livro sobre a mesa para mostrar a eles o desenho que
tinha feito. O desenho era grotesco e perturbador de uma forma visceral e primal.
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Uma porta alta e imponente, de madeira enegrecida pelo tempo ou fogo ou algo pior, a superfície coberta de rachaduras profundas e marcas estranhas. Estava cheia de símbolos complexos e antigos entalhados profundamente na madeira — runas que pareciam se mover levemente quando você não estava olhando diretamente, glifos que faziam os olhos doerem de se olhar por muito tempo, padrões geométricos impossíveis que desafiavam a lógica. E o mais perturbador: Havia olhos espiando através das fendas e rachaduras da madeira, dezenas deles, talvez centenas, todos vigiando, todos esperando, todos vendo. Observando quem se aproximasse. Julgando quem ousasse tentar entrar.
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E o que mais chamou atenção de todos — o que fez Desmot prender a respiração bruscamente e Caleb praguejar baixinho — era um símbolo específico gravado no centro da porta. O mesmo símbolo exato que Beatriz tinha visto em seu sonho febril. O mesmo símbolo que ela tinha descrito com olhos assustados e voz trêmula, o mesmo símbolo que estava gravado em sua memória roubada. Saphira ficou visivelmente pálida, o rosto perdendo toda cor, a respiração ficando irregular. — Onde... — Sua voz saiu rouca, quebrando. — Onde exatamente você viu isso, Lyra? A menina piscou lentamente, como um gato, e respondeu com aquela voz estranha que parecia vir de alguém muito mais velho:
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— Nos sonhos da peeira. Nos sonhos de Beatriz... Desmot sentiu um arrepio gelado e violento percorrer toda sua espinha como dedos fantasmagóricos tocando cada vértebra. — Você entrou nos sonhos dela? — ele perguntou com voz tensa, tentando entender, tentando processar. — Como? Isso é possível? Lyra balançou a cabeça lentamente, negando. — Não exatamente. Eu não entrei nos sonhos dela de forma consciente ou voluntária — ela explicou com paciência estranha. — Eu apenas vi o que ela viu. Como se nossos sonhos se tocassem. Como se estivéssemos sonhando a mesma coisa ao mesmo tempo. Conectadas.
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A voz dela soou ainda mais estranha naquele momento — antiga, atemporal, definitivamente não pertencendo a uma criança de sua idade. Como se algo muito mais velho estivesse falando através dela. Caleb respirou fundo, processando as implicações, o cérebro trabalhando rapidamente: — Isso significa que Beatriz já esteve lá antes — ele disse lentamente, com certeza crescente. — No Arquivo. Ela conhece aquele lugar. Ela viu aquela porta. Ela esteve lá fisicamente, não apenas em sonhos ou visões. Era a única explicação lógica. Saphira massageou as têmporas com dedos trêmulos, fechando os olhos com força, sua respiração ficando pesada e irregular e então ela
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disse em voz baixa, carregada de conhecimento terrível e relutante: — Isso não significa apenas que ela já esteve lá antes, Caleb. Fez uma pausa dolorosa. — Isso significa que ela pertence àquele lugar. Pertence... As palavras caíram como pedras pesadas e geladas no peito de Desmot, afundando, esmagando, roubando o ar de seus pulmões. Pertence. Beatriz pertence ao Arquivo Sombrio. Faz parte dele de alguma forma fundamental e terrível.
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Ela não estava apenas sendo puxada para suas memórias perdidas. Não estava apenas sonhando com o passado. Não. Ela fazia parte da própria fundação mística e arcana do Arquivo, ela estava tecida na estrutura dele de alguma forma profunda e antiga. Era parte dos selos.