Capítulo 7: O Rito da Lua Perdida A culpa é da lua · Capítulo 9 de 36
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Capítulo 7: O Rito da Lua Perdida

A lua cheia pairava alta no céu, envolta em uma névoa prateada que escorria sobre a floresta como um véu de mistério. As tochas tremulavam ao redor do círculo de pedras antigas, lançando sombras longas e dançantes sobre o solo. A vila inteira estava reunida. Era a cerimônia da Luna. Beatriz estava no centro do círculo, vestida com uma túnica negra simples, os pés descalços tocando a terra fria. A noite carregava um peso antigo, um presságio que pulsava no ar, e seu peito ardia com um misto de ansiedade e reconhecimento. Ela já esteve ali antes.

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Não sabia como, mas cada pedra ao seu redor, cada símbolo entalhado na terra, cada sopro de vento carregava uma familiaridade que fazia seu coração acelerar e sua respiração falhar. E então... os anciãos chegaram. Seis figuras emergiram da escuridão, envoltas em mantos pesados, cada uma delas marcada pelo tempo e pelo poder que carregavam. Caminhavam lentamente, suas presenças esmagadoras, como sombras da própria lua. Erevan, o Guardião da Lua, liderava o grupo. Seus olhos antigos pousaram sobre Beatriz, avaliando-a como se buscasse algo escondido nas profundezas de sua alma. Eles esperavam que ela fosse uma intrusa, mas quando os olhos dela encontraram os deles, algo

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despertou — uma memória sem forma, um conhecimento sem origem. Beatriz não hesitou. Ajoelhou-se no centro do círculo e, sem entender de onde vinha aquele conhecimento, fez uma reverência antiga, marcada pelo tempo e esquecida pelos vivos. Seus dedos tocaram o chão, e sua cabeça abaixou levemente, mas não em submissão. Em reconhecimento. E então, ela falou. — Guardião da Lua — sua voz saiu firme, ecoando entre as árvores como um cântico esquecido. — Conselho Ancestral, velhos como a noite. Saúdo aqueles que guardam o equilíbrio e guiam o destino da alcateia. O mundo parou.

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Os lobos ao redor do círculo prenderam a respiração. Os anciãos congelaram. Erevan apertou os olhos. Seu rosto, sempre impassível, contorceu-se em puro choque. Morthal, o mais velho entre eles, deu um passo à frente, sua voz trêmula de descrença. — Essa saudação... ninguém a usa há mais de um século. Sybilla, que nunca parecia surpresa, foi a primeira a recuperar a voz. — Como você a conhece? Beatriz sentiu o peso de todos os olhares sobre si — questionadores, temerosos, reverentes. Ela não sabia.

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Mas algo dentro dela sabia. Seus olhos voltaram para os anciãos com uma certeza que não deveria ter. — Porque eu já estive aqui antes. Os murmúrios se espalharam pela multidão como ondas em um lago escuro. Erevan apertou os punhos, os nós dos dedos esbranquiçados. — Então não há mais dúvidas. A tensão no círculo aumentou, espessa como a névoa ao redor. Erevan olhou para Desmot, que estava de pé ao lado dela, olhos fixos na garota que ele julgara perdida para sempre. — Ela é a Luna desta alcateia. Os lobos uivaram.

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Os anciãos ergueram as mãos, e o ritual começou. Erevan estendeu uma lâmina curva, sua lâmina cerimonial — antiga, gravada com runas que brilhavam à luz da lua. — O sangue é o vínculo. A lua é a testemunha — sua voz ressoou pelo círculo. — Você aceita esse destino? Beatriz sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Havia medo dentro dela, mas havia algo maior que o medo — uma verdade inescapável que pulsava em suas veias. Seu destino havia sido selado desde o começo. Ela estendeu o braço sem hesitação.

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A lâmina fria deslizou sobre sua pele, abrindo um corte fino e preciso. A dor foi breve, mas o que veio depois foi algo muito mais profundo. O sangue caiu na terra. O chão vibrou. O círculo de pedras brilhou levemente, como se uma força invisível o atravessasse, acordando algo que dormia há séculos. Os lobos ao redor se enrijeceram, alguns fechando os olhos como se sentissem algo antigo despertar dentro de si. Desmot observava em silêncio, seu rosto fechado, impenetrável — mas os punhos cerrados traíam sua tensão. Erevan então olhou para o Alfa. — Desmot.

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Ele deu um passo à frente, a mandíbula travada. — Seu sangue agora deve se unir ao dela. Beatriz ergueu os olhos, encontrando os dele. E pela primeira vez, viu algo quebrado por trás da máscara de ferro — uma ferida que nunca cicatrizara, uma perda que nunca fora superada. Mas ele não hesitou. A lâmina cortou sua pele, e seu sangue se misturou ao dela no solo sagrado. A lua brilhou intensamente. E então... o mundo mudou. Beatriz sentiu uma força atravessar seu corpo, uma energia crua e antiga, algo poderoso demais para ser humano, violento demais para ser contido. Era como

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se mil vozes gritassem dentro dela ao mesmo tempo, cada uma exigindo ser ouvida. Ela ouviu vozes. Vozes do passado. Vozes chamando por ela, sussurrando seu nome em línguas que ela não deveria compreender, mas compreendia. Seu corpo vacilou, mas ela não caiu. Quando abriu os olhos novamente, seu reflexo apareceu no pequeno espelho de prata sustentado por Sybilla. E algo estava diferente. Seus olhos.

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Estavam prateados como a lua — luminosos, etéreos, sobrenaturais. O silêncio se estendeu como uma lâmina invisível sobre a multidão e então Erevan murmurou, quase em reverência, como se testemunhasse um milagre: — A Luna retornou. E naquele momento, Beatriz soube, ela não era apenas uma humana perdida que tropeçara em um mundo estranho. Ela era a chave para algo muito maior — algo que o destino guardava em silêncio há quinze anos.

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