Epílogo Ás de Paus · Capítulo 33 de 33
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Epílogo

Sônia levantou a cabeça ao som do bipe discreto de seu rádio, seguido de dois bipes curtos que indicaram a origem do som. E abandonou, apressada, suas anotações na escrivaninha.

— Oi — disse com urgência. — Já tem notícias?

— Sim — respondeu a voz jovial. — Deu certo. A ação no quarto anel impediu o marechal de chegar aos civis.

— Que bom!

— Só não sei por quanto tempo.

— Quando será feita a retirada do restante dos moradores?

— Não sei... tudo o que posso dizer é que não dá para ser uma missão surpresa como a de hoje ou esse circo vai terminar mais cedo do que o esperado.

— Por que está dizendo isso? O que aconteceu?

— A Dama de Ouro foi atingida e o Ás de Paus também. Me disseram que estão bem, mas até onde me consta podem ter morrido. Ninguém me informa nada direito nesta droga de abrigo!

— O Ás de Paus? — exaltou-se Sônia. O som da própria voz a fez lembra-se de Edmund e espiou o corredor pela porta entreaberta para garantir que ele não estava por perto. Já o havia soterrado de informações, precisava deixá-lo se recuperar antes de agregar novas. — Como o Ás de Paus estava lá? — cochichou.

— Quem Sabe? Acho que você vai ter que tirar isso direto da fonte. O importante é que você poderia ter ajudado, talvez impedido que se machucassem, mas não estava aqui porque tinha que cuidar do marido fracote.

Sônia suspirou. — Agora não, Lin — pediu, cansada. — Por favor.

— Agora sim! Agora sempre! — gritou Lin. — Por que quer notícias se nem faz mais parte da rede?

— Porque eu me preocupo.

— Se preocupa nada!

O fone estalou ao aperto de Sônia, mas em vez de responder, ela franziu a testa em repentina compreensão. Conhecia a sobrinha bem demais. A menina costumava ser debochada; tinha raiva de Edmund, mas nunca perdia o controle. Ela estava à beira de um colapso, por isso descontava nela a preocupação disfarçada de frustração, e só havia uma coisa que a tirava do sério daquela maneira.

— Você não conseguiu falar com a sua mãe, não é?

— Não — respondeu a garota, ainda feroz.

— Deixa isso comigo, amor. Eu vou tentar falar com ela, vejo como está e te informo. Tudo bem?

— Não me chame de amor! Já disse para não me chamar do mesmo jeito que chama o seu marido.

— Você sempre vai ser o meu maior amor, Lin. — A garota fungou, revoltada. — Aceita a minha proposta?

Alguns segundos se passaram em silêncio, Sônia quase visualizava a menina refletindo.

— Você não pode falar com ela agora — respondeu Lin à voz trêmula, mas baixou o tom. — Ninguém pode.

— Eu tenho muitos métodos e mais possibilidades no momento; pensei que soubesse. Enquanto isso se controle. Você está no meio dos seus companheiros de serviço e eles precisam te respeitar.

— Estou no meu quarto.

— Agora você tem um rádio no quarto?

O omissão de uma resposta foi a melhor resposta que Sônia poderia ter: Lin tinha arrumado um rádio clandestino. Se a menina imaginasse o quanto era parecida com Edmund, talvez não o detestasse tanto.

— Você tem que voltar, tia — Lin disse, de repente. — Nós precisamos da Rainha de Copas.

— Eu... Eu não posso, Lin.

E a garota desligou, deixando Sônia com a certeza de que perdeu o pouco êxito que alcançou com a menina.

Chegamos ao fim desta jornada.

A você, que dedicou seu tempo e atenção a estas páginas, o meu mais sincero agradecimento. Foi uma honra compartilhar esta história com um leitor tão dedicado.

Se esta narrativa tocou você de alguma forma, se o fez refletir, sentir ou simplesmente lhe proporcionou algumas horas de escape, ficaria imensamente grata se pudesse compartilhar sua opinião. Sua avaliação e resenha, por mais breves que sejam, são inestimáveis. Elas não apenas ajudam outros leitores a descobrir esta história, como também são um farol para mim, guiando os caminhos das histórias que ainda estão por vir.

Esta despedida, no entanto, não é um adeus definitivo.

A saga continua.

Em Ás de Paus: Straight Flush, novos desafios aguardam os personagens que você acompanhou, segredos mais profundos serão revelados e destinos serão transformados para sempre.

Até que nossas páginas se encontrem novamente, desejo-lhe boas histórias.

Com carinho,

Dani.LN

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