Capítulo 26: A Fusão das A culpa é da lua · Capítulo 31 de 36
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Capítulo 26: A Fusão das

Sombras O Arquivo Sombrio tremia sem parar agora, as paredes pulsando com um zumbido grave que se podia sentir nos ossos. As chamas das tochas piscavam erráticamente, dançando ao ritmo da energia sombria que se acumulava. O combate ainda acontecia no centro do corredor. Desmot e Caleb lutavam com tudo o que tinham — força, habilidade e coragem. Mas Luna não cansava. Ela deslizava entre os golpes como uma serpente feita de trevas, desviando com precisão impossível, seu corpo dissolvendo-se em fragmentos de sombras e se recompondo em outro ponto instantaneamente.

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E durante todo esse tempo... sorria. Beatriz sabia que aquilo não podia durar muito mais. Os irmãos estavam começando a vacilar — respirações pesadas, movimentos mais lentos, músculos trêmulos de exaustão. Lutar contra uma entidade que não podia ser morta era um desgaste insuportável, tanto físico quanto mental. Se aquilo continuasse... Eles perderiam. E então, ela perguntou o que precisava perguntar. — Se eu me fundir com ela... ainda há chance de impedir a destruição de tudo? A voz de Beatriz tremia, mas não era de medo. Era do peso do destino caindo sobre seus ombros.

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Lyra, ainda encostada contra a parede, a olhou com olhos arregalados. — Você... quer se fundir? Beatriz respirou fundo, seus olhos seguindo Luna enquanto ela dançava entre os ataques. Ela não queria. De forma alguma queria. Mas... não tinha escolha. — É a única saída — disse, e as palavras tinham gosto de derrota e aceitação. Lyra hesitou, então assentiu lentamente. — Sim. Se aceitar Luna completamente, poderá controlá-la. — Ela fez uma pausa. — Poderá decidir o que ser.

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Beatriz sentiu o peito apertar com a magnitude daquelas palavras, ela se tornaria completa novamente. Mas... quem ela seria depois disso? Seria ainda ela? Ou seria alguém completamente novo? — BEATRIZ! A voz de Desmot a trouxe de volta à realidade brutal. Ela olhou e viu Caleb no chão, sangue escorrendo de um corte profundo no braço, a lâmina caída ao lado. Luna pairava acima dele, as sombras retorcidas ao seu redor formando tentáculos afiados.

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— Vocês realmente não aprendem? — O sorriso dela brilhava cruelmente. — Não podem me matar. Ela ergueu a mão, as sombras se alongando como lâminas prontas para perfurar. Caleb tentou se levantar, mas estava fraco demais, lento demais. E então... Beatriz se moveu, ela não pensou. Não questionou e nem hesitou. Ela simplesmente correu direto para Luna, os pés batendo no chão de pedra com determinação absoluta. Os olhos da sombra se arregalaram levemente — surpresa genuína. — O que você está fazendo?

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Mas Beatriz não respondeu. Não havia mais palavras. Apenas ação. Ela se jogou contra Luna. E a sombra a recebeu de braços abertos. O impacto não foi físico. Foi como cair em um oceano escuro e infinito, sem fundo, sem luz, sem ar. A mente de Beatriz explodiu em fragmentos, sua visão tomada por um vazio denso e sufocante que parecia sugar toda esperança, todo pensamento, toda identidade. E então... as memórias vieram.

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Não como flashes. Como uma torrente. Ela viu tudo. Os anciãos a observando desde criança, murmurando sobre como ela se tornaria um perigo para todos. O ritual sendo preparado em segredo. Lyra, ainda tão pequena que mal conseguia andar, forçada a canalizar energia para selá-la. Os lobos — seu povo, sua família — se afastando enquanto ela gritava, sua alma sendo despedaçada como papel rasgado. E então... O esquecimento.

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O vazio absoluto. O mundo em que foi jogada, sem lembranças, sem identidade, sem propósito. Apenas um buraco vazio onde Beatriz nasceu e Luna foi enterrada viva. Até agora. Até este momento. Beatriz abriu os olhos dentro da escuridão, Luna estava diante dela, mas... não estava sorrindo. Ela apenas observava, e havia algo de vulnerável em sua expressão e finalmente perguntou: — Você me aceita? Beatriz sentiu o peso esmagador da pergunta. A aceitação era o último passo.

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A última escolha. A porta final. Ela inspirou profundamente — ou tentou, embora ali não houvesse ar. E disse as palavras que mudariam tudo: — Eu sou você. E você sou eu. Luna sorriu levemente — não com crueldade, mas com algo próximo de... alívio. E então... A fusão começou. O corpo de Beatriz arqueou violentamente para trás, uma explosão de energia irradiando de dentro dela em ondas concêntricas.

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Desmot e Caleb foram jogados para trás pela força do impacto, seus corpos batendo contra as paredes de pedra. O Arquivo tremeu, as paredes rachando profundamente, como se o próprio espaço estivesse reagindo à mudança fundamental que estava acontecendo. O ar vibrava. A realidade se distorcia. E então... O silêncio. A escuridão começou a se dissipar como névoa sob o sol e quando os olhos de Beatriz finalmente se abriram... Eles não eram mais os mesmos.

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Havia profundidade ali que não existia antes. Havia poder que não deveria existir. Havia completude. A fusão estava completa. Ela não era apenas Beatriz. Ela não era apenas Luna. Ela era ambas. Fundidas. Completas. Inteiras. E agora... O mundo precisaria lidar com isso. Com ela.

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