Quarta Parte - Capítulo V: Resumo de tudo o que vai ordinariamente cada ano do Brasil para Portugal: e do seu valor
Resumo de tudo o que vai ordinariamente cada ano do Brasil para Portugal: e do seu valor.
Por ultima demonstração da Opulencia do Brasil em proveito do Reino de Portugal, pôrei aqui agora o resumo do que nestas quatro partes tenho apontado; que por junto não deixará de causar maior admiração, do que póde ter causado por partes.
Importa pois todo o açúcar em réis | 2,535:142$800
Importa o tabaco em réis | 544:650$000
Importão cem arrobas de ouro em réis | 614:400$000
Importão os meios de sola em réis | 201:800$000
Importa o páo brazil de Pernambuco em réis | 48:000$000
O que tudo somma em Rs. | 3,743:992$800
Aos quaes se se acrescentar o que rende o contracto das baleas, que por seis anos se arrematou ultimamente na Bahia, por cento e dez mil cruzados, e no Rio de Janeiro por tres anos, por quarenta e cinco mil cruzados; o contracto annual dos dizimos reais, que, na Bahia, nestes ultimos anos, fóra as propinas, chegou a perto de duzentos mil cruzados: no Rio de Janeiro, por tres anos, por cento e noventa mil cruzados: em Pernambuco, por outros tres anos, por noventa e sete mil cruzados: em S. Paulo por sessenta mil cruzados: fóra os das outras capitanias menores, que em todas notavelmente crescêrão; o contracto dos vinhos, que na Bahia se arrematou por seis anos em cento e noventa e cinco mil cruzados: em Pernambuco, por tres anos, em quarenta e seis mil cruzados; e no Rio de Janeiro, por quatro anos, por mais de cincoenta mil cruzados; o contracto do sal na Bahia, arrematado por doze anos, a vinte oito mil cruzados cada ano; o contracto das agoas-ardentes da terra, e de fóra, avaliado por junto em trinta mil cruzados; o rendimento da casa da moeda do Rio de Janeiro, que fazendo em dous anos tres milhões de moedas de ouro, deu de lucro a El-Rei, que o compra a doze tostões a oitava, mais de seiscentos mil cruzados; além das arrobas dos quintos, que cada ano lhe vão; os direitos que se pagão nas alfandegas dos negros, que vem cada ano de Angola, S. Thomé, e Minas em tão grande numero aos portos da Bahia, Recife, e Rio de Janeiro, a tres mil e quinhentos réis por cabeça; e os dez por cento das fazendas no Rio de Janeiro, que importão um ano por outro oitenta mil cruzados; bem se vê a utilidade, que resulta continuamente do estado do Brasil à fazenda real, aos portos, e reino de Portugal; e tambem ás nações estrangeiras, que com toda a industria procurão aproveitar-se de tudo o que vai deste estado.