Operação Misdirection
Naquela tarde, uma equipe preparada foi enviada para a rodovia Capitão Teodoro Vicente e vasculharam ambas as instalações noite adentro, enquanto os três líderes maiores acompanhavam a operação no quartel general improvisado no alto da sede do governo.
O prostíbulo estava intocado, não havia nada lá, além da marca do Ás de Paus formada com as letras que compuseram o velho letreiro do lugar. E deduziram o tempo que jazia ali pelo acúmulo de poeira colada na superfície pela umidade.
Já na usina, encontraram incontáveis carcaças de veículos destruídos e abandonados por anos, até mesmo o pedaço de um helicóptero que jamais notaram a falta, restos de armamentos, de capacetes e sacas de aveia há muito estragadas. O que um dia foi um desmanche, agora era um estoque de ferro velho.
— Aveia? — perguntou Dimitri.
— Também não entendi — falou Leon. — Quer dizer que o Ás de Paus roubou comida para deixar lá, estragando?
— Não! — falou Zunik. — Isso é um sinal, quero que mandem equipes para cada um dos nossos depósitos de alimentos.
— Nós não temos ninguém para enviar — lembrou Dimitri.
— Sou dono de um dos maiores exércitos do planeta e você me diz que não temos ninguém para enviar à uma simples verificação?
— Quis dizer que não temos ninguém, de confiança, para enviar.
Sem o tenente-coronel, o major, o primeiro e segundo-tenente, que estavam naquela missão, sobraram poucas opções conhecidas e, tanto Dimitri quanto Zunik, só confiavam em quem conheciam.
— Eu posso ir — ofereceu Leon. — Minha equipe está pronta, só aguardam ordens.
— A sua equipe será muito bem-vinda, mas preciso de você aqui — chame o Zig.
Leon e Dimitri se entreolharam, Ziger não era a melhor opção.
— Eu vou chamar — respondeu Dimitri, e saiu.
— Leon, traga a lista detalhada dos nossos armazéns.
Leon assentiu e saiu também. De volta à sua sala, ele reativou o computador e, de imediato, notou um alerta incomum piscando no canto da tela, não via um daqueles a mais de vinte anos. Pasmo por sua máquina ainda ter a capacidade de acessá-lo, clicou no ícone.
Uma mensagem de Edmund abriu e ele sorriu de alívio, mas seu sorriso foi murchando a cada linha perturbadoramente reveladora que lia. O recado, descritivo e direto, transbordava urgência e finalizava com a observação de que o e-mail desapareceria poucos minutos depois de aberto — mais um sinal da gravidade da situação em que o major se encontrava quando o enviou. Seu coração de repente se esqueceu de pulsar. Fazia dois dias que o comunicado chegou em seu endereço eletrônico. Muito poderia ter acontecido em dois dias. Precisava tomar providências o quanto antes.
Angustiado, pegou o que o marechal pediu e voltou para o Centro de Operações, determinado a convencer Zunik sobre a necessidade imediata de ir ao porta-aviões.
— Quer fazer o que lá, justamente agora?
Leon hesitou, a confidencialidade total estava implícita na mensagem, era prudente nem contar a ninguém que recebeu o informe de Edmund, não quando continha denúncias tão críticas.
— Estou preocupado com o major, preciso ir até lá ver o que está acontecendo — preferiu responder.
— Hoje não! Já falei que preciso de você aqui.
Leon baixou a cabeça e voltou aos mapas, sua responsabilidade na missão. Mas não foi capaz de esquecer Edmund, se recordou de sua tentativa falha de contato alguns dias atrás e de seu posterior silêncio mesmo após a ordem para que retornasse. Com o que leu, não havia como supor que aquele sumiço tivesse um motivo bom.
Dimitri precisou buscar Ziger, uma vez que ele não atendeu a nenhum chamado, e o trouxe do jeito que o encontrou, algumas horas mais tarde.
— Você está bêbado, Ziger? — perguntou Zunik.
O homem estava envergado como um bambu para o lado e balançava na tentativa de se equilibrar com a cabeça baixa e o punho fechado sobre o bíceps esquerdo e não sobre o ombro como deveria.
— Eu tomei... tomei um drink, voss... vossa excelência, senhor.
— Péssimo momento para isso!
Ziger apertou os olhos para ver se era mesmo Adam quem via, o rapaz havia chegado fazia alguns minutos, com o cadete Morbachor, atual responsável pelo treinamento dos cães do primeiro batalhão, se inteirou do ocorrido e falava das habilidades dos cachorros quando Dimitri chegou com ele.
O capitão riu. — Não está cuidando da sua namoradinha hoje? Pensei que cuidava da cama dela também.
— Ziger! — trovejou Zunik, e o capitão estremeceu como uma criança flagrada em uma travessura. — Vá já para os vestiários e se enfie embaixo do primeiro chuveiro que encontrar, quero você sóbrio e pronto para agir quando o sol nascer.
— Entendido, senhor! — ele tentou dizer, mas foi mais como um grunhido e se afastou tão equilibrado quanto conseguiu.
— Explique! — exigiu Zunik ao tenente-coronel.
— Ele não ficou contente com as suas ordens quando eu transmiti a ele e foi rude com a senhorita Koch. Inclusive falou contra a honra dela, insinuando o que insinuou agora, mas se referindo aos senhores.
— E por que não o puniu como mandei?
— Porque a senhorita Koch cuidou dele e eu não quis ofuscar a autoridade que ela conseguiu com isso.
— Hum... Bom.
— Senhor! — chamou Dimitri. — Creio que temos assuntos mais urgentes.
— Sim, você está certo. — E ele consultou a lista trazida por Leon, depois conferiu a localização no mapa, já havia marcado alguns pontos e concluiu a marcação dos demais, enquanto o general revisava os dados do outro lado. — Muito bem! Quero uma companhia, sob o comando do Zig, aqui e aqui. — Todos se aproximaram para ver onde o marechal sinalizava. — O cadete Morbachor, com os cães e o restante dos homens, aqui, aqui e aqui, mande alguns dos seus, com os animais, para acompanhar o Zig. Pedi para o primeiro-tenente Kirst manter o bloqueio das estradas, deixar o pelotão dele lá, e voltar para dar mais detalhes. O segundo-tenente irá fazer uma varredura nos pontos de possíveis ações do Ás de Paus.
O cadete não esperou por um segundo comando e saiu.
— Senhor. Devo ir também? — perguntou Adam.
— Você já tem as suas ordens, só precisava que trouxesse o garoto dos cachorros aqui. Vá cuidar da professora e não tire os olhos dela, estamos em uma situação perigosa.
— Ela só terá aulas para dar à tarde e me garantiu que não sairá de casa esta manhã, deixei a residência cercada, garanto que a senhorita Koch está completamente segura.
— Certo, então reúna uma equipe pequena e ajude o Morbachor.
Alguns andares abaixo, Ziger tentava se recompor com cafeína, já que só um banho frio não seria o bastante. Ele engoliu o conteúdo de uma caneca num só gole e foi para o chuveiro, urinou ali mesmo, crente de que se aliviava num mictório, mas a água gelada ajudou a clarear a mente e saiu com maior discernimento de onde estava e do que tinha de fazer.
Ele sabia, no entanto, que não seria possível cumprir a ordem do marechal daquele jeito, pois o sol nasceria em menos de uma hora e continuava embriagado. Por isso bebeu outra caneca de café forte, puro e amargo, na passagem pelo refeitório. Com a cafeína começando a circular em suas veias, conseguiu firmar-se sem cambalear ou balançar.
O capitão foi dispensado, com suas ordens, assim que voltou. E os trabalhos se intensificaram rápido e agilmente, cada um cumpria a sua tarefa com precisão. Duas horas mais tarde a primeira notícia chegou, de Adam. O armazém mais próximo estava vazio, pouco depois o cadete Morbachor relatou que outro se encontrava na mesma situação e o segundo-tenente avisou que passaram por mercados e eles estavam depredado e desprovidos dos produtos.
— Cinco armazéns e dois mercados — contabilizou Zunik.
— Isso não é possível! — falou Leon, confuso. — Como foram esvaziados e ninguém viu ou ouviu?
— Parece que foi feito esta noite, está limpo demais para ser um roubo antigo — o segundo-tenente acrescentou.
— Aguarde! — E Leon afastou o microfone, virando-se para o marechal. — A Ilde gosta de fazer compras, em pessoa, e vai a mercados quase todos os dias, me deem um minuto para que eu pergunte se ela conhece estes e quando os visitou pela última vez. Talvez nos ajude a determinar o tempo.
— Vá! — respondeu Zunik.
— Se ele roubou tanta comida, deve estar alimentando um exército! — apavorou-se Dimitri.
— Não pode haver um exército, ele está tentando nos intimidar. Deve achar que passaremos fome, se acalme Dimitri.
— Mas só pode ter um grupo considerável, senhor, para conseguirem fazer tanto em tão pouco tempo.
— E quem nós somos? — bradou Zunik.
— A nação.
— Fale alto, honre os seus colhões!
— A nação, senhor!
— Não esqueça mais.
— Senhor! — Outra voz chamou, era Ziger dessa vez.
— Sim, fale! — respondeu Zunik.
— Eu encontrei um pernil congelado, quero dizer, está quase descongelado já.
Dimitri e Zunik trocaram um olhar duvidoso.
— Repita.
— Eu achei um pernil bovino, na realidade é a perna inteira. Veio do frigorífico Tordon, ainda está embalado e com o selo de lá. O que eu faço?
— Onde você encontrou?
— No meio do depósito de café.
— Ele está brincando conosco — percebeu Zunik.
— O que isso quer dizer? — questionou Dimitri.
— Acha que eu sei?
— Eles podem ter deixado enquanto tentavam fugir.
— Deixaram um pernil, em um depósito de café, porque estavam fugindo?
— O Zig pode tê-los surpreendido e tiveram que correr.
— Não tem freezers naquele depósito. Será que você não raciocina? Aquilo foi levado. E não ouviu o que o capitão disse? Está parcialmente derretido, sabe quanto tempo leva para derreter a perna inteira de um boi?
— Senhor! — chamou Ziger.
— Espere! — rosnou Zunik.
Leon entrou na sala e não percebeu as expressões incomodadas.
— A Ilde esteve nos dois mercados ontem — veio falando —, pouco depois do almoço, e saiu do que fica atrás da praça dos generais por volta de quinze horas. Ou seja, eles estavam funcionando normalmente ontem, suponho que até o fim do expediente.
— Então foi noite passada, de fato... Ziger!
— Senhor?
— Recolha isso, com cuidado para preservar evidências, e volte. Deixe seus homens aí, não queremos que o lugar vire outro ferro velho.
— O que está acontecendo? — perguntou Leon, e Dimitri resumiu.
— Vou supervisionar a remoção pessoalmente — respondeu Ziger.
— Não espero menos — retorquiu Zunik e desligou.
— O Ás de Paus deixou uma pista? É isso? — indagou Leon.
— É! Outra, como os sacos de aveia, ele aproveitou que estávamos concentrados no desmanche e roubou nossos suprimentos. Estamos sendo direcionados desde o início — respondeu Zunik.
— Por isso os dois carros ficaram do lado de fora da usina — entendeu Dimitri.
— Então ele quer que procuremos no frigorífico Tordon? — questionou Leon.
— É óbvio! Nosso maior exportador de carnes. Notou o padrão?
— Mas e os mercados? — questionou Dimitri.
— Eu não sei! — berrou Zunik.
— Vou mandar uma equipe para lá — avisou Leon.
Dimitri franziu as sobrancelhas para o general. — Vamos fazer o que ele quer? — perguntou.
— Não podemos deixar o frigorífico a própria sorte. Enquanto isso, tente entrar em contato com eles.
Leon terminou de responder já na porta outra vez, e saiu, apressado. Ele demorou para voltar, deixando Zunik e Dimitri ao sabor dos enervantes sons das máquinas ativas, cada minuto parecia durar horas, e suportaram trinta em agonia, até que uma voz entrecortada os sobressaltou.
— Cadete Morbachor chamando.
Zunik pegou o microfone da mão de Dimitri. — Sim! — respondeu.
— Alguém na... ouvindo... sem contato. Repito: Sem cont...
— Que droga está acontecendo? Informe a situação, cadete!
Silêncio, estático.
Dimitri abrigou a cabeça entre as mãos e massageou o couro cabeludo furiosamente, eles já ficaram reduzidos a comunicação analógica, agora até esta estava falhando. E ele só conseguia se lembrar de Edmund, insistindo que havia novas tentativas de invasão.
— Isso pode ser um defeito comum, dispositivos desse tipo travam muito — ele tentou justificar. — O senhor pode verificar se todos estão com problemas, enquanto eu vou tentar contato com o frigorífico?
Zunik assentiu e Dimitri se afastou da sala, queria arejar a cabeça e não exatamente cumprir a ordem de Leon, nem estava pensando nisso na verdade, mas viu como uma boa desculpa para sair. E, sozinho, Zunik sentou-se no lugar antes ocupado pelo sobrinho, mais para ter o que fazer do que por esperança de conseguir algo.
— Zig! — chamou e teve mais silêncio como resposta, só ali percebeu que nem o chiado característico do autofalante era reproduzido e já fazia algum tempo. — Zig! — O marechal insistiu e nada.
Ele começava a pensar que ficaria insistindo, em vão, pela eternidade quando um estalo o fez saltar.
— Oi, marechal? Vossa excelência?
— Dispenso suas bajulações, Zig, não temos tempo para isso. Está me ouvindo bem?
— Mais ou menos, acho que é porque estou dirigindo.
— Está vindo para cá?
— Estou.
— Ok, vejo você aqui.
E ele chamou pelos outros, rápido, para aproveitar a súbita oportunidade, mas se viu novamente no silêncio aflitivo e esmurrava a mesa quando Dimitri reentrou.
— Conseguiu? — ele perguntou ao tio.
— Está parecendo que consegui?
— Eu também não consegui. Ninguém atende ao telefone no frigorífico.
— As linhas telefônicas estão funcionando?
— Estão.
Zunik queria acabar com linhas telefônicas anos atrás, eram tão obsoletas quanto os rádios. Naquele momento agradeceu por ter abandonado o projeto.
Dimitri passou por Zunik e retornou ao rádio, repetindo e repetindo chamados infrutíferos. Ele não sabia quantas vezes fez aquilo, tampouco quanto tempo se passou até que outra voz fragmentada brotou do aparelho.
— Na escuta — o coronel respondeu, ansioso —, aqui é o coronel Dimitri Novakohut. Identifique-se!
O som intermitente da voz parecia pertencer a Adam, não identificaram urgência na entonação, mas não conseguiam entender a mensagem.
— Maldita foi a hora em que desabilitamos essa parafernália, devíamos tê-lo melhorado e não descartado — esbravejou Zunik.
— Acho que foram os nossos antecessores que desabilitaram.
— Quero que o major cuide disso assim que voltar.
— Nunca, então — pensou Dimitri e continuou fingindo se esforçar para ressuscitar o comunicador.
Minutos depois Leon ressurgiu, agitado. — O Kirst voltou, mas não trouxe nenhuma novidade — informou —, então pedi que organize outro grupo pequeno para ir ao frigorífico o mais rápido possível, apenas para observar e notificar.
— Ótimo! — respondeu Zunik, e regressou à sua mudez enfurecida, nem o desjejum reforçado que Leon solicitou para os três o resgatou da apatia instável. Ele estava a ponto de explodir quando Ziger chegou.
— À vontade! — dispensou, encarando a posição de respeito pomposa e firme feita pelo capitão. — Diga tudo o que viu.
E o capitão relatou os seus passos desde que entrou no depósito.
— Não está esquecendo de nada? — perguntou Dimitri.
— Qualquer detalhe pode ajudar — reforçou Leon.
— Nós estrebuchamos tudo. Não encontramos mais nada, além do maquinário pesado de lá e acho que só não levaram isso porque não puderam carregar, mas faltavam peças de todos eles.
— E as paredes?
Ziger não entendeu o objetivo da pergunta e olhou para cada um, incerto.
— Estavam intactas — respondeu, receoso —, não tinha nenhum pedaço faltando, me pareceu que nem tentaram derrubar. Só vi uma pichação...
Ziger percebeu o erro naquele instante, não existiam pichações na cidade, era crime punível com morte imediata, ninguém se arriscaria, ninguém exceto o Ás de Paus e como não deu atenção a uma letra A de dois metros atrás do símbolo de paus alado? Era artístico e colorido, ainda assim ele apenas passou o olhar embriagado pela pintura e seguiu com o objetivo que considerava importante na hora, mas agora percebeu que seu subconsciente identificou o desenho, era o símbolo do Ás de Paus e nem podia dizer se a tinta estava fresca. Um telefone tocou ao longe como se sinalizasse a compreensão em sua mente.
— Era... Era o sinal do Ás de Paus.
— Ele não resiste sem assinar tudo o que faz — resmungou Dimitri, voltando a mexer nos botões do rádio apenas para aliviar a ansiedade, já que não podia fazer mais nada e, como a presença de técnicos foi impedida para manter o sigilo da operação, ninguém na sala era capacitado para socorrer os aparelhos.
— Onde você deixou o pernil? — perguntou Leon.
— Com as Andorinhas.
— Vá encontrar os outros — ordenou Zunik. — Peça para que deixem homens vigiando os pontos em que estão e mandem os demais para os não verificados, quero cada mercado, armazém e loja da cidade, esmiuçada, e traga todos os líderes aqui para reportar.
— Sim, senhor! — falou alto Ziger e correu, já estava bem, embora sentisse algumas tonturas da ressaca quando se virava. O telefone ainda tocava e tocava, ele não se preocupou com aquilo e foi cumprir a ordem.
Meia hora mais tarde, Leon, Dimitri e Zunik planejavam sozinhos no Centro de Operações e a quietude os oprimia. Zunik parecia perigosamente perto de ordenar que misseis fossem lançados sobre a cidade inteira.
— Alguém vai atender a esse maldito telefone, eu não aguento mais ouvir ele tocar! — bravejou Zunik. — Onde estão os funcionários desse prédio?
Leon foi atender, ele havia mandado o secretário ficar na recepção da sede, uma vez que o soldado que estava lá precisou ir junto com os demais para compor as equipes que saíram rumo frigorífico, assim como cada um dos assistentes. A contratação de novos recrutas era imprescindível.
Pouco depois, um chiado fez Dimitri e Zunik se olharem, de súbito. A voz rouca irrompeu do rádio em seguida, nítida e constante como se o aparelho nunca tivesse apresentado problemas.
— Bom dia! Espero que o dia de vocês esteja bom, o meu está perfeito. Quero agradecer pela comida e artigos que nos cederam, mas quero agradecer especialmente pela verba, foi muita generosidade sua, Alexander. — Zunik ferveu, nem seus familiares tinham permissão para chamá-lo pelo primeiro nome, era marechal, senhor ou marechal Zunik, sem exceções. — Eu aqui, pensando que você era um monstro, esbanjando e estocando tanta comida boa, enquanto o povo que não te interessa morre de fome ou se submete a única comida que você cede, a podre, e elas ainda precisam pagar por ela. Mas, olha que injustiça minha, você só estava guardando para mim, isso foi realmente muita bondade sua. Por isso me sinto na obrigação de retribuir a gentileza. Deixei um presente para vocês, creio que o coronel vai ficar muito contente com o meu mimo.
A mensagem terminou e segundos depois, Leon apareceu na porta, pálido como um fantasma.
— Marechal, Dimitri, o Imperial Bank foi roubado!