Capítulo 6: Entre o Real e o A culpa é da lua · Capítulo 8 de 36
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Capítulo 6: Entre o Real e o

Imaginário O aroma de temperos e carne assada pairava no ar, tornando o ambiente da cabana acolhedor, quase normal — se não fosse pelo fato de que Beatriz ainda tentava entender onde exatamente se encaixava naquele mundo. A pequena Lyra gargalhava enquanto puxava Beatriz para um jogo estranho sobre o tapete da sala, onde figuras de madeira entalhadas representavam lobos e humanos, caçadores e espíritos. — Você tem que proteger a aldeia — Lyra disse, erguendo um dos bonequinhos com seriedade infantil. Beatriz sorriu.

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— E quem é o inimigo? A garotinha pensou por um instante antes de sussurrar, como se revelasse um segredo: — As sombras. Beatriz franziu a testa. — Sombras? Lyra apenas assentiu. Seu sorriso infantil não desapareceu, mas seus olhos carregavam algo mais profundo, algo que uma criança não deveria conhecer. Antes que Beatriz pudesse perguntar mais, a voz da mãe de Desmot ecoou da cozinha. — Se a Luna da minha casa puder deixar minha filha ganhar só uma vez, eu agradeço.

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Beatriz riu, levantando-se e caminhando até a cozinha, onde a mulher preparava uma panela de ensopado sobre o fogo. Ela parecia tranquila, mexendo os ingredientes com destreza, mas havia algo em seu olhar — uma curiosidade cautelosa, como quem observa sem julgar. Ofereceu a Beatriz uma colher de pau para provar o tempero. — Diga-me... onde esteve todo esse tempo? Beatriz hesitou. A pergunta ecoou fundo, reverberando em lugares de sua mente que ela preferia não explorar. A resposta não era simples. Ela olhou para o fogo crepitante e sussurrou:

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— Eu achava que esse mundo era só da minha cabeça. A mãe de Desmot parou de mexer o ensopado. Seus olhos pousaram sobre Beatriz, aflitos mas compreensivos, como se já tivesse ouvido histórias semelhantes antes. — Você achava que era só uma história. Beatriz assentiu. — Passei minha vida toda escrevendo sobre este lugar... mas sempre achei que eram apenas invenções. Imaginação. Algo que eu criei para escapar da realidade. O silêncio que se seguiu foi pesado, preenchido apenas pelo crepitar suave das chamas.

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A mulher pousou a colher e virou-se completamente para Beatriz, avaliando-a com um olhar profundo e ancestral. — E agora? O que acha? Beatriz passou a língua pelos lábios, pensativa. — Agora... eu não sei mais o que é real. A mulher sorriu, mas havia tristeza naquele sorriso — a tristeza de quem conhece verdades que pesam na alma. — Às vezes, o que achamos que inventamos... é apenas algo que esquecemos. Beatriz sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

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A mãe de Desmot voltou a mexer a panela, mas antes de mudar de assunto, murmurou baixinho, quase para si mesma: — Talvez sua história tenha sido um chamado o tempo todo. Beatriz não soube como responder, porque, no fundo, temia que fosse verdade.

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