Epílogo: O Chamado da Lua A culpa é da lua · Capítulo 36 de 36
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Epílogo: O Chamado da Lua

A lua cheia pairava alta e imponente no céu, sua luz prateada banhando a vila em um brilho etéreo. Não havia nuvens agora — apenas o vasto céu estrelado e aquela lua magnífica, testemunha silenciosa de tudo que havia acontecido. O vento carregava os ecos dos uivos da alcateia, não de luto ou desespero, mas de aceitação e renascimento. Beatriz — Luna — estava na varanda da casa principal, olhando para sua vila. Sua terra. Seu povo. Ela fechou os olhos, sentindo o pulsar da terra sob seus pés. A energia que corria em suas veias. O laço com cada lobo que agora a seguia sem questionar.

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Ela era Luna. Ela era a líder. Mas o peso disso ainda a assombrava, porque liderança não era apenas poder... Era responsabilidade. A vila estava diferente agora. O medo que antes pairava no ar havia se dissipado como névoa ao sol, mas um novo tipo de silêncio tomou seu lugar. Um silêncio de expectativa. De dúvida. De esperança cautelosa. Os anciãos não voltaram, mas Beatriz sabia que eles não haviam desaparecido completamente. Ela sentia

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seus olhos na escuridão — observando, esperando, julgando, ela sabia — o futuro ainda guardava desafios que nem mesmo ela podia prever. Ameaças que ainda dormiam nas sombras. Inimigos que ainda não haviam se revelado. — Você deveria descansar. A voz familiar quebrou o silêncio, e Beatriz sorriu levemente sem abrir os olhos. — Você também deveria, Desmot. Ele se aproximou, e ela sentiu o calor de seu corpo irradiando contra a brisa fria da noite. Ele parou ao seu lado, cruzando os braços, os olhos também voltados para a vila.

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— A vila está segura agora — disse ele, a voz firme. — Mas você ainda parece estar lutando contra alguma coisa. Beatriz soltou um suspiro baixo, finalmente abrindo os olhos. — Eu sinto que isso não acabou. Desmot não respondeu de imediato, mas quando falou, sua voz carregava uma convicção inabalável. — Nada nunca acaba completamente. — Ele fez uma pausa. — Mas agora, você não está sozinha. Ela se virou para ele, e viu a verdade nos olhos dele, por tanto tempo, ela fugiu da ideia de pertencer a algo. De se conectar com alguém profundamente.

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De se arriscar a perder novamente, mas agora... Agora ela tinha uma casa. Tinha uma alcateia. Tinha um propósito. E... tinha alguém ao seu lado. Alguém que nunca desistiu dela, mesmo quando ela estava perdida, mesmo quando ela era apenas uma sombra. O vento soprou mais forte, e Beatriz sentiu o chamado da floresta — do mundo além dos limites da vila. Mistérios ainda não resolvidos. Inimigos ainda não enfrentados. Verdades ainda não reveladas.

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A vida dela nunca seria apenas aqui, segura dentro das fronteiras da vila. O passado ainda não havia mostrado todos os seus segredos e pela primeira vez... Ela não sentiu medo, Beatriz agora Luna se sentiu pronta. Ela se virou completamente para Desmot, os olhos encontrando os dele na luz da lua. — O que faremos agora? Ele sorriu — aquele meio sorriso que carregava mais promessas do que mil palavras. — Agora... nós seguimos em frente. Simples. Direto. Perfeito.

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Beatriz inspirou fundo, absorvendo cada detalhe daquela noite, o cheiro da floresta. O som distante dos lobos. A presença sólida de Desmot ao seu lado e quando olhou para a lua, ela sorriu — um sorriso verdadeiro, luminoso, livre, porque não importava o que viesse a seguir. Não importava que desafios o futuro trouxesse. Não importava que inimigos surgissem das sombras. Ela lutaria, ela venceria, já que agora, o mundo sabia quem ela realmente era e nunca mais tentariam apagá-la. Nunca mais a dividiriam, nunca mais a esqueceriam. Ela era Luna e Beatriz E a lua sempre retorna. Sempre.

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FIM

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