Capítulo 23: O Retorno da A culpa é da lua · Capítulo 28 de 36
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Capítulo 23: O Retorno da

Sombra O mundo parecia suspenso no tempo, como se a realidade prendesse a respiração. O corredor escuro do Arquivo Sombrio estava em silêncio, mas era o silêncio antes da tempestade — denso, carregado, prestes a explodir. As rachaduras na pedra vibravam com energia antiga, e o selo agora estava completamente destruído, seus fragmentos espalhados pelo chão como vidro quebrado. No centro de tudo, duas versões da mesma mulher se encaravam. Beatriz, com a respiração ofegante, os olhos arregalados em choque e horror.

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Luna, com um sorriso lento e predatório, observando tudo como se finalmente estivesse livre para brincar. E então... Lyra gritou. — Ela precisa se fundir completamente com sua alma! O som da voz da garotinha ecoou pelo corredor como um sino de alarme, e as próprias paredes do Arquivo pareceram absorver suas palavras, amplificando-as. A tensão explodiu. Todos se viraram para Lyra ao mesmo tempo, mas foi Desmot quem falou primeiro. — O que você disse?!

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Lyra tremia, os olhos arregalados, mas sua voz não hesitou. — Se ela não se unir, não vai sobreviver! O coração de Beatriz disparou, batendo tão forte que ela podia sentir o pulso na garganta. Fundir-se...? Se unir com Luna? Com aquela coisa? O olhar de Beatriz voltou para sua contraparte, que ainda a observava com aquele sorriso divertido e cruel. O sorriso de Luna se ampliou, e ela finalmente virou-se para a pequena Lyra. — Ah... a vidente mirim.

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O tom era doce como mel envenenado. Beatriz sentiu o sangue gelar em suas veias. Luna começou a andar em direção à criança, a cada passo lento e calculado, como uma serpente se aproximando de uma presa indefesa. Lyra não recuou, mas Beatriz viu o medo nos olhos da menina e algo dentro dela rugiu. Ela se moveu sem pensar, colocando-se entre Luna e Lyra, os braços abertos em uma barreira protetora. — Fique longe dela. Luna parou. E então... riu. Uma risada baixa, rica, cheia de um prazer sombrio.

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— Protetora como sempre. — Sua voz era como veludo sobre lâminas. — Mas essa pequena... foi responsável por me manter presa. Não deveria ao menos me deixar agradecê-la? Beatriz sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ela olhou para Lyra por um instante, confusão e traição lutando em seu peito. — O que ela quer dizer? Lyra engoliu em seco, e pela primeira vez, Beatriz viu algo quebrar naqueles olhos tão velhos em um rosto tão jovem. — Eu... ajudei a selar você. O choque foi como um soco no estômago. Caleb soltou um palavrão colorido.

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Desmot parecia esculpido em pedra. Beatriz não conseguia respirar, não conseguia pensar. — Como assim? Lyra mordeu o lábio, hesitante, lágrimas se formando nos cantos dos olhos. — Eu era muito pequena... não lembro de tudo... mas... os anciãos disseram que só uma vidente poderia fortalecer o selo. O coração de Beatriz parecia prestes a explodir dentro do peito. Então... Foi por isso que ela foi apagada. Foi por isso que a rasgaram ao meio.

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Os anciãos não apenas esconderam suas memórias. Eles quebraram sua alma em duas... e usaram Lyra para selar a parte que deveria ser esquecida. Uma onda de emoções atravessou Beatriz como um tsunami. Raiva. Traição. Medo. Dor. E Luna observava tudo com puro deleite. — Agora vê? — A sombra inclinou a cabeça, o sorriso venenoso. — Seu próprio povo te trancou. Aqueles que você protegia. Aqueles que deveriam te seguir. Ela deu outro passo à frente. — E agora... quer continuar protegendo esse povo? Ou finalmente aceitar o que realmente é?

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Beatriz trincou os dentes, sentindo a conexão com Luna como uma corda invisível puxando-a. Era como uma segunda pele, algo que estava nela desde o início... mas que foi arrancado à força. Mas... fundir-se? A ideia parecia errada. Perigosa. Suicida. E Luna sabia exatamente o que ela estava pensando, porque seus olhos brilharam com malícia, e pela primeira vez, ela se virou para Desmot. — Ah... mas veja só. O Alfa sustentou o olhar dela, mas Beatriz viu quando os punhos dele se apertaram até os nós dos dedos ficarem brancos. Luna percebeu também.

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Ela deu outro passo, o sorriso provocador crescendo. — Você ainda a quer. Beatriz ficou imóvel, congelada. Luna sabia de tudo. Sabia da conexão que Beatriz e Desmot compartilhavam. Sabia do laço que ainda existia, mesmo que a memória tivesse sido apagada. Sabia dos sentimentos que nenhum dos dois havia dito em voz alta. E agora, usava isso como uma arma. — Diga, Alfa. — A sombra inclinou a cabeça, os olhos brilhando com diversão cruel. — Você quer Beatriz... ou me quer ?

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A tensão se tornou insuportável, o ar tão denso que era difícil respirar, o silêncio que caiu foi brutal e pela primeira vez em muito tempo... Beatriz não soube o que fazer.

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