Quarta Parte - Capítulo II: Das boiadas, que ordinariamente se tirão cada ano dos curraes, para as cidades, villas, e reconcavos do Brasil, assim para o açougue, como para o fornecimento das fabricas Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas · Capítulo 71 de 75
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Quarta Parte - Capítulo II: Das boiadas, que ordinariamente se tirão cada ano dos curraes, para as cidades, villas, e reconcavos do Brasil, assim para o açougue, como para o fornecimento das fabricas

Das boiadas, que ordinariamente se tirão cada ano dos curraes, para as cidades, villas, e reconcavos do Brasil, assim para o açougue, como para o fornecimento das fabricas.

Para que se faça justo conceito das boiadas, que se tirão cada ano dos curraes do Brasil, basta advertir que todos os rolos de tabaco que se embarcão para qualquer parte, vão encourados. E sendo cada um de oito arrobas, e os da Bahia, como vimos em seu lugar, ordinariamente cada ano pelo menos, vinte e cinco mil arrobas, e os das Alagôas de Pernambuco, dous mil e quinhentos arrobas; bem se vê quantas rezes são necessarias para encourar vinte e sete mil e quinhentos rolos.

Além disto, vão cada ano da Bahia para o Reino até cincoenta mil meios de sola; de Pernambuco quarenta mil; e do Rio de Janeiro (não sei se computando os que vinhão da nova Colonia, ou só os do mesmo rio, e outras capitanias do Sul) até vinte mil meios de sola: que vem a ser por todas, cento e dez mil meios de sola.

Outro é, que não sómente a cidade, mas a maior parte dos moradores do reconcavo mais abundantes se sustentão nos dias não prohibidos da carne do açougue, e da que se vende nas freguezias e villas: e que comummente os negros, que são um numero muito grande nas cidades vivem de fressuras, bofes, e tripas, sangue, e mais fato das rezes: e que, no sertão mais alto, a carne e o leite é o ordinario mantimento de todos.

Sendo tambem tantos os engenhos no Brasil, que cada ano se fornecem de bois para os carros, e os de que necessitão os lavradores de cana, tabaco, mandioca, serrarias, e lenhas; daqui se poderá facilmente inferir, quantos haveráõ mister de ano em ano, para se conservar este trabalhoso meneio. Portanto deixar isto à consideração de quem ler este capitulo, julgo, que será melhor acerto, do que affirmar precisamente o numero das boiadas: porque nem os mesmos marchantes, que são tantos, e tão divididos por todas as partes povoadas do Brasil, o podem dizer com certeza, e dizendo-o temo que não parecerá crivel, e que se julgue encarecimento fantastico.

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