Capítulo 30: O Novo Mundo A culpa é da lua · Capítulo 35 de 36
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Capítulo 30: O Novo Mundo

O Arquivo Sombrio estava vazio agora — vazio de anciãos, vazio de ameaças imediatas, mas o aviso deles permanecia no ar, pairando como um espectro invisível. "Nem toda mudança é para o bem." Beatriz sabia disso melhor do que ninguém, mas não importava. O futuro pertencia a ela agora e ela o moldaria com suas próprias mãos. Seus passos ecoaram no corredor silencioso enquanto caminhava até Lyra, a garotinha não tremia mais. Não chorava. Ela apenas olhou para Beatriz, e aqueles olhos grandes carregavam algo novo.

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Respeito. Admiração. E... certeza. Beatriz se ajoelhou diante dela, segurando seus ombros pequenos com firmeza gentil. — Você está bem? Lyra assentiu, e pela primeira vez desde que se conheceram, havia um sorriso nos lábios da menina. — Estou. Beatriz inspirou fundo, sentindo a magnitude do que estava prestes a dizer, porque agora, ela sabia exatamente o que precisava ser feito. — Vamos para casa. As palavras eram simples, mas carregavam um peso imenso. O silêncio que veio depois foi estranho —

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expectante, como se o mundo estivesse esperando algo. Desmot a observava com intensidade, a expressão neutra, mas os olhos... Os olhos diziam tudo. Ele não era um homem de palavras fáceis ou declarações grandiosas, mas agora, ele não precisava dizer nada, porque todos sabiam a verdade. Beatriz era sua Luna. E a alcateia sabia disso. A volta à vila foi silenciosa, mas não desconfortável. Era o silêncio de quem acabou de testemunhar algo monumental — algo que mudaria tudo.

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A floresta parecia diferente agora, como se tivesse sentido o que aconteceu. As árvores pareciam se curvar ligeiramente em sua direção. Os animais noturnos observavam de longe, silenciosos e respeitosos. Beatriz caminhava com firmeza, sentindo os olhos de Lyra, Saphira, Desmot e Caleb sobre ela, mas não era um peso. Era uma afirmação e quando chegaram aos portões da vila... os lobos já estavam esperando, eles sabiam. De alguma forma, através do laço que os conectava a ela, eles sabiam. A mudança era inevitável agora e Beatriz era o centro dessa mudança — o epicentro do terremoto que remodelaria tudo. A multidão abriu caminho quando ela passou, formando uma avenida humana silenciosa, os

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sussurros foram abafados pelo peso do momento.E então, um lobo mais velho caminhou até ela. Era Elihas, o curandeiro da alcateia. Um dos poucos que ainda lembravam da antiga Luna — da Luna antes da divisão, antes do esquecimento. Ele a observou por longos segundos, os olhos velhos estudando cada detalhe de seu rosto. E então... Ajoelhou-se. O gesto foi um trovão no silêncio, os outros lobos o seguiram — um por um, como uma onda se espalhando por toda a vila. Jovens e velhos. Guerreiros e curandeiros. Homens e mulheres. Todos ajoelhados diante dela.

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Beatriz sentiu o peso daquilo cair sobre seus ombros como um manto invisível. A responsabilidade. O respeito. O dever. E então, Desmot se moveu. Ele não se ajoelhou — isso jamais seria esperado de um Alfa, mas se aproximou até estar diante dela, tão perto que ela podia ver as manchas douradas em seus olhos âmbar e ergueu o queixo — um gesto de orgulho, de reconhecimento, de devoção. O olhar dele queimava com algo profundo e primitivo. Algo mais forte do que palavras, ele disse, baixo... mas alto o suficiente para todos ouvirem: — Bem-vinda de volta, minha Luna.

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A alcateia rugiu. Um uivo cortou o ar — não de luto ou medo, mas de aceitação e celebração. Dezenas de gargantas se juntaram ao coro, e o som ecoou pela floresta como uma proclamação para todos os seres que habitavam aquelas terras. A Luna retornou. A alcateia está completa. O equilíbrio foi restaurado. Beatriz fechou os olhos, deixando o som a envolver. Ela não era mais um fantasma de seu passado, não era mais uma sombra, uma memória apagada. Ela era a Luna.

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A líder. A protetora. A força que mantinha a alcateia unida e pela primeira vez em muito, muito tempo... ela estava exatamente onde deveria estar. Em casa.

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