Rato Imbatível Ás de Paus · Capítulo 18 de 33
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Rato Imbatível

Oito dias antes, as sobrancelhas de Edmund, já unidas pela concentração, grudaram-se ao ler a mensagem escrita no bilhete dado pelo mecânico. Ele não reparou que era seguido, mas se isso acontecia, não podia ser bom sinal e voltou a tentar contato com a sede do governo com muito mais empenho, nada funcionava, mas viu que Bespalez falou com o capitão Bronielsken, na base, e deduziu que o problema poderia ser na capital e não no porta-aviões.

Assim o major resolveu voltar à sua cabine para pegar os pertences mais importantes, mas pareceu óbvio que não era prudente ir até lá sozinho e depois que escurecesse como vinha fazendo todos os dias, por isso se misturou a jovens marinheiros barulhentos para acompanhá-lo. Foi então que notou, pela primeira vez, seus perseguidores.

Ele conseguiu detectar dois homens, inclusive quando parou na cabine, arrumou a mochila e guardou nos bolsos os itens que teve receio de deixar ali, onde qualquer um poderia pegar. Desejava levar a mochila inteira, mas isso abriria espaço para perguntas que não queria responder. Durante o almoço, a algazarra dos seus jovens companheiros ocultou o seu olhar analítico, notou assim que já tinha visto seus perseguidores à espreita, só não sabia o motivo na ocasião, notou também que não havia outros, mas podia estar errado, pois não era bom nesse tipo de percepção ou teria visto sozinho que estavam no seu encalço.

Uma hora depois, Edmund voltou para o Centro de Controle e encontrou justamente quem mais precisava.

— Capitão! — ele chamou.

— Sim, major — disse o homem, mas sequer virou-se para Edmund.

— Por que estou sendo seguido?

— Seguido?

— Por aqueles dois ali.

E ele apontou para os soldados que fingiam vigiar a porta principal, Bespalez dirigiu um olhar monótono para eles.

— Eles não estão seguindo você — respondeu —, estão acompanhando, são seus seguranças. Não leu os protocolos? Toda autoridade que vem para o meu porta-aviões ganha escolta.

Edmund estreitou os olhos para Bespalez, conhecia os protocolos do exército e não acreditava que os da marinha fossem muito diferentes; jamais existiu regra para escolta dentro de uma instalação amiga. E certamente faltava uma interna também ou o mecânico não teria estranhado a ação.

— O porta-aviões do governo federal, você quer dizer.

— É claro! Foi o que eu quis dizer.

— Por que alguém precisaria de segurança aqui?

— Nunca se sabe.

— Parece que nunca se sabe nada nesse navio.

— Mais alguma coisa, major?

— Não.

Um fato Edmund tinha de admirar, Bespalez era hábil em mentir.

Naquela tarde Edmund se dedicou a novas tentativas de contato, parecia que isso ficou pior depois da pausa afastado da sala e modificou sua desconfiança, talvez o problema não fosse na capital, mas ali, causado por alguém. Antes de sair estava tudo em ordem, agora os aparelhos estavam mortos, e olhou para Bespalez, concentrado em seus afazeres, suspeitar dele era fácil, o homem não inspirava nenhuma confiança.

E resolveu desistir daquilo tudo e pedir um helicóptero para a Base Naval, tinha de sair daquele lugar e não poderia mais esperar pela boa vontade de alguém enviar um, ele presumiu que viessem buscá-lo minutos após a notificação de Leon, mas nenhum veio e decidiu tomar as próprias providências ou ficaria naquele porta-aviões para sempre.

Ele se dirigiu novamente à sua cabine para pegar a mochila longe de olhares curiosos, e esperar na plataforma, aproveitou que não viu os seus acompanhantes indesejados em parte alguma e correu para lá compenetrado na ideia de ir embora. Entretanto, quando entrou no corredor externo que dava acesso aos dormitórios, um marinheiro bloqueou o seu caminho. Grande, largo, feio, ninguém que tivesse visto antes, mas havia tantas pessoas naquela embarcação que precisaria de mais do que onze dias para conhecer a todos.

Edmund seguiu a passos rápidos, desiludido da esperança de que foi um encontro fortuito, a expressão do homem não deixava dúvidas e seu sorriso ao vê-lo era prova clara de más intenções.

— Sério? — falou Edmund quando o homem parou e o fez parar também.

— Está com pressa, majorzinho?

— Estou. Não quer dizer ao capitão que não me viu e seguir seu caminho?

— Não. Mas quero ver se você sabe nadar.

O homem sorriu outra vez, jogar Edmund no mar seria fácil demais, ele era tão pequeno perto dele, pesava metade de seu peso e, com aquele rosto dócil, não parecia capaz de esboçar reações, assim avançou confiante.

Edmund estava preparado e saltou para uma caixa de fusíveis acoplada a parede, pegou impulso nela com um pé e caiu com o outro sobre a lateral do quadril do marinheiro. O homem desabou e mal seus joelhos tocaram o chão quando Edmund completou com um soco que o fez bater a cabeça na viga de metal da grade que os separava do oceano, ali terminou de cair desfalecido.

Os seus conhecidos perseguidores se aproximavam pelo lado oposto. Para sorte de Edmund, o corredor estreito impedia que viessem juntos e ele correu na direção dos dois. Seu tamanho conferia vantagem no espaço reduzido e agachou-se contra as pernas do primeiro no instante em que ele erguia o braço para golpeá-lo. Quando o homem se desequilibrou, Edmund o apoiou em suas costas e levantou, jogando-o contra a cerca. Não esperava, contudo, usar tanta força. O sujeito voou sobre o corrimão, rumo ao mar.

Num impulso, o major agarrou o colarinho dele e o puxou. Não foi o suficiente para tirá-lo do perigo, mas permitiu que o homem se agarrasse às grades, afundando-as com a colisão de seu corpo. Porém, o ato custou a Edmund a possibilidade de se defender da pancada que o segundo marinheiro lhe deu nas costelas. Ele perdeu o ar e a força para sustentar o peso do outro agressor.

O rapaz caiu, aspirando pelo nariz e boca com todo o esforço de que era capaz. Imediatamente recebeu um chute no estômago que acabou com o restante de ar que havia em seus pulmões.

— Socorro! — o primeiro gritou, escorregando na balaustrada lisa.

O segundo hesitou, não queria perder a vantagem tão somente para ajudar o companheiro, mas estendeu o braço para ele e Edmund se virou de lado, contraiu os músculos na tentativa de atenuar as dores, e expeliu o pouco ar que conseguiu inalar com um berro. Foi o bastante para se mexer e enxergar novamente, usou a chance para chutar as pernas do marinheiro que o golpeou, com tanta força que bateu o próprio pé no metal do outro lado, o dedão doeu a ponto de quase fazê-lo esquecer das costelas, mas o homem caiu, deixando o parceiro mais uma vez pendurado.

E Edmund correu, arqueado e manco, porém, a dor era irrisória comparada a morrer arremessado no mar daquela altura. Saltou por cima do brutamontes caído e passou direto pela cabine, não queria saber que armadilha o esperava lá, o que tinha de mais importante já estava com ele desde cedo: sua carteira, o molho de chaves e seu Palm Toot.

Não queria ser flagrado pelas câmeras, então foi pelo outro corredor. Observou, no primeiro dia, que era mais fácil evitá-las ali, onde tinham câmeras de segurança apontadas para outras câmeras, paredes e teto. Não sabia ainda para onde ir, só que tinha de ficar escondido até a chegada do helicóptero.

O trio incumbido de acabar com Edmund foi atrás dele. Mas até o único em condições de persegui-lo levantar-se, puxar o colega para dentro da embarcação e acordarem o terceiro, o major já tinha sumido. Eles correram pela passagem, entre o depósito e os dormitórios, viram que foi por ali que ele fugiu, mas Edmund não estava se arrastando pela plataforma como pensaram e voltaram experimentando as portas que ladeavam o corredor, todas trancadas e a do depósito tinha fechadura eletrônica, só os oficiais tinham a senha.

— Samuel, vá ver se ele não foi para o Centro de Controle, contar o que aconteceu ao comandante — um deles falou. — Esperaremos na cabine dele.

O homem saiu, apressado, foi o único que conseguiu atingir o major e era o menos abalado dos três, o que deu a ordem permanecia trêmulo pelo susto de ter quase caído no mar e o outro estava completamente aéreo.

Poucos minutos depois eles estavam na cabine de Edmund tramando o que fariam: contar a verdade ao comandante estava fora de questão, dizer que mataram o major, como Bespalez mandou, também era impensável, considerando que ele poderia reaparecer a qualquer momento. Após muita deliberação, ficou decidido que diriam que o jogaram no mar, mas que ele lutou e não conseguiram dar o golpe necessário para que ele morresse antes.

Para conferir veracidade a história, pegaram um o casaco reserva de Edmund, o rasgaram e prenderam na grade do lado de fora da embarcação, depois foram falar com o capitão.

— Eu não acredito que o majorzinho deu trabalho — ele reclamou.

— Fomos pegos de surpresa. Quando o senhor disse que se tratava de um rato de computadores, pensamos que não era alguém com treinamento militar tão...

— Então a culpa é minha?

— Não, senhor, nós é que interpretamos mal.

— É bom para aprenderem que, às vezes, os camundongos são superiores aos gatos.

— Mas nós fizemos o trabalho, não há mais com o que se preocupar.

— Bom — disse Bespalez, com um grande sorriso, aparentemente havia situações em que ele sorria. — Daqui para frente é comigo. Tirem a semana de folga e, você, vá falar com um médico.

O marinheiro que bateu a cabeça na viga de metal tinha a marca dela azulada na latera da testa, o homem só olhou para Bespalez, não estava conseguindo formular os pensamentos, mal participou do planejamento e logo não se lembraria mais o que decidiram e fizeram.

— Sim, senhor — respondeu o outro, o que ficou pendurado na grade. — Talvez o senhor possa nos dizer quando receberemos o que nos prometeu.

— Talvez os senhores também queiram conhecer o mar de perto.

Os três ficaram em silêncio, um por nem saber o que estava acontecendo, os outros por saberem exatamente o que estava acontecendo e que o capitão cumpriria a ameaça livre de qualquer preocupação ou culpa.

— Não, senhor — o marinheiro respondeu, então.

— É o que eu devia fazer por terem deixado o major perceber que estava sob vigia, mas sou um homem de palavra e receberão o que prometi, quem sabe até mais serviços se deixarem de ser idiotas. Agora vão embora, tenho muito o que fazer!

Eles saíram com tanta pressa que se engalfinharam na porta apertada e puseram-se a procurar por Edmund antes que ele ressurgisse e estragasse tudo.

Na sede do governo, Dimitri descansava largado em seu sofá. Trancou a porta de sua sala e ficou lá, quieto para não ser incomodado, tinha a intenção de dormir para chegar à noite munido de todas as forças, queria passá-la se divertindo longe de casa e do trabalho para comemorar a alegria de não precisar se preocupar novamente com os arquivos comprometedores que deletou naquela manhã, quando ouviu o alarme do rádio via satélite. Ele sempre esquecia que não podia deixá-lo com som ou um dia alguém mais ouviria, mas só se lembrava disso quando o sinal soava e correu para a mesa, destrancou a gaveta e o pegou rápido.

— Na escuta — disse.

— Bespalez falando.

— Eu ficaria preocupado se não fosse — respondeu Dimitri, e Bespalez teve a certeza de que estava falando com a pessoa certa. — Me dê boas notícias.

— Seu garoto foi eliminado.

Dimitri sorriu, duas vitórias no mesmo dia era mais do que esperou. — Bom saber, muito bom.

— Mas deu trabalho. Acho que ele deixou um dos meus homens retardado, nem sei se poderei usá-lo outra vez.

— Tem certeza de que estamos falando do Zinekolski? O major que eu conheço nem deve ter musculatura para levantar um rifle, não poderia dar trabalho.

— Engano seu, ele lutou e muito bem, pelo que suponho. Os três que mandei para o serviço voltaram avariados.

— Então escolha melhor os seus homens porque, se o Edmund deu trabalho a eles, nem um recém alistado conseguiriam enfrentar.

Dimitri mal conhecia Edmund e nem imaginava as suas capacidades e incapacidades, apenas o julgava por sua aparência e, como isso não fazia diferença para Bespalez, ele não quis se prolongar naquele assunto.

— Também liguei para avisar que o novo carregamento já foi enviado.

— Ótimo! Arrumou outro jeito de fazer os envios? O seu excesso de treinamento militar está começando a chamar atenção.

— O senhor é especialista em cobrir rastros, tenho certeza de que vai encobrir esse...

— Sou eu quem tem que encobrir os seus passos malfeitos? — interrompeu Dimitri.

— Não, senhor, me desculpe.

— Irei perdoar porque você me deu excelentes notícias, mas nunca esqueça da sua posição e de quem o colocou nela.

— Eu não esquecerei.

— Acho bom! Tem mais alguma coisa a dizer?

— O último carregamento será enviado em sete dias, e a agenda se regularizará, assim como os pagamentos.

— Bom... Bom... E o que mais?

— Mais nada, senhor.

— Então não me ligue por enquanto, espere que eu entrarei em contato quando precisar. As coisas andam tumultuadas por aqui.

— Está b...

Dimitri nem esperou ouvir a resposta de Bespalez, desligou e depois desligou o aparelho, guardou e voltou para o aconchego do tecido macio de seu estofado, pretendia dormir pelo restante da tarde.

Naquele momento Leon chegava à central de controle tecnológico. Todos os rapazes trabalhavam em frente aos seus terminais de computador, inclusive Wolsh, por isso ele foi atendido por um jovem que estava mais próximo à recepção.

— O marechal quer saber se já temos respostas sobre os arquivos desaparecidos — ele informou ao rapaz.

— Ainda não — respondeu o garoto —, o Wolsh está trabalhando nisso enquanto fazemos uma varredura no sistema para ver se houve eliminação de outros arquivos. Isso pode nos dar uma pista do que estavam procurando.

— Interessante. E já acharam algo?

— Também não, até o momento parece que mais nada desapareceu.

— Pode deixar que eu atualizo o general — Wolsh chegou dizendo.

O rapaz assentiu, depois voltou-se à Leon. — Até mais, general — disse e retornou ao seu lugar.

— Venha à sala do chefe comigo, general, quero que veja a evolução do nosso trabalho — falou Wolsh para que todos pudessem ouvir, e Leon o seguiu à mesma sala em que conversaram no dia anterior, a de Edmund, onde Wolsh se sentia mais seguro.

Uma vez dentro dela, Wolsh fechou a porta, após rápida verificada nos arredores, e se aproximou, ansiado, de Leon.

— Passei o dia pensando em como falar com o senhor, foi um alívio vê-lo entrar aqui.

— O que houve?

— Os arquivos desaparecidos, acho que não foi obra do Ás de Paus, a menos que ele tenha entrado aqui hoje, pela manhã, e se conectado ao sistema com uma das senhas seguras do marechal.

— Explique melhor.

— Quero dizer que os arquivos foram acessados por aquele computador em que eu estava trabalhando. Quando soube, pedi para que os rapazes fossem fazer a varredura e fiquei trabalhando sozinho lá, não sei o que eles podem ou não podem saber.

— Fez bem, temos que preservar a segurança dos meninos.

— Eles suspeitariam logo. Ninguém acreditaria que o marechal viria até aqui para apagar arquivos, se ele pode obter tudo o que quiser direto da sala dele, o que imagino não ter é tempo para ficar procurando, e o único, fora do setor, visto aqui foi o coronel.

— O Dimitri? — desanimou-se Leon.

— Sente-se, general, vou começar a explicar do começo. — Leon sentou-se e Wolsh ocupou a cadeira ao lado, quanto mais perto ficassem mais baixo poderiam falar. — Ontem, quando o senhor me pediu a pesquisa especial, eu comecei pelo que estava achando mais estranho, que é o caso da pedreira Cesno, então busquei os arquivos que agora estão desaparecidos e estavam todos lá quando saí, à noite. Por isso pedi para que não tocassem em nada até que eu chegasse, e vim pensando em inúmeros motivos para um terrorista ignorar tantas informações importantes guardadas nas memórias e se concentrar naqueles arquivos. A resposta é simples, não existia nenhum motivo, não foi ele.

— Você tem certeza?

— Tenho. Os pacotes de senhas aleatórias que o chefe fazia para o marechal, pertencem só a ele, nem eu conheço, mas sei identificar quando são usadas. Tudo o que é feito, via sistema, dentro desse prédio é registrado automaticamente, com o código digital de cada pessoa. Quem fez isso sabia que a senha pessoal o delataria e também conhecia as senhas do marechal, ou precisaria ser o marechal, mas a chegada dele à sede do governo foi registrada apenas alguns minutos atrás.

— O marechal acabou de chegar realmente. A pedido dele, desci para saber sobre as investigações.

— Bom! Os registros mostram que o coronel não saiu da sede desde ontem e, tirando ele, só o senhor poderia descobrir uma das senhas do marechal, mas a sua saída daqui foi registrada ontem e o retorno pouco depois do acesso ao banco de dados.

Leon se recostou na cadeira, decepcionado e cansado. — O Dimitri disse que veio procurar os arquivos para deixar com o marechal.

— Então por que não usou a própria senha? Além disso o coronel poderia imprimir cópias do terminal do escritório dele.

— Só não teria como deletar, eu suponho.

— Não. Isso só é possível daqui.

— E ninguém entra nesse setor sem ser detectado?

— Nada no mundo é impossível, mas duvido que seja o caso, só temos uma porta. E, na hipótese de uma invasão externa, seria muito trabalho e perigo para apagar arquivos inúteis.

— Talvez fossem arquivos inúteis para nós.

— Só teriam utilidade para um propósito, provar que foi o coronel quem mentiu sobre os desaparecidos e não o chefe.

O general baixou a cabeça, as suspeitas de Wolsh tinham fundamento, uma atitude descuidada como aquela combinava com Dimitri, e Leon viu a expressão dele quando Zunik o mandou buscar os relatórios da missão, o coronel não queria aqueles arquivos nas mãos do marechal, jamais os procuraria para deixar com o tio como alegou. E, se lembrou, de repente, das palavras de Dimitri, ele disse que parou de procurar por não saber o que mais foi apagado, não perdido, mas apagado. Poderia não ser nada, poderia ter sido uma escolha casual de palavras, ou poderia significar que ele optou pela palavra que estava mais forte em sua mente.

— Você achou algo mais sobre o Dimitri?

— Não muito... quase nada para ser sincero. Mas o contrato para a construção do prédio da nova sede do governo está estranho, os números não batem, o problema é que não conheço ninguém do setor financeiro ou contábil para conferir.

— Eu conheço, levarei a alguém confiável assim que você me entregar o material.

— Está bem. E quanto ao problema dos arquivos deletados?

— Há como prosseguir com a história de invasão?

— Não consigo manter uma história assim, mas posso dizer que o sistema sobrecarregou. Alguns dos nossos aparelhos estão velhos, não conseguem suportar os novos programas que usamos, posso culpá-los pela perda dos arquivos, uma sobrecarga realmente os queimaria com tudo o que estivesse dentro. Acho que isso convenceria até os nossos meninos.

— Então descubra discretamente se foi o Dimitri mesmo quem deletou os arquivos e, se as suspeitas se confirmarem, use a desculpa dos computadores velhos, por favor, assim eu saberei que foi ele sem ter de me comunicar com você e nenhuma atenção será voltada ao coronel, nem a dele a vocês, antes das suas investigações terminarem.

— Farei isso.

— Tem mais uma coisa que eu gostaria que fizesse.

— O que?

— Está acontecendo algo com o fornecimento de insumos para os Centros de Cura e é o Dimitri quem cuida disso. Tem como verificar também?

— Os Centros de Cura têm sistema próprio e é isolado, se o problema for dentro deles não tem como, mas se for antes de chegar lá, posso dar um jeito.

— Obrigada, Wolsh. Tome cuidado.

A angústia na voz de Leon mostrou a Wolsh tudo o que ele precisava saber: Estava se envolvendo em algo mais nefasto do que poderia imaginar.

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