Capítulo 28: O Laço Inquebrável A culpa é da lua · Capítulo 33 de 36
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Capítulo 28: O Laço Inquebrável

A batalha tinha acabado, mas o peso do que aconteceu ainda pairava no ar como fumaça espessa. O Arquivo Sombrio estava em ruínas — as paredes rachadas profundamente, o chão coberto de marcas negras onde as sombras haviam sido dissipadas, fragmentos do selo espalhados como vidro quebrado. A fusão entre Beatriz e Luna estava completa, mas a energia ao redor ainda vibrava, ajustando-se à presença de algo que não deveria existir, mas agora existia, mas naquele momento, nada disso importava. Caleb estava ferido, mas vivo.

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Lyra olhava para Beatriz com um misto de fascinação, temor e algo que poderia ser... esperança? E Desmot... Desmot não conseguia tirar os olhos dela. Beatriz estava ajoelhada ao lado de Caleb, as mãos ainda emanando aquele calor curativo suave sobre o ferimento do cunhado. A pele ao redor do corte já começava a fechar, o sangramento cessando gradualmente. Seu corpo parecia diferente agora. Mais forte. Mais sólido. Mais inteiro. Cada fibra do seu ser gritava que aquilo era como deveria ter sido desde o início — completa, unificada, sem fissuras na alma.

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Ela não estava incompleta. Ela não estava quebrada. Pela primeira vez em anos — talvez pela primeira vez na vida — ela era totalmente ela mesma. E Desmot sentia isso. Sentia através do laço que os conectava, através da ligação de Alfa e Luna que sempre existiu, mesmo quando ela não se lembrava. — Como se sente? A voz dele era baixa, controlada, mas carregada de um peso que Beatriz não podia ignorar. Ela levantou o olhar devagar, encontrando aqueles olhos âmbar que sempre foram um farol na

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escuridão — guiando-a, chamando-a, reconhecendo-a. Por um instante, ela não soube o que dizer. Como se sentia? Forte. Poderosa. Perigosa. Mas também... Viva. Verdadeiramente viva pela primeira vez. E isso assustava tanto quanto libertava. Caleb grunhiu, tentando se levantar com um gemido de dor. — Podem flertar depois? Estou sangrando aqui.

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Beatriz revirou os olhos, mas um sorriso genuíno tocou seus lábios. Ela ajudou Caleb a ficar de pé, e imediatamente Lyra correu para o lado dele, agarrando sua mão com força protetora. Beatriz deu um passo para trás... E sentiu a presença de Desmot logo atrás dela. Tão perto. Tão perto que o calor dele tocava sua pele através da roupa. Tão perto que ela podia sentir cada respiração dele. Seu corpo reconheceu aquela proximidade — não apenas fisicamente, mas em um nível muito mais profundo.

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Mas agora, não havia mais barreiras. Não havia mais esquecimento. Eles se lembravam. Ambos. E o que restava entre eles não era só um passado compartilhado. Era um laço inquebrável. — Você voltou para mim. A voz dele foi um sussurro rouco, mas cada palavra carregava uma verdade profunda que reverberava em sua alma. Beatriz fechou os olhos por um momento, deixando aquelas palavras a inundarem. O peso delas. A

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beleza delas. A verdade delas, ela abriu os olhos e se virou completamente para encará-lo. — Eu nunca quis partir. Desmot trincou o maxilar, e ela viu a luta nos olhos dele, ele estava furioso — furioso com os anciãos, com o destino, com tudo que os separou. Ele estava aliviado — aliviado de tê-la de volta, de não tê-la perdido para sempre, ele a queria — com uma intensidade que queimava, mas ele a quis antes mesmo de saber se poderia tê-la de volta. E agora... Agora ela estava ali. Completa. Inteira. Dela mesma. E não havia mais nada entre eles.

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Nada além da verdade nua e crua do que sempre foram um para o outro. Desmot ergueu uma das mãos lentamente, como se temesse que ela desaparecesse se ele se movesse rápido demais. Seus dedos tocaram o rosto dela — suave, reverente, testando se aquilo era real. Beatriz não recuou. Seu coração batia rápido demais, mas não era medo. Era reconhecimento. Era a certeza absoluta de que nunca existiu outra pessoa. Sempre foi ele. E sempre seria.

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Os dedos dele roçaram sua pele, descendo lentamente pelo contorno da mandíbula, deixando um rastro de fogo em seu caminho. Beatriz sentiu a eletricidade daquele toque percorrer cada terminação nervosa. — Eu não vou mais te perder. O tom não era uma promessa casual. Era um juramento. Selado em sangue e alma. E então... Ele a beijou. O mundo desapareceu. O tempo parou.

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Não havia mais Arquivo. Não havia mais perigo. Não havia mais nada além deles dois. Foi um beijo cheio de tudo o que foi perdido e encontrado novamente, foi intenso, feroz, carregado de anos de espera e dor e saudade. Os dedos de Beatriz se agarraram à camisa de Desmot, puxando-o para mais perto, precisando dele mais perto, sentindo o calor que sempre a fez se sentir em casa. Ele segurou sua cintura com força possessiva, ancorando-a a ele, como se temesse que ela desaparecesse de novo se ele a soltasse. Mas desta vez... Não havia mais desaparecimento. Não havia mais esquecimento.

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Não havia mais dúvida. Ela pertencia àquele lugar. Ela pertencia a ele. E ele pertencia a ela. Quando finalmente se afastaram, ambos estavam ofegantes, as respirações se misturando no espaço mínimo entre eles. Os olhos de Desmot brilhavam com algo sombrio, possessivo e infinitamente terno, mas ele apenas sorriu — um sorriso raro e precioso. — Você sempre me desafia. Beatriz arqueou uma sobrancelha, ofegante, ainda sentindo o gosto dele nos lábios. — E você sempre me espera.

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Desmot soltou uma risada baixa e rouca, passando a mão pelos cabelos em um gesto que era pura tensão sexual contida. — Sempre. Beatriz sorriu — um sorriso verdadeiro, luminoso, livre, porque dessa vez... ela também esperaria, mas não mais separada. Não mais incompleta. Dessa vez... Eles enfrentariam tudo juntos. Como sempre deveria ter sido.

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