não são mais que dous grãos de distancia ao Rio de Janeiro: porque o Ouro Preto está em vinte e um grãos, e o Rio das Velhas estará em vinte, pouco mais ou menos. E todo o dito caminho se póde andar em dez até doze dias, indo escoteiro quem fôr por elle.

Do campo do Ouro Preto ao Rio das Velhas, são cinco jornadas, pousando sempre em roças.

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