Capítulo 27: A Ascensão da Luna
O Arquivo Sombrio ainda tremia, rachaduras se espalhando pelas paredes como teias de vidro quebrado. Pedaços de pedra caíam ocasionalmente, espatifando-se no chão. O ar estava denso, carregado de uma energia nova e selvagem — algo que não pertencia mais apenas ao passado, mas ao agora. E no centro desse caos, Beatriz abriu os olhos. Ou melhor... Luna abriu os olhos. Mas agora ela não era apenas Luna, ela não era apenas Beatriz. Ela era algo novo. Algo completo. Algo que nunca deveria ter sido dividido e pela primeira vez em muito tempo, o mundo a sentiu de verdade.
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Não como um fantasma. Não como uma memória. Mas como uma força. A fusão não foi apenas mental ou espiritual. Seu corpo havia mudado. Não drasticamente — ela ainda se parecia com Beatriz. Mas havia diferenças sutis. Seus movimentos eram mais fluidos, mais confiantes. Seus olhos brilhavam com uma intensidade que não existia antes. Suas veias carregavam uma força diferente, como se a própria terra a reconhecesse como algo maior do que uma simples criatura.
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Seu coração batia forte, pulsando com o poder de uma peeira verdadeira. E quando ela inspirou profundamente... Ela sentiu, todos os lobos ao redor. Cada. Um. Deles. Mesmo aqueles que estavam longe, na vila, ela podia sentir através do laço invisível que os conectava. O elo estava de volta. O laço de Luna da alcateia... nunca foi quebrado. Apenas adormecido, mas agora, ela estava acordada e alguém precisava de sua ajuda.
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Ela se moveu antes de pensar, guiada por instinto puro, o barulho de um corpo caindo atrás dela rompeu seu momento de clareza. Beatriz — não, Luna — se virou rápido como um raio. Caleb estava no chão, sangue escorrendo pelo braço em um rio carmesim, manchando o chão de pedra. Um corte profundo e feio que precisava de atenção imediata. Ele tentava se levantar, os dentes cerrados em dor, o rosto pálido de perda de sangue, mas antes que conseguisse... Uma sombra se ergueu atrás dele. Não Luna — essa parte estava fundida agora. Era outra coisa.
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Algo que havia escapado do selo quando Luna foi libertada, algo que não deveria estar ali. Algo que estava prestes a matá-lo. Beatriz não hesitou. Ela não era mais aquela garota perdida, confusa sobre quem era ou o que deveria fazer. Ela não era mais aquela que questionava cada decisão. Agora, ela sabia. Seu corpo se moveu por instinto puro — o instinto de Luna, o instinto da peeira, o instinto da protetora. Os pés deslizaram sobre o chão de pedra, rápidos e certeiros, sem desperdício de movimento. E então, ela chamou seu poder. Não com palavras. Não com gestos elaborados.
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Apenas chamou. O mundo ao seu redor pareceu vibrar, a energia da peeira e da Luna do Alfa se fundindo em algo completamente novo — algo que nunca existiu antes. E quando estendeu a mão... O impossível aconteceu. Um arco apareceu em sua palma. Não era um arco físico, feito de madeira e corda, como antes. Era o arco da peeira, feito de pura luz e trevas entrelaçadas — um paradoxo impossível, mas perfeitamente equilibrado. E quando seus dedos puxaram a corda inexistente, uma flecha de energia viva brilhou na escuridão, pulsando com poder ancestral.
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O monstro rugiu, sentindo o perigo. Caleb tentou reagir, mas estava lento demais, fraco demais, mas não importava, porque Beatriz atirou. A flecha atravessou a criatura como um raio cortando o céu noturno, luz e sombra explodiram ao contato, aniquilando a essência da coisa. O impacto foi devastador. A sombra gritou — um som que não deveria existir, que fazia os ouvidos sangrarem — sua forma distorcida se partindo ao meio, pedaços de trevas evaporando como névoa ao toque da luz purificadora. E então... O silêncio.
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A criatura desapareceu. Completamente. Nem cinzas restaram. O chão parou de tremer. E Caleb... estava vivo. Beatriz se aproximou rapidamente, ajoelhando-se ao lado dele com movimentos graciosos. Os olhos do cunhado estavam arregalados — não de dor, mas de espanto. Ele a olhava como se estivesse vendo um fantasma, um mito, uma lenda que ganhou vida. — Você... — Caleb tentou falar, mas a respiração ainda era difícil, entrecortada.
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Beatriz pressionou a mão sobre o ferimento dele, e sentiu a energia curativa da peeira começar a agir sozinha, fluindo através de seus dedos como água morna. Ela olhou nos olhos do cunhado — e pela primeira vez, não havia dúvida em seu olhar. — Eu voltei — disse simplesmente. E era verdade. Luna estava de volta, mas não era apenas Luna. Agora, ela era algo maior. Algo impossível de ser apagado. Algo impossível de ser dividido novamente. E o mundo...
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Precisaria se curvar a isso.
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