Transgressão Estudantil
Ziger não conseguia comer, não conseguia descansar, muito menos se acalmar. Ele só desejava matar Verbena. Naquele momento já não pensava mais em ser rápido, queria levá-la a um lugar tranquilo, onde seus gritos não seriam ouvidos. Queria cortar cada parte de seu corpo magro e desejou tanto que ela tivesse maior volume para que tivesse mais carne a cortar, pensava em quebrar seus dedos e ria delirante imaginando que esperaria até que ela sofresse toda a dor de um dedo para quebrar outro, planejava começar por eles. Levaria dias até que a moça morresse, nunca se entediaria com ela.
Sentiu, pela primeira vez, que Verbena era útil de alguma maneira, fazia tempo que não praticava o seu ofício mais prazeroso e acreditava em cada canto de seu ser que teria especial prazer com ela porque, dos dedos, passaria aos cabelos, mulheres amavam os próprios cabelos e cansou de tirar isso de outras, sabia o quanto ela sofreria. Mas Verbena merecia mais, Ziger não se satisfaria só em cortar os seus cabelos, a escalpelaria devagar, tinha um canivete feito especialmente para isso, criando poeira em sua casa.
— Ziger! — Dimitri chamou alto em frente à cela, e ele saiu de seus devaneios. — A prisão o deixou surdo, homem? Estou chamando desde que entrei.
— Desculpe, senhor.
— Me diga logo o que aconteceu, o interrogatório dos moleques que reapareceram não vai demorar e não quero que saibam que eu desci até aqui.
— Estão fazendo o interrogatório sem mim? — ele perguntou com nítida tristeza.
— Estão! O marechal quer novos esclarecimentos. Agora me conte de uma vez o que aconteceu.
— Aquela maldita, desgraçada, deu leitura proibida aos alunos e fez com que eu fosse preso no lugar dela.
— Está falando da professora?
— É claro! Quem mais faria uma coisa dessas?
— Você foi preso por desacato. Sabe, assim como toda a corporação, que não pode mexer com o precioso brinquedo novo do marechal e ainda fez isso depois de ter recebido ordens diretas dele para respeitar a suposta hierarquia dela. Você já foi um soldado melhor, Zig. O que aconteceu? O conhaque tomou conta do seu cérebro?
— Eu a tratei como merecia, do mesmo jeito que fiz com o professor anterior, que se achou no direito de agir como queria dentro da minha escola.
— Como ela fez isso?
— Eu não sei.
— Tem que saber! Você foi colocado no cargo de diretor para cuidar de assuntos como este, não para ficar bebendo no seu gabinete.
— Mas ninguém sabe, eu revisei o que tinha dentro daquela porcaria de biblioteca antes de fechar, incluindo as caixas, e não tinha nada ilegal lá. Nunca entreguei as chaves a alguém e nunca mais abri também, não tenho ideia de como os livros foram parar lá.
— Então alguém entrou ou você não verificou direito e as caixas já estavam assim. De uma forma ou de outra você é o culpado.
— Foi ela — o capitão se desesperou —, a imunda fez isso, estou dizendo. Nada errado acontecia antes desta mulher chegar.
— Pelo que ouvi, a professora pegou as caixas, que você guardou na biblioteca, há um bom tempo, antes de ela voltar ao país. Então me diga, Zig, como é que ela colocou os exemplares dentro das caixas?
— Eu não sei! — repetiu Ziger a ponto de berrar, se continha com um esforço visível. — Ela pode ter roubado as minhas chaves, pode ter trazido livro por livro, não sei...
— E o desenho no fundo? — Ziger calou-se, estava tão obcecado por Verbena, que nem se lembrou mais do símbolo desenhado no fundo das caixas. — Isso foi obra do Ás de Paus e não de uma professora arrogante.
— Qualquer coisa é possível para aquela feiticeira. Ela pode ter usado o símbolo para que ninguém desconfie dela.
— Trabalhe melhor seus argumentos porque, se não sabe como aconteceu e vai basear tudo na teoria mágica de uma mulherzinha insignificante, fica difícil defendê-lo. Já está difícil ignorar a sua incompetência e, se foi o último a entrar na biblioteca ou perdeu as chaves em algum momento, o que me parece bastante provável, sinto informar que será severamente punido.
— Eu não serei punido por algo que não fiz! — alterou-se Ziger. — Vou matar aquela...
— Cala a boca, Zig! Fica quieto ou você nunca mais sai daqui.
Ziger baixou a cabeça, depois aproximou-se da grade. — Senhor, me ajude, me disseram que só posso sair com a permissão do marechal e, quem sabe, se o senhor interceder por mim, eu possa ir logo. Sou um membro importante das forças armadas, não posso ficar preso por causa de uma impura, se continuar assim, todo impuro pensará que tem direitos de gente.
— Vou ver o que posso fazer. Até lá, mantenha essa boca fechada e não faça mais nenhuma besteira.
Dimitri saiu do cárcere pensativo. Em uma coisa Ziger tinha razão, não poderia ficar preso por causa de uma impura, isso abriria precedentes perigosos e lhe parecia que Zunik não via isso.
O dia na escola não poderia ter sido mais tenso. Os funcionários revisavam os seus instrumentos de trabalho freneticamente. Embora ninguém dissesse em voz alta, não duvidavam que Ziger tivesse deixado material proibido na biblioteca e começaram a temer que ele tivesse posto entre os pertences dos funcionários também, exclusivamente pelo prazer de condená-los.
A alegria do capitão atingiu o auge quando mandou prender o professor e o bibliotecário por darem acesso a literatura proibida aos discentes, sem qualquer prova além de sua palavra. Era fácil imaginar que ele desejava alcançar aquela satisfação outra vez e a suspeita da inocência dos educadores, que pairou sobre o colégio na época, se intensificou agora.
Burburinhos sobre o capitão trabalhar para o Ás de Paus encheram os corredores e, com isso, Verbena ganhou a simpatia dos professores, inclusive dos que rejeitavam sua permanência no cargo. Mas seu olhar de pavor após ver o material que ela pegou, com tanto carinho, violado por um terrorista perigoso e o medo remanescente em seu semblante geraram piedade. Bastou duas ou três palavras expressando temor para convencer até o mais arraigado defensor das tradições a lhe dar uma chance.
Entre os alunos só se falava nisso ou na rede de leitura proibida que acabava de nascer. Com a prisão do diretor e todos os olhos voltados para o caso, alguns dos estudantes viram a chance de trocar livros proibidos também com alunos de outras classes.
No primeiro ano de estudo, Antony achou, nos fundos de um dos banheiros, uma saída de ar do tamanho de uma caixa de sapatos, com a tampa solta, jamais encontrou serventia para o achado até precisarem de um espaço seguro para a contravenção, e a descoberta se tornou o recurso perfeito.
— Vejam se as saídas de ar dos banheiros de vocês estão presas — o garoto aconselhou às meninas durante o treinamento de combate corpo a corpo. — Se tinha uma aberta no nosso banheiro, pode ter no de vocês também.
— Ou você faz as substituições para a gente — murmurou Christine, em resposta.
— Vocês também podem abrir uma, se não acharem nada aberto. Não dá para o Antony trocar os livros de todo mundo. E quando ele não estiver aqui? — repreendeu André.
— Vocês trocam.
— E o perigo, Christine? Se fosse para fazer desse jeito, não precisaria de um local escondido para isso. Por que não fazemos as trocas bem na frente das câmeras, então? Para facilitar a nossa captura.
O olhar do soldado responsável pelo treinamento os lembrou de voltar à prática. Eles não tinham permissão para falar ali, apenas para escutar e executar, mas a transmissão de informações era comum no ginásio, uma vez que as equipes de combate, tiro, sobrevivência e estratégia não eram divididas por classes, mas por nível de capacidade, desse modo podiam compartilhar planos com os colegas confiáveis das demais turmas.
— Vocês estão sugerindo que façamos trabalho braçal? — interessou-se Alicia, uma aluna do segundo ano.
André empurrou Antony, alinhados cabeça com cabeça, ambos olhando para o chão, a melhor maneira de evitar que as câmeras capturassem imagens de seus lábios se movendo.
— Não chega a ser braçal — explicou André —, nem deve ser difícil, é só soltar uns parafusos.
— Mas... somos meninas — lembrou Milena, outra aluna do segundo ano.
— E o que tem isso? Até onde vejo, meninas têm braços, mãos e dedos exatamente como os meninos têm.
Um silêncio desconfortável se fez entre eles. André e Christine sempre tiveram ideias diferentes, ideias que alguns aceitavam bem, outros nem tanto, aqueles que conviviam com os dois estavam acostumados e alguns já pensavam igual, os que os conheceram há pouco tempo ainda se chocavam com frases como aquelas.
— Seus pais deixam você falar essas coisas? — a menina perguntou.
— É claro. Meu pai fala assim o tempo todo e minha mãe faz qualquer tipo de manutenção em casa.
— E não treinamos juntos? — questionou Christine, fingindo esforço para desestabilizar Luka. — Quem vence meninos maiores em combate pode muito bem tirar alguns parafusos.
Novamente o soldado olhou para eles, Christine parou de fingir e jogou Luka no chão, o garoto ganhou um olhar de desaprovação do homem, que, apesar do desgosto, não insistiu e voltou sua atenção à dupla de alunos que avaliava.
— Um a zero para a saco de pancadas — falou alto Christine para que o treinador ouvisse, mas ninguém deu atenção, nem à cara azeda de Luka ao se levantar.
— O André está certo — sussurrou Keith —, vamos ver o que precisa para abrir a tampa de uma saída dessas e assim teremos o nosso próprio cofre.
— Meu pai tem um monte de ferramentas, eu posso trazer algumas na bolsa — propôs Alicia.
— Você sabe usar ferramentas? — perguntou Luka.
A menina hesitou. — Sei — disse, baixinho, ela nunca contou aquilo a ninguém, temerosa de que virasse motivo de piada por praticar serviços considerados masculinos e estava com medo disso naquele momento também, só contou encorajada pelas palavras de André e Christine.
— Por que ela não saberia, Luka? — ameaçou Christine.
— Porque não é uma coisa que se aprende na escola. Eu mesmo não sei, acho que ninguém aqui sabe.
— Meu pai me deixa ajudar a trabalhar na nossa garagem, ele é mecânico do exército e leva muito trabalho para casa — explicou.
— Legal, aproveitem o intervalo para estudar as saídas de ar dos banheiros, e amanhã a Alicia traz as ferramentas — determinou André. — Mas continuamos com as outras trocas ou não teremos mais acesso aos livros das meninas e as meninas não terão acesso aos nossos.
— Seria bom ter um lugar igual ao dos banheiros, talvez aqui ou no pátio, assim todos nós poderíamos usar — disse Antony.
— Eu também gostaria de um lugar como esse, mas é perigoso demais, acho perigoso até na sala de aula — respondeu Keith, tentando acertar Alícia e Milena com o mesmo golpe ensaiado.
— Fique um pouco mais longe delas e se apoie na perna esquerda, Keith — orientou André, e Keith obedeceu, por mais que o movimento fosse muito diferente do instruído pelo treinador.
— Acho que, se procurarmos, podemos achar. Essa escola é enorme, deve ter muita coisa que não conhecemos — continuou Christine.
— Podemos procurar durante os intervalos e horários de treinamento — propôs Luka.
— Votação! — falou Christine.
— Sim! — todos disseram de imediato.
— Vocês são loucos! Já imaginou se percebem que estamos votando? — repreendeu Milena. — Na frente de um militar ainda.
Eles passaram a vida aprendendo a obedecer, sem questionar, mas bastou encontrarem escassos exemplares, ensinando sobre democracia na caixa de leitura, para adotarem o método e o usarem, com a adrenalina de praticar um ato proibido à vista de todos pulsando nas veias.
O grupo silenciou-se em apoio, estavam adorando a vida clandestina, mas também vinham abusando da sorte.
— Precisamos criar sinais — sugeriu André — para podermos decidir sem a necessidade de verbalizar.
— Concordo — respondeu Keith. — Gestos corriqueiros, que não causem problemas, se forem vistos, podem ajudar até na comunicação.
O treinador se distanciou e Christine arremessou Luka no tatame outra vez.
— Calma, Christine! — reclamou o garoto.
Christine deu um tiro imaginário nele e sorriu, presunçosa. — Você está morto.
— Só estamos treinando — ele retrucou enquanto levantava.
— Não tem treinamento em uma batalha.
— Nunca deveriam ter deixado meninas participarem do treino físico.
— Continuaríamos treinando escondidas e ganhando de você.
— Você não é o bom em tudo, Luka? — provocou André. — Então está na hora de vencer a Christine, pelo menos quando ela não está se esforçando.
Luka não se dignou a responder e a distração foi útil para se afastarem um pouco mais dos outros alunos, mas o garoto nem se deu conta, apenas voltou ao enfrentamento, ainda mais mal-humorado, ao passo que Antony, se aproveitou da breve perda de concentração de André e o desequilibrou. O menino não se destacava em lutas, mas aprendia rápido e, quando a saúde permitia, era um bom oponente. André mostrou um sorriso elogioso e recomeçaram.
— Alguém terminou algum livro para trocar comigo? — perguntou André. — Tenho um hoje.
— Eu terminei aquele que você queria — falou Keith, rápido, antes que um colega se manifestasse. — Qual você tem?
— Aqui não! — pediu Milena.
— Calma, Milena, estamos seguros — tranquilizou Keith.
André e Antony levaram a luta para perto de Keith, Milena e Alicia.
— O meu é aquele com olhos na capa e um número como título. Sabe qual é? — falou André.
— Sei, quero. Estou atrás dele desde que o Antony disse sobre o que era.
— Esse seria menos suspeito falar logo o título — observou Luka.
— Eu tenho um bombástico — contou Christine.
— Os que você lê são sempre os melhores, os mais interessantes, os mais informativos e, no final, são os mesmos que nós lemos. Então me desculpe se não acreditamos em você — objetou Keith.
— Mas esse é. Agora eu sei o que é comunismo.
— Não fala essa palavra — censurou Milena e olhou em volta.
— Ninguém está prestando atenção em nós. Estão todos fofocando entre si, devem estar falando sobre o capitão Ziger.
— Se ouvirem a gente falando isso, vão prestar atenção e nos pegar. Acabaremos presos junto com ele.
— Está bem: Moranguinhos, eu aprendi a cultivar moranguinhos.
— Todos nós sabemos o que é “moranguinho”, Christine. Aprendemos isso desde o ensino fundamental — respondeu Luka.
— Que é um método terrorista que assolou o nosso país séculos atrás? Descobri que fomos enganados.
— Que droga, Christine! Vão nos pegar por culpa sua — reclamou Keith, a imprudência da amiga começava a afetar até a tranquilidade dela.
— Pelo menos fala baixo, Christine — pediu André.
— Tá! Descobri que não foi o moranguinho que destruiu a sociedade de alface há cem anos.
— Mentira! — respondeu Milena.
— Tem total coerência.
— Mesmo assim pode ser mentira, são obras escritas por pessoas, não entidades supremas, donas da verdade — contestou Antony.
— Igual a bíblia.
O grupo inteiro paralisou, apenas Christine e André continuaram se movendo.
— Christine, não exagera — falou André. — Vamos, gente! Ou alguém vai perceber que estamos parados. — Todos voltaram à atuação. — A Christine não quis dizer que o livro conta uma verdade absoluta — apaziguou —, ele pode ser ficção como tudo o que lemos, portanto não podemos confiar cegamente. O que podemos, e devemos fazer, é comparar com a realidade e avaliar o que está mais próximo da verdade.
— Eu quis dizer, sim — respondeu Christine e André desviou o olhar do próprio combate para lançar sua repreensão silenciosa na companheira.
Milena derrubou Alicia. — Como é que você sabe que esse livro não está mentindo, Christine? — perguntou, oferecendo a mão para a colega se levantar.
— Sei porque, se fosse mentira, não seria proibido. Além do mais, olha como nos ensinaram sobre isso, sempre a mesma história toda a vida, não há variações, não está em nenhuma fonte de pesquisa e nunca podemos sequer mencionar. Não acham suspeito demais para ser a verdade? O livro diz até o motivo de a coisa se chamar assim.
Mais uma vez silenciaram-se, havia muitos argumentos para a justificativa, mas eles estavam inclinados a aceitar que tudo o que era proibido, no mundo literário, merecia ser ouvido.
— Isso está num dos nossos volumes? Eu li mais do que todo mundo e não vi esse — desconfiou Luka.
— De novo esse papo de recordista? A história das edições proibidas estourou ontem e você já está se achando o maior leitor de todos os tempos — reprovou Keith.
— Desculpe se leio mais rápido do que vocês.
E Christine o derrubou pela terceira vez, agora com mais força, e os colegas puseram-se a rir.
— O Antony tem uma lista muito mais extensa do que provavelmente é a sua — informou Christine. — Ele foi o primeiro a notar que tinham obras desse tipo na caixa, lembra? Se não fosse isso você não saberia até hoje.
— Você tem uma lista, Antony? — preocupou-se Milena. — E, se alguém pegar?
— Não exatamente, é mais no sentido figurado — respondeu Antony.
— Qual é o título desse livro bombástico? — quis saber Luka, com o ego mais abalado por duvidarem da sua capacidade como leitor e por haver algum título proibido que não tivesse conhecimento do que pelas derrotas consecutivas para Christine.
— Você está brincando, né Luka? — perguntou Milena.
— Por quê? A Christine mesmo falou que ninguém está prestando atenção em nós.
André lançou outro olhar crítico a Christine.
— Não combinamos de nunca falar os nomes em voz alta? — lembrou, voltando-se a Luka.
— Fale em voz mais baixa.
— Mal estamos nos escutando assim, se ela falar ainda mais baixo é o mesmo que não falar — contrapôs Keith.
— Novo acordo, todo mundo fica de olho no Luka, se alguém nos entregar, será ele. E, se isso acontecer, vamos dizer que ele foi o idealizador de tudo — sugeriu Christine.
A aprovação foi imediata e Luka riu.
— Não vou entregar ninguém, só estou curioso porque parece que tem mais livros rodando.
— Só porque você não leu esse? — questionou Milena.
— Não é isso. Estamos lendo desde que achamos e vasculhei muito aquela caixa, vi todos e li a maioria. Mas, às vezes, aparece, do nada, um como o da Christine, que nunca nem ouvi falar.
— Será que alguém está aumentando o nosso acervo? — sugeriu Keith.
— Vocês esquecem que tinham volumes assim nas caixas de todas as turmas do ensino médio? Não tem como o Luka ter visto até os das outras classes — disse André.
— E será que seria tão ruim se estivéssemos ganhando mais exemplares? — cochichou Alicia. — Em alguma hora vamos terminar, um abastecimento assim é bem-vindo, não importa de onde venha.
— É claro que importa, os livros vieram... dele — bronqueou Milena.
— Não quer mais ler? — perguntou Christine e Milena ficou quieta, como os demais. Luka, no entanto, não estava disposto a abandonar o assunto.
— Alguém mais leu o da Christine? — ele quis saber.
— Eu li — respondeu André. — Estava na caixa, junto com os outros, é fino e fácil de compreender.
— Leu mesmo? É sobre o que, além de moranguinhos?
— Você vai descobrir quando ler, agora vamos parar com essa discussão. O treinador está vindo — falou André.
— Antes quero saber quem quer trocar comigo — disse Christine.
Apenas ela e André não se manifestaram.
— Olha só... A santa Milena e o cético Luka, querendo saber o significado dos moranguinhos. Milena eu entrego para você no vestiário, depois ela passa para o Luka, se quiser.
— Uhum — Milena resmungou, a silhueta do soldado já começava a aparecer na visão periférica dela.