Capítulo 24: A Escolha da Luna A culpa é da lua · Capítulo 29 de 36
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Capítulo 24: A Escolha da Luna

A tensão era sufocante, um peso físico sobre os ombros de todos. O Arquivo Sombrio tremia ao redor deles, as paredes respirando como um organismo vivo diante da presença de Luna. O cheiro de magia antiga impregnava o ar, carregado com um aviso invisível — algo havia sido quebrado, e não havia como consertar. Beatriz sentia o peso dos olhos de todos sobre ela, mas nenhum olhar era mais intenso do que o de Desmot. Ele não havia respondido à pergunta de Luna.

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Não negou. Não confirmou e isso a deixava furiosa de uma forma que ela não podia explicar, porque ela sabia a resposta. Ele ainda a queria. Mas... quem ele queria? Luna riu, o som baixo e perigoso como um ronronar de predador. — Ora, ora... tão fácil de provocar. — Ela inclinou a cabeça para o lado, os olhos escuros brilhando de satisfação. — Você sente isso, não sente, Beatriz? Beatriz trincou os dentes. — Sinto o quê? Luna se aproximou mais, seus movimentos fluidos e hipnóticos.

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— Que estamos incompletas. Beatriz não se moveu, mas algo dentro dela queimava. A conexão entre elas pulsava como uma segunda pele, algo que foi roubado e agora tentava se reconectar. Era como ter um membro fantasma — a sensação de algo que deveria estar ali, mas não estava. Ela sentia a presença de Luna dentro de si, como uma sombra à espreita nas bordas de sua consciência. E era assustador. Porque parte de si... queria aquilo. Uma parte de si queria abrir os braços e aceitar aquela fusão, acabar com o vazio que sentia desde

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que chegou àquela vila. Acabar com a sensação de estar sempre incompleta, sempre faltando algo essencial. Mas outra parte... A parte que foi ensinada a temer isso, a parte que foi criada no esquecimento... Lutava. — Beatriz. A voz de Desmot foi um trovão abafado, cortando através da névoa em sua mente. Ela ergueu os olhos e encontrou os dele. E ali, viu algo que não esperava. Não havia dúvida.

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Não havia medo. Havia raiva. Mas não de Luna. De Beatriz. — Você quer fundir-se com ela? — Ele perguntou. A pergunta era direta. Cruel. Sem rodeios, Beatriz sentiu um nó se formar em sua garganta, porque ele estava a desafiando. Forçando-a a tomar uma posição. Ela deveria responder não, deveria negar com veemência, mas sua língua se recusava a se mover e a hesitação foi resposta suficiente. O olhar de Desmot escureceu, algo feroz e territorial brilhando naqueles olhos âmbar.

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E então, ele se moveu. A velocidade do Alfa foi um borrão de movimento. Beatriz ofegou quando ele a agarrou pelo pulso e a puxou para trás de si com força, colocando-se entre ela e Luna como um escudo vivo. — Se você hesita... então eu decido. Beatriz ficou paralisada, o coração martelando contra as costelas. Luna arqueou uma sobrancelha, genuinamente interessada agora. — Oh? Vai lutar por ela, Alfa? Desmot não piscou, sua voz um rosnado baixo e perigoso. — Vou lutar para mantê-la longe de você.

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A sombra sorriu devagar, e havia algo de admiração naquele sorriso. E então... Ela atacou. O movimento de Luna foi um borrão negro, uma onda de sombras retorcendo-se ao redor de seu corpo como serpentes vivas. As paredes do Arquivo vibraram como se a realidade estivesse se quebrando, rachaduras se espalhando pela pedra, Beatriz mal teve tempo de reagir antes que a escuridão tentasse engolir tudo, mas Desmot estava pronto. O Alfa rosnou — um som primitivo e feroz — seus olhos âmbar brilhando com fúria incandescente enquanto erguia a espada.

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O impacto da lâmina contra as sombras gerou uma explosão de magia crua, lançando poeira e estilhaços de pedra em todas as direções. Caleb sacou sua própria lâmina, movendo-se ao lado do irmão com precisão sincronizada. — Seja lá o que você é, sombra, prefiro você dentro do espelho! Luna se moveu com uma graça inumana, desviando-se dos ataques com facilidade irritante. Ela não lutava com força bruta, ela dançava entre os golpes e sorria durante todo o tempo. — Vocês realmente acham que podem me matar? Ela se dissolveu em sombras novamente, reaparecendo instantaneamente atrás de Beatriz.

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Antes que ela pudesse reagir, Luna sussurrou em seu ouvido, a voz tão íntima quanto um amante: — Eu sou você! Beatriz gritou. Sua mente se rasgou como tecido velho, memórias explodiram dentro dela como granadas e então... Ela caiu. O impacto contra o chão foi duro, mas a dor não foi física, foi algo muito mais profundo — uma dor na alma, nos lugares onde as memórias haviam sido arrancadas. Beatriz se dobrou sobre si mesma, as mãos segurando a cabeça enquanto imagens e vozes gritavam em sua mente.

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"Luna, você precisa decidir agora!" "Se não selarmos isso, você será consumida!" "Ela precisa esquecer! É a única forma!" "Não! Não façam isso comigo! POR FAVOR!" Beatriz ofegou, os olhos arregalados de puro horror. A verdade finalmente caiu sobre ela com todo o seu peso esmagador e doeu mais do que qualquer ferida física jamais poderia doer. Os anciãos não a salvaram. Eles a traíram. Eles a quebraram ao meio, eles dividiram sua alma à força, rasgando-a em duas metades incompletas. E agora...

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Ela estava morrendo por isso. — BEATRIZ! A voz de Desmot soou distante, como se ele estivesse a quilômetros de distância. Beatriz piscou, tentando se focar através das lágrimas e da dor e percebeu... Luna estava diante dela, mas não estava atacando mais. Ela apenas... observava. Como se estivesse esperando. — Agora você sabe — sussurrou a sombra, e havia algo quase gentil em sua voz. — Agora... você pode decidir. E Beatriz finalmente entendeu, entendeu que não havia escapatória, não havia terceira opção. Entendeu que se não se fundisse com Luna, ela

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morreria. Sua alma dilacerada eventualmente se despedaçaria completamente. Se aceitasse a fusão... poderia nunca mais ser a mesma. Poderia se tornar o monstro que os anciãos tanto temiam. O silêncio foi absoluto. Os olhos de todos estavam nela — esperando, observando, julgando. Mas agora... A decisão era apenas dela. E de mais ninguém.

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