Primeiro militar, depois mulher Ás de Paus · Capítulo 32 de 33
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Primeiro militar, depois mulher

— Eu estou bem! — repetiu Verbena, com a voz carregada de irritação. A insistência em levá-la para longe de Zunik a exasperava.

Ela, de fato, não estava tão mal. A cabeça começava a doer e uma ardência incomodava na parte de trás do pescoço, mas era natural depois de parte de um carro explodir perto demais. Se a detonação fosse só um pouco maior ou tivesse gerado fogo, ela teria morrido; em compensação, a audição começava a voltar.

Verbena não tinha batido a cabeça como Zunik bateu quando os dois caíram fora do raio letal da explosão, então estava em melhores condições. Mesmo assim ninguém obedecia ao seu pedido para ficar, e estava cada minuto mais preocupada em deixar o marechal tão perto dos invasores.

Quando ela entrou na clínica, ladeada por soldados armados e amarrotados, olhares apreensivos viraram-se para eles, os estrondos chegaram ali, alguns saíram para ver o que os causava e voltaram com o dobro de curiosidade. Logo, um homem mais velho, alto, robusto e carrancudo entrou na ampla recepção.

— Mas o que é isso? — questionou, com os olhos furiosos em Verbena.

Um dos soldados se adiantou e parou na frente dela.

— Essa é a senhorita Koch, acompanhante do marechal. Ela está aqui porque se machucou durante a invasão e precisa de cuidados.

— Invasão?

— Sim. O batalhão foi invadido, talvez ainda esteja acontecendo, então se prepare para a vinda de mais feridos.

Naquele momento Verbena percebeu que o jovem soldado era o subtenente que a atendeu mais cedo, e se repreendeu, ela nunca esquecia um rosto, um timbre de voz ou um nome, agora bastou uma pequena desestabilização para que a sua atenção se perdesse, e aquela ardência no pescoço virou uma dor enervante.

— Vou organizar a equipe, mas ninguém vai tratar desta mulher.

— Vai, sim! Ou terá de se acertar com o marechal.

— Poderia ser a acompanhante até de Deus que ninguém tocaria nela, não no meu hospital.

— Você está desafiando o marechal? Pensa que manterá o emprego por quanto tempo depois?

— O marechal não intercederá por uma impura.

Verbena não aguentou mais aquela dor e deslizou os dedos pescoço acima; encontrou rápido um objeto duro, frio e afiado, enterrado na parte mole da nuca. Desprezando a pontada aguda, ela apertou os dedos em volta da lasca e puxou dois centímetros de metal da carne.

O sangue escorreu para a gola da farda e se acumulou ali enquanto analisava o filete diante dos olhos: parecia um pedaço da lataria do carro parcialmente destruído, mas não arriscaria afirmar.

Verbena ficou tão absorta no estilhaço que nem percebeu que o diálogo parou e todos olhavam para ela.

— Adrenalina — disse, rápido. — Estou tão cheia de adrenalina que não senti.

Mesmo assim eles ficaram olhando, espantados, por mais simples que fosse o gesto, ver alguém arrancar um pedaço de metal da própria pele, com nada mais do que uma discreta careta era impensável. Ver uma mulher fazendo isso ultrapassava os limites da lógica para cada espectador daquela recepção.

— Acho que vou precisar de um curativo. Quando essa adrenalina baixar, a dor vai começar.

— O que você poderia saber sobre adrenalina? — retrucou o médico.

— Ela é professora, a única e mais graduada desse país, talvez do mundo. Ela sabe! — Era mentira, ela certamente não era a mais graduada do mundo, mas Verbena gostou do elogio da mesma maneira. — Agora coloque alguém para tratar dela, eu vou voltar para lá, quando retornar, estarei com o marechal. Ele precisa de cuidados médicos também. Se a senhorita Koch não estiver muito, mas muito bem cuidada você terá de se explicar para ele.

O médico calou-se e o subtenente se virou para Verbena.

— Ficará bem aqui — disse.

— Obrigada — agradeceu Verbena.

— Não há de que — respondeu ele e olhou para o outro. — Fique com ela e cuide para que seja bem tratada.

Verbena mostrou um sorriso ao subtenente quando ele saiu. Estava mesmo grata, embora suspeitasse que ele não fez isso por preocupação com ela, mas porque queria agradar ao marechal através dela.

Antes de Zunik chegar à sala de segurança, ele estava falante, contou que tinha uma toalha e uma abotoadura que pertenceu ao líder, queria saber o que o marechal gostava de comer, o que ele vestia quando não usava farda, o que ele bebia com mais frequência, e inúmeras perguntas fora de hora, já que havia um ataque em andamento no complexo. Entretanto, quando o marechal chegou, ele congelou, mudo como um dos móveis que os cercavam e sua tristeza foi palpável quando Zunik chamou o seu colega para acompanhá-lo e não ele. O homem era um fã, do tipo apaixonado.

O médico chamou o enfermeiro, que assistia assustado na frente do balcão, o encarregou de cuidar dela e saiu. O rapaz a levou apressado por um corredor de acesso à enfermaria, ela o acompanhou no mesmo ritmo, com o soldado logo atrás, um sargento Verbena percebeu. Na presença dele talvez os profissionais não limpassem o seu ferimento com uma escova de aço e cobrissem com sal. O pensamento fez um pequeno riso curvar os lábios dela.

Mas o enfermeiro foi gentil. Ele limpou o corte com dedos leves, avisou que doeria um pouco antes de aplicar o anestésico e terminava de suturar quando Zunik chegou, junto de Adam, do extremamente feliz subtenente que a trouxe ali e de alguns soldados intoxicados ou sofrendo de feridas leves, apesar de a maioria se comportar como se estivesse falecendo após uma amputação em campo minado.

Um deles gemia alto. Nunca participaram de combates, Zunik era egoísta com o seu exército e não emprestava militares para conflitos externos. Como não havia mais invasões de território e embates internos jamais foram vistos por eles antes daquele dia, os garotos queriam valorizar cada arranhão que receberam.

— Está bem, senhorita Koch? — perguntou Zunik.

— Sim, fui bem cuidada. E o senhor?

— Soube que extraiu um pedaço de ferro do pescoço com a própria mão.

Verbena se repreendeu pela segunda vez naquela manhã. Ela conhecia as regras, não podia parecer tão independente, menos ainda dar sinais de força e já tinha feito muito mais do que o esperado dela, sequer sabia ainda como explicar. Naquele instante só torceu para que todo o seu trabalho, até ali, não tivesse se perdido nas atitudes impensadas.

— Era só uma lasquinha, quase uma farpa — ela respondeu, arrependida. Devia ter deixado o estilhaço no pescoço, talvez ter fingido um desmaio ao menos.

O médico entrou, esbaforido, em corrida desajeitada.

— Vossa excelência, é uma honr...

Zunik o encarou, severo. — Não está vendo que estou falando com a senhorita Koch? — cortou.

— Perdão... Perdão, excelentíssimo!

E Zunik se voltou à Verbena. — Salvou a minha vida hoje, senhorita Koch, sei disso agora e lhe sou grato.

Verbena suspirou, aliviada, talvez nem tudo estivesse perdido.

— Não fiz mais do que a minha obrigação, senhor, o que qualquer um teria feito — respondeu.

— Mas, “qualquer um” não fez, você fez.

Zunik não se sentia à vontade para admitir que foi salvo por uma mulher, contudo, negar o ocorrido arranharia a sua reputação após tantas testemunhas presenciarem o ato.

— Eu apenas estava no lugar certo — respondeu Verbena. — Vi quando o objeto foi arremessado debaixo do carro e demorei mais do que devia para entender que era de gênero explosivo. Naquela hora, só pensei que perdê-lo seria pior do que morrer.

— Viu quem arremessou?

O rapaz, que entrou gemendo, gemeu novamente e Zunik uniu as sobrancelhas, enquanto os seus lábios comprimiram em desaprovação.

— Não, senhor — respondeu Verbena. — Ouvi o barulho, olhei o que era e corri para tirá-lo de perto.

— Hum... E viu algum inimigo se aproximar de nós?

— Não, eu não vi mais ninguém.

— Nem depois que estávamos no chão?

— Foi muito rápido, eu vi os nossos homens me levantando e mais nada. — Zunik assentiu, pensativo. — Se me permite, senhor, gostaria de saber como estão as coisas. Os invasores ainda estão aqui?

— Não, eles fugiram.

— Algum foi capturado?

— Não. Desapareceram atrás daquela maldita fumaça.

O médico olhava para um e para outro, atônito. Verbena passou a interrogar, à vontade, e Zunik a responder de bom grado. Como aquilo era possível?

Verbena abriu um enorme sorriso. — Vitória, então! — rejubilou-se. — Suplantamos o inimigo.

— Pode ser...

O rapaz gemeu mais alto dessa vez.

— Pare com isso, soldado! — rugiu Zunik. — Enfrente a dor como um homem! Uma mulher faz isso melhor do que você — ele concluiu, mostrando Verbena.

O rapaz calou-se e Verbena baixou a cabeça, sentiu que o enfermeiro havia parado de mexer em seu ferimento fazia alguns segundos e ele aproveitou a pausa para avisar que tinha acabado.

— Muito obrigada — falou Verbena.

— Vossa excelência, sente-se, por favor — pediu o enfermeiro. — O doutor irá cuidar do senhor.

— Não tenho tempo para isso, precisamos voltar agora. Senhorita Koch, está pronta para ir?

— Sim, senhor. Mas antes, sinto dizer que há algo mais que requer a sua atenção.

— O que?

— Creio que mostrar é melhor do que dizer. — E ela fixou o olhar no médico que não queria atendê-la. — Talvez a presença de um médico seja necessária.

Zunik não conseguiu elaborar sequer uma palavra ao ver Saturno deitado de lado, com os punhos algemados aos tornozelos para trás e uma bola vermelha afivelada em sua boca. Ninguém conseguiu: alguns pelo choque de vê-lo daquele jeito, outros por conhecerem o caráter das atividades naquela sala e temerem que a punição recaísse sobre eles também.

— Senhorita Koch — falou Adam alguns segundos depois. — A senhorita fez isso?

— Sim. Ele tentou fazer de mim mais um cartaz na parede.

Verbena não quis olhar para Adam, era com ele que precisava tomar maior cuidado. Adam esteve perto dela desde que chegou e mostrou para o rapaz completa dependência de proteção masculina. Não fazia nem um dia que ele a tinha resgatado, em desespero, das garras de um velho capitão embriagado e, hoje, ela imobilizou um homem sóbrio, maior e mais jovem. Seria difícil convencê-lo de sua necessidade de defesa agora.

Mas deixaria para resolver esse problema depois, naquele instante preferia se deliciar na sensação de ver o médico olhar para ela com a pele embranquecida e úmida de medo. O seu temor da punição era tão previsível quanto o seu conhecimento sobre o que Saturno fazia ali e o furor fulgente emanando de Zunik não deixava dúvidas de que o castigo seria terrível.

Zunik conhecia os fetiches de Saturno, assim como o restante do exército. Por isso teve uma enfática conversa com ele quando recusou sua candidatura para a vaga de segurança de Verbena. Zunik soube, no mesmo instante, porque Saturno queria ficar perto dela e deixou muito claro que ele não devia tocar na professora, nunca, nem mesmo falar com ela à distância se ele não estivesse junto.

Todavia essa desobediência não foi a única coisa a enchê-lo de ira. O marechal incrementou as leis de moral e bons costumes, desafiá-las era desafiar a sua ordem. Enquanto Saturno vivia suas fantasias às escondidas, com mulheres raptadas do terceiro e quarto anel, Zunik não se preocupou com o que poderia representar para a sua autoridade. Agora, que o comportamento foi descortinado, a infração se tornou pública e não podia mais fingir desconhecer.

— Como? — ele perguntou à Verbena.

— Sou uma oficial do exército de Novanação, senhor. Que vergonha eu seria para o nosso corpo militar se não pudesse usar o treinamento básico para me defender de alguém como ele.

Tudo o que Saturno podia fazer era olhar para o grupo, desesperado e explodindo de vergonha. Ele não se lembrava de haver treinamento da técnica usada por Verbena, mas também não estava em condições de se lembrar de nada, só conseguia pensar que tinha sido pego, de surpresa, por uma mulher, e agora estava humilhado diante do marechal.

— Não é tão frágil quanto pensei, senhorita Koch.

Ali estava, a desaprovação que Verbena temeu, e seu estômago pareceu contrair pelo receio de cair no desagrado do marechal. Ela queria encantá-lo, não repeli-lo, e o olhar de Zunik mostrava que suas chances de conquistá-lo estavam se esvaindo, mais que isso, ele começava a ver Verbena como uma anomalia e não mais como uma pretendente.

— Como disse, meu senhor. Pertenço ao seu exército, portanto sou primeiro militar, depois mulher.

Zunik não sabia como julgá-la. Havia um dilema ali: mulheres não deviam se comportar daquela maneira, muito menos ter a capacidade para fazer o que ela fez. Ele devia determinar uma sentença por isso e outra pela professora ter trazido à tona aquela vergonha.

Em contrapartida, Verbena era uma Koch, preparada pelo pai para ser a melhor de sua gênese, treinada no rigor de Vitorel, e ainda a escolhida para andar ao seu lado. Ela tinha de honrar o prestígio do pai e se alinhar com a posição do marechal. Além do mais, se Saturno obtivesse êxito, ele não poderia nem deliberar, teria de sentenciá-la, e perderia uma peça única em prol de um major módico como tantos que existiam ao seu dispor.

Aquele minuto de reflexão de Zunik pareceu a eternidade para Verbena. Mas ela permaneceu impassível, com a cabeça erguida como ele gostava de ver em seus comandados de confiança.

— Muito bem, senhorita Koch, de diversas maneiras você foi um exemplo para o meu exército hoje. Como o Saturno atentou contra a sua honra, você escolhe como ele irá pagar por isso. Eu sugiro execução imediata, é o que a lei prevê para desobediência.

Saturno entrou em pânico, se contorceu e tentou gritar, mas só conseguiu ficar mais patético, sob o olhar furioso de Zunik e cruel de Verbena.

— Senhor, eu acredito na recuperação de homens do exército, por isso gostaria de propor a prisão desse — falou Verbena, e Saturno se acalmou de súbito, era possível que houvesse esperança, e Verbena deu tempo para que ele sentisse essa esperança, depois se virou lentamente para Zunik. — Eu conheci o presídio de Vitorel quando servi na região, é uma instalação singular, adequada para ele.

Foi como se Verbena tivesse lançado um raio no corpo de Saturno. Ele já estava abençoando a benevolência feminal, para em seguida ouvir que Verbena pensava em algo pior do que a morte. O presídio de Vitorel era famoso pela brutalidade, tanto dos internos quanto dos carcereiros, um tratamento alimentado pelos anos iniciais de funcionamento, porque Zunik deu à região a classificação de “contaminada” depois que a conquistou como território nacional.

E Saturno voltou a se debater, ensandecido. As histórias da violência cometida com homens de quem os encarcerados não gostavam corriam o país pelas bocas dos guardas. Os presos perpétuos mais isolados do país, que jamais recebiam visitas e só saíam de lá para um Centro de Cura.

Saturno costumava apreciar as histórias, gostava de imaginar como as atrocidades eram praticadas, baseado na convicção de que bandidos deviam ser tratados assim, e qualquer um que discordasse de seus ideais era bandido. O problema é que sua imaginação sempre foi vívida demais para aceitar ser ele a vítima de uma dessas atrocidades.

O rosto de Zunik, por outro lado, se iluminou. Escutar Verbena falar em chance de recuperação, após ouvi-la dizer que era primeiro militar, depois mulher, o incomodou mais do que já estava incomodado. Assim como Saturno abençoou a atitude como benevolência do sexo, Zunik amaldiçoou como fraqueza do sexo. A decepção intensificou as amarras de seu semblante e já começava a se arrepender da decisão de poupá-la.

Mas escutar, em seguida, que ela queria mandá-lo para um presídio como aquele desmontou a sua carranca. E a inclemência de Verbena abriu nele uma nova visão sobre ela e tudo o que as últimas horas o impeliram a supor a respeito de sua relevância sumiu.

Verbena, de repente, se pareceu com uma de suas serpentes: rara, excepcional e letal quando precisava ser. A decisão foi o veneno que faltava para que ele a colocasse no patamar da primeira fêmea que não rastejava sobre o próprio ventre, capaz de se comparar a ele.

— Que assim seja — proferiu Zunik com um sorriso encantado, dissipando com ele os temores de Verbena. — Tirem-no daqui e acabem com essa imundice que foi acumulada nesse lugar nojento.

Apenas Adam e alguns soldados mais jovens não entenderam por completo o desespero de Saturno, os poucos que nunca ouviram falar do lugar para o qual ele seria enviado.

O homem se debateu com mais força quando Verbena entregou as chaves das algemas, lágrimas escorriam por seu rosto, ele quis voltar no tempo e impedir-se de adquirir aquela mordaça. Queria falar, implorar à Zunik para que não o prendesse em nome de tudo o que fez por ele, mas nada saía de sua boca, além de gemidos alucinados produzidos através da garganta dolorida de tanto tentar gritar durante as horas em que ficou ali no chão.

Zunik, Verbena e Adam voltaram ao carro que os levou ao oitavo batalhão. A escolta os aguardava na entrada e seguiram para o centro da cidade. Zunik esqueceu totalmente do que o trouxe ali, sua cabeça girava em incontáveis pensamentos, e não era pelo impacto de ter sido quase varrido da terra de uma maneira nada gloriosa, nem a traição de Saturno. Ele não gostava muito do homem mesmo. Menos ainda a novidade de Verbena não ser a frágil donzela que julgou. Não. Era a sua irmã, Zunik não sabia mais se a viu realmente ou se a visão foi fruto do seu estado ímpar. Mas por que ele teria um delírio com ela? Alguém em quem não pensava desde a sua morte.

E tinha também a intriga da própria invasão. Aquela foi diferente das orquestradas pelo Ás de Paus, foi desleixada, despreparada e imprudente, o planejamento beirou a infantilidade e ele precisava entender.

Zunik não era bobo, o batalhão não devia ser o real alvo ou teriam mandado mais gente, no mínimo. Então qual seria o alvo verdadeiro? Mostrar a ele uma sósia de sua irmã? Defender o quarto anel? Mas, para isso, o Ás de Paus precisaria saber que estava indo para lá e quais eram os seus planos.

Eram muitas perguntas e Zunik as remoeu, apreensivo, no percurso de retorno. Esperava encontrar respostas nas investigações, não através de outro pronunciamento humilhante do Ás de Paus.

Adam e Verbena compartilharam do silêncio no veículo. Em sua quietude Adam se esforçava para compreender Verbena, para reprimir a sensação amarga de que ela o enganou. Em uma batalha interna, visando obrigar sua consciência a entender que não devia sentir-se assim, uma vez que ela era uma oficial superior, não sua amiga.

E Verbena sabia o que ele estava sentindo, ela já o conhecia o bastante para entender o significado de sua expressão fechada e de seu olhar distante. Não devia ter estabelecido vínculo de afeto com ele. Agora se distraía procurando explicações para lhe dar, inquieta por perceber que justificativa alguma seria suficiente para apagar a desconfiança que se instalou entre eles.

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